Colômbia

Antigo número dois das FARC anuncia regresso à luta armada

Antigo número dois das FARC anuncia regresso à luta armada

O número dois da antiga guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciou "uma nova etapa da luta" armada, reaparecendo num vídeo com outros ex-líderes desse grupo, depois de mais de um ano em paradeiro desconhecido.

"Anunciamos ao mundo que começou a segunda Marquetalia (local de nascimento das FARC), sob o suporte do direito universal que assiste todos os povos do mundo a levantarem armas contra a opressão", afirmou o líder das FARC conhecido como "Iván Márquez", num vídeo divulgado na internet e no qual aparece ao lado de cerca de 20 homens armados.

Entre os que o acompanham estão Seuxis Paucias Hernández, conhecido como "Jesús Santrich" e Hernán Darío Velásquez, conhecido como "El Paisa", que há meses deixaram de cumprir os compromissos para com a Jurisdição Especial para a Paz (JEP).

Considerada a guerrilha mais poderosa do continente sul-americano, as FARC surgiram em 1964 e tornaram-se um partido político sob o nome Força Alternativa Comum Revolucionária, após a assinatura do acordo de paz com o Governo, em 2016.

Este entendimento permitiu o desarmamento de cerca de 7 mil guerrilheiros. No entanto, centenas de outros colocaram-se à margem do processo, que tinha como objetivo pôr o fim a uma guerra fratricida com mais de 50 anos que, durante décadas, envolveu mais de 30 guerrilhas, paramilitares de extrema-direita e a polícia.

A dissidência armada das FARC tem cerca de 1800 elementos divididos em 24 grupos que, segundo a JEP, se podem juntar sob o comando dos ex-líderes rebeldes Márquez e Santrich a outros.

Segundo o exército, esta nova guerrilha tem 2300 combatentes, dedicados principalmente ao tráfico de droga e exploração mineira clandestina.

Ariel Avila, vice-diretor da JEP, afirmou que Iván Marquéz está "muito próximo" de "dissidentes armados" e confessou ter "medo que haja uma nova guerrilha".

O ex-comandante Márquez, procurado pela JEP para ser julgado pelos crimes do conflito armado, está à margem do processo de paz há mais de um ano e desapareceu denunciando deficiências por parte do Governo.

Jesus Santrich, em fuga e sob um mandato de captura internacional, é procurado por suposto tráfico de drogas, acusado pelos Estados Unidos de conspiração para enviar cocaína para o território norte-americano, já depois da assinatura do acordo de paz.

O governo do presidente de direita, Iván Duque, afirma que os dois estão escondidos na Venezuela, onde, segundo fontes oficiais, também há líderes do Exército de Libertação Nacional (ELN), considerado a última força de guerrilha ativa na Colômbia.

O conflito armado na Colômbia, que envolveu guerrilhas, grupos paramilitares, forças do Governo e narcotraficantes ao longo de mais de 50 anos, causou mais de 260 mil mortos, quase 83 mil desaparecidos e 7,4 milhões de deslocados.