Eleições Brasil

Sondagem dá vitória tímida a Lula da Silva na segunda volta

Ana Isabel Moura

Apoiantes de Lula da Silva no Porto

Foto Pedro Granadeiro / Global Imagens

Pesquisa foi realizada após primeira volta das presidenciais e tem uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou menos. Simone Tebet, que ficou em terceiro lugar no último domingo, declarou apoio a Lula da Silva.

Realizada poucos dias após a primeira volta das eleições presidenciais brasileiras, a sondagem do IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) coloca Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), em vantagem com 51% das intenções de voto. Já Jair Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), regista 43%. A margem de erro estabelecida é de dois pontos percentuais.

A sondagem feita para a Globo revela ainda que, excluindo os votos nulos ou brancos, as intenções de voto indicam 55% para o candidato do PT e 45% para o atual líder brasileiro.

Poucos dias após se conhecerem os resultados da primeira volta, os dois candidatos ao Palácio do Planalto já andam a fazer campanha eleitoral e tentam convencer o eleitorado indeciso. Lula da Silva, que disputa a corrida em vantagem, admitiu que era importante conquistar os votantes dos candidatos Simone Tebet e Ciro Gomes, que ficaram em terceiro e quarto lugar, respetivamente, na primeira volta das eleições.

O primeiro passo já está dado, tendo em conta que ambos os candidatos declararam apoio público ao ex-presidente, esperando-se que possam influenciar os cidadãos que os apoiaram na primeira volta.

Ainda assim, no que diz respeito ao índice de definição de voto, a pesquisa do IPEC mostra que 92% dos eleitores dizem já estar totalmente decididos relativamente ao candidato em quem votar na segunda volta das eleições, que se realiza no dia 30 de outubro. Os que dizem que ainda podem mudar de opinião somam 8%.

A pesquisa do IPEC aponta ainda os índices de avaliação do atual Governo. A sondagem revela que o presidente Jair Bolsonaro conta com 42% de avaliações negativas (mau ou péssimo) e 35% de avaliações positivas (bom ou ótimo). Por outro lado, os entrevistados que consideram a gestão regular representam 22%.

O IPEC entrevistou 2000 pessoas entre a segunda e a quarta-feira, no entanto, 2% dos inquiridos não responderam.

No escrutínio do último domingo, Lula foi o candidato mais votado com 48,8% dos votos, porém, não conseguiu ser eleito à primeira volta, tal como antecipavam algumas sondagens. As projeções mostraram-se uma desilusão para o candidato do PT, mas para Jair Bolsonaro, que obteve 43,2% dos votos, foram uma surpresa, já que o presidente conseguiu recolher muitos mais votos do que aquilo que estimavam as sondagens.

Há quatro anos, quando Bolsonaro foi eleito presidente pela primeira vez, obteve 55,1% dos votos na segunda volta, enquanto Fernando Haddad, candidato do PT, recolheu 44,9%.

Quem apoia quem?

Lula da Silva conseguiu captar o apoio de Simonte Tebet apesar das críticas feitas pela política brasileira nas últimas semanas da campanha eleitoral. "Reconheço no candidato Lula o compromisso com a democracia e Constituição, o que desconheço do atual presidente", referiu esta quarta-feira senadora de centro-direita, que registou 4,16% dos votos no último domingo.

Um dia antes também Ciro Gomes optou pela mesma via, acompanhando a decisão do seu partido. "Gravo este vídeo para dizer que acompanho a decisão do meu partido, o PDT", escreveu Ciro Gomes nas redes sociais, numa mensagem acompanhada por um vídeo, mas sem nunca citar o nome de Lula da Silva.

O candidato do PT tem ainda o apoio de Fernando Henrique Cardoso, que presidiu o Brasil entre 1995 e 2002.

Por sua vez, Jair Bolsonaro recebeu o apoio dos governadores dos três maiores estados do Brasil, incluindo São Paulo, principal colégio eleitoral do país, e Minas Gerais. Também o governador reeleito no Rio de Janeiro, Cláudio Castro, oficializou o apoio ao presidente.

Sérgio Moro, ex-uiz da Operação Lava Jato, eleito senador pelo estado do Paraná, anunciou também o seu apoio à reeleição do líder brasileiro. Uma decisão que não causou surpresa, já que Moro foi ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

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