Fórum La Toja

"Portugal será um dos maiores beneficiários da reforma fiscal em Espanha", diz Núñez Feijóo

Ana Peixoto Fernandes

Alberto Nuñez Feijóo, líder da oposição do Governo de Espanha

Foto Pierre-philippe Marcou / Afp

Alberto Nuñez Feijóo (PP), líder da oposição do Governo de Espanha, criticou esta sexta-feira a reforma fiscal anunciada pelo presidente Pedro Sanchez (PSOE), considerando que Portugal será o seu principal beneficiário, graças à política "atrativa" implementada por António Costa.

O ex-presidente da Junta da Galiza, que lidera o Partido Popular espanhol, falava como convidado no segundo dia do fórum La Toja. Acusou o seu opositor de "populismo fiscal" e de avançar com medidas fiscais para castigar "o que chama de ricos". Uma reforma que representa "uma subida de mais de três mil milhões de euros", mas que, segundo Feijóo, "apresenta alguns problemas que não convém desdenhar". Um deles o de "diminuir diretamente da competitividade das empresas, já desgastada pela sucessão recente de crises económicas e da capacidade do nosso país como polo de atração de investimento e riqueza".

"Lamento dizer neste fórum ibérico que, provavelmente, um dos maiores beneficiários desta reforma fiscal pode ser Portugal, com um primeiro-ministro que demonstra que se pode fazer uma política fiscal mais atrativa, mais adequada a estes tempos e focada no crescimento da economia e na atração de patrimónios, rendimentos e investimentos", disse o líder popular, considerando que "há momentos em que baixar a pressão tributária não é de direita nem de esquerda, se não do senso comum. Não é outra coisa se não respeitar o contribuinte, sem debilitar o Estado. Sobretudo quando a inflação é a mais alta dos últimos 40 anos".

Nuñez Feijóo classificou como "um grave erro estigmatizar o investimento e as empresas" com alterações fiscais e alertou para o risco de estas provocarem um cenário de fuga empresarial para território português.

O governo espanhol avançou com um pacote de medidas fiscais que contempla uma redução de impostos do IRS para rendimentos baixos e médios, com teto máximo de 21 mil euros brutos anuais. E também "um imposto de solidariedade" que vigorará em 2023 e 2024 para patrimónios de mais de 3 milhões de euros, assim como um aumento da tributação de sociedades para grandes grupos empresariais.