Guerra na Ucrânia

Prisioneiro forçado a dormir em colchão com piolhos e a cantar hino russo todos os dias

Maria Campos

Aiden Aslin foi acusado de ser mercenário e condenado à morte em junho, mas libertado em troca de prisioneiros este mês

Foto Epa

Libertado cerca de cinco meses depois de ser detido em Mariupol, o britânico Aiden Aslin regressou ao Reino Unido e falou, este domingo, sobre as condições em que foi mantido pelas forças russas.

Depois de ser detido pelas forças apoiadas pela Rússia na Ucrânia​​, em abril, enquanto lutava na cidade de Mariupol e de ser condenado à morte na autodeclarada República Popular de Donetsk após ser acusado de ser um mercenário, o britânico Aiden Aslin foi libertado, na quarta-feira, numa troca de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia.

Em entrevista ao "The Sun", Aiden Aslin, que regressou entretanto ao Reino Unido, contou que foi "tratado abaixo de cão" durante cinco meses. Durante esse tempo, o ex-prisioneiro terá sido esfaqueado e espancado por causa das suas tatuagens: uma mostrava um tridente ucraniano e outra representava o tempo que passou na Síria.

Mykhailo Dianov - imagem de 11 de maio de 2022 e após a libertação, a 22 de setembro

 foto AFP

Mykhailo Dianov abrangido pela troca de prisioneiros, na região de Chernihiv

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Chefe dos Serviços de Segurança, Vasyl Maliuk, abraça prisioneiro libertado na região de Chernihiv

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Prisioneiros libertados na região de Chernihiv

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Prisioneira de guerra Kateryna Polishchuk reage à sua libertação

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Troca de prisioneiros na região de Chernihiv

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Troca de prisioneiros na região de Chernihiv

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Troca de prisioneiros na região de Chernihiv

 foto Serviços de Segurança da Ucrânia/AFP

Presidente Volodymyr Zelensky fala por videoconferência com prisioneiros ucranianos libertados

 foto Presidência da Ucrânia/AFP

Entre os prisioneiros libertados estão os líderes da resistência em Azovstal, na cidade de Mariupol

 foto Ministério do Interior da Ucrânia/AFP

Entre os prisioneiros libertados estão os líderes da resistência em Azovstal, na cidade de Mariupol

 foto Ministério do Interior da Ucrânia/AFP

Entre os prisioneiros libertados estão os líderes da resistência em Azovstal, na cidade de Mariupol

 foto Ministério do Interior da Ucrânia/AFP

Entre os prisioneiros libertados estão os líderes da resistência em Azovstal, na cidade de Mariupol

 foto Ministério do Interior da Ucrânia/AFP

Entre os prisioneiros libertados estão os líderes da resistência em Azovstal, na cidade de Mariupol

 foto Ministério do Interior da Ucrânia/AFP

Prisioneiros russos libertados na base aérea de Zhukovsky, perto de Moscovo

 foto Ministério da Defesa da Rússia/AFP

Prisioneiros russos libertados na base aérea de Zhukovsky, perto de Moscovo

 foto Ministério da Defesa da Rússia/AFP

Prisioneiros russos libertados na base aérea de Zhukovsky, perto de Moscovo

 foto Ministério da Defesa da Rússia/AFP

Prisioneiros russos libertados na base aérea de Zhukovsky, perto de Moscovo

 foto Ministério da Defesa da Rússia/AFP

Referindo-se a uma vez em que foi esfaqueado nas costas com uma faca, Aslin disse: "Eu sabia que havia uma grande possibilidade de estar prestes a ser morto". Então, um russo perguntou-lhe: "Queres uma morte rápida ou uma morte bonita?". Tendo respondido "morte rápida", recebeu como resposta: "Terás uma bela morte e eu vou garantir que seja uma bela morte".

"Tivemos de implorar" por água da torneira

Na entrevista, Aslin detalhou as condições da prisão. O britânico esteve numa cela de dois homens com quatro pessoas e teve de dormir num colchão infestado de piolhos. "Não podíamos usar a casa de banho porque não tínhamos casa de banho", disse, acrescentando que tiveram de usar garrafas vazias.

O prisioneiro teve de sobreviver três semanas a comer apenas pedaços de pão. "Eventualmente tivemos de implorar que nos dessem água da torneira", continuou. Havia uma janela na cela, mas não tinha "nada para nos proteger dos elementos externos", o que fazia com que ficasse frio, acrescentou.

Aslin contou ainda que levou um "murro no nariz" quando disse que era da Grã-Bretanha e as únicas vezes que foi libertado da cela foram para receber chamadas telefónicas ou para fazer propaganda.

Segundo Aslin, os prisioneiros eram forçados a cantar o hino nacional russo todas as manhãs. "E quem não cantasse seria punido por isso. Seria espancado", rematou.

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