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Anexações agravam violações de direitos humanos por Moscovo

Anexações agravam violações de direitos humanos por Moscovo

A anexação de territórios ucranianos pela Rússia apenas agravará as violações de direitos humanos cometidas por Moscovo e aumentará o "sofrimento e devastação incalculáveis infligidos aos ucranianos", denunciou esta terça-feira a ONU.

Christian Salazar Volkmann, que apresentou um relatório sobre a situação dos direitos humanos na Ucrânia ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, destacou as evidências recolhidas pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre "uma série de violações dos direitos à vida, liberdade e segurança".

A invasão da Ucrânia pelas Forças Armadas russas "levou a uma situação desastrosa dos direitos humanos em toda a Ucrânia", sublinhou o responsável pelas operações do Alto Comissariado no terreno.

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"O povo ucraniano experimentou sofrimento e destruição incalculáveis, pois o conflito armado resultou numa ampla gama de violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, afetando civis e combatentes", referiu.

O Presidente russo, Vladimir Putin, formalizou na sexta-feira em Moscovo a anexação de quatro regiões ucranianas - de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - áreas parcialmente ocupadas pela Rússia no leste e sul da Ucrânia, após a realização de referendos, considerados ilegais por grande parte da comunidade internacional.

"Com a chamada anexação... a Federação Russa tomou medidas que aprofundam, em vez de resolver, o conflito e exacerbam as violações de direitos humanos associadas a este", salientou Salazar Volkmann.

"O chamado redesenho das fronteiras internacionais, separando arbitrariamente famílias, comunidades e sociedades, tem impactos concretos nos direitos humanos das pessoas de ambos os lados das linhas assim redesenhadas", acrescentou.

Volkmann destacou também que esta decisão de Moscovo comprometeu também a liberdade de expressão e a liberdade religiosa e impede o acesso aos cuidados de saúde, ao emprego e aos serviços sociais.

Este 34.º relatório do Alto Comissário sobre a situação dos direitos humanos na Ucrânia abrange o período de 01 de fevereiro e 31 de julho, ou seja, os primeiros meses da guerra lançada pelo Kremlin em 24 de fevereiro.

O responsável alertou para "relatos perturbadores" que apontam para abusos de direitos humanos em detenção, tanto de civis como de prisioneiros de guerra, enquanto desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias "aumentaram" no território controlado pela Rússia e pelos seus aliados locais.

"Relatos terríveis de tortura e maus-tratos" de civis e prisioneiros de guerra continuam a chegar, sublinhou, referindo-se ao caso de dois soldados ucranianos que foram "torturados até a morte".

O relatório resultou numa série de condenações por parte do Ocidente, com a embaixadora dos EUA no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Michele Taylor, a lembrar que a guerra causou "mortes desnecessárias, abuso e sofrimento" e que Washington estava "indignado" com relatos de maus-tratos de prisioneiros de guerra.

O representante britânico considerou que o relatório resumia a política de Vladimir Putin, com "agressão no exterior e repressão em casa", enquanto a representante da UE, Lotte Knudsen, criticou "atrocidades, destruição e sofrimento" na Ucrânia que causaram uma "crise global económica, alimentar e energética".

Por seu lado, o porta-voz da Rússia no Conselho denunciou a "natureza tendenciosa e desequilibrada deste relatório, que reflete a abordagem ocidental da crise ucraniana".

A Venezuela também lamentou "informações seletivas e um padrão duplo", enquanto a Síria destacou um "relatório desequilibrado que reflete a visão apenas" do lado ucraniano, opinião partilhada também pela Bielorrússia.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,5 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.114 civis mortos e 9.132 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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