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ONG denuncia russos "próximos de Putin" por branqueamento de possíveis ganhos ilícitos em França

JN/Agências

A denúncia alerta para desvios realizados por empresários e altos funcionários próximos de Vladimir Putin

Foto Ramil Sitdikov/epa

A organização Transparência Internacional anunciou esta terça-feira que apresentou uma queixa em Paris por "branqueamento" em França de possíveis ganhos ilícitos de "empresários e altos funcionários próximos de Vladimir Putin".

A organização não-governamental (ONG) indicou, num comunicado, que apresentou uma denúncia contra X [sem identificar qualquer pessoa] "por branqueamento, recursos que não foram clarificados junto das autoridades, ocultação e cumplicidade".

Esta denúncia tem como objetivo "denunciar os desvios realizados do Estado russo e da sua riqueza nacional por empresários e altos funcionários próximos" do presidente russo, Vladimir Putin.

Este sistema "estende as suas ramificações à França, em particular no setor imobiliário, devido à falta de vigilância dos intermediários", acrescentou o comunicado.

A denúncia foi apresentada na quinta-feira, na Procuradoria Nacional das Finanças francesa, segundo a ONG, que não divulga os nomes das pessoas visadas para "evitar represálias às suas equipas".

"A ambição das sanções contra a Rússia e os primeiros anúncios de bloqueio esbarraram na dificuldade de identificar os bens das pessoas sancionadas. Em França, como noutros lugares, o rastreamento dos bens dos oligarcas e pessoas próximas ao regime russo está parado", referiu a Transparência Internacional.

A ONG referiu que estas dificuldades no rastreamento estão relacionadas com a existência de "intermediários, pessoas fictícias, empresas de fachada ou empresas de gestão de fundos em paraísos fiscais ou judiciais".

Graças a várias fontes, a ONG conseguiu "fazer um inventário dos bens imobiliários em França de vários oligarcas e pessoas próximas ao regime russo, identificar as cadeias de propriedades criadas para esse fim e reunir um corpo de evidências sobre os recursos de origem ilícita que possibilitaram a aquisição desses ativos", afirmou Patrick Lefas, presidente da Transparência Internacional.

"O objetivo desta nova denúncia, que se enquadra no contexto de denúncias semelhantes apresentadas pela Transparência em 2008 e em 2011 [relacionadas com outros países], é a sanção dessas práticas e a devolução dos bens confiscados ativos para vítimas de corrupção", sublinhou a ONG.

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