Córsega

Piloto da Força Aérea francesa amarrado a alvo esteve 20 minutos sob fogo de caças

JN

O piloto esteve 20 minutos amarrado a poste com mira de tiro

Foto Dr

Dois anos depois, o piloto decidiu apresentar queixa. Investigação será baseada em fotografias e vídeos captados durante o episódio.

Foram vinte minutos "de inferno". A 27 de março de 2019, um jovem piloto da Força Aérea francesa foi transferido da base de Orange para a de Solenzara, na Córsega, mas estava longe de imaginar o que o esperava.

Nessa primavera, os colegas pediram-lhe que vestisse o uniforme e amarraram-lhe os pulsos, joelhos e tornozelos com fita adesiva. Colocaram-lhe um capacete e levaram-no, numa viagem de dez minutos, até ao campo de tiro de Diane.

Lá, prenderam-no a um poste, onde estava, bem perto da cabeça do recruta, uma mira usada no treino de tiro ao alvo dos caças. Completamente alheio ao que estava a acontecer, o piloto ficou paralisado quando começou a ouvir a explosão de projéteis disparados a 500 metros de distância. "Assustador e impressionante", descreveu, citado pela imprensa francesa.

Vinte minutos depois, um funcionário do campo acabou por libertá-lo. Ainda de mãos e pés atados, teve de saltar até ao carro para regressarem à base aérea.

Dois anos depois, o piloto não esqueceu o trauma e, quando lhe foi recusado um novo cargo, decidiu quebrar o silêncio. "Nunca é fácil falar quando se está no exército. Estas práticas parecem, assim, habituais porque os atacantes são bem organizados", afirmou o advogado, Frédéric Berna.

O piloto apresentou uma queixa por violência e a investigação aberta poderá basear-se em vídeos e fotografias tiradas durante o episódio.