Srebrenica

Antigo oficial sérvio rotulado como "herói" foi condenado a nove anos de prisão por genocídio

Antigo oficial sérvio rotulado como "herói" foi condenado a nove anos de prisão por genocídio

Um antigo oficial sérvio da Bósnia, que se apresentava como um dos raros militares a ter desobedecido aos superiores durante o massacre de Srebrenica, foi condenado esta sexta-feira em Sarajevo a nove anos de prisão por genocídio.

Srecko Acimovic comandava um batalhão das forças sérvias da Bósnia quando mais de oito mil homens e rapazes bósnios muçulmanos foram assassinados em julho de 1995.

Após a guerra intercomunitária, Acimovic apresentou-se como o "herói" que tinha recusado participar no massacre. A imprensa local, incluindo jornais de Sarajevo, falava dele como um "homem de bem em tempos de calamidade".

O antigo oficial, 53 anos, "ajudou a realizar uma iniciativa criminosa comum (...) que consistia no extermínio parcial de um grupo religioso e étnico (...) cometendo, portanto, o ato de genocídio", julgou agora o tribunal de Sarajevo.

O acusado afirmava ter recusado obedecer à hierarquia que lhe pediu para formar um esquadrão para executar os prisioneiros, mas o tribunal considerou que ele "executou a ordem" dos seus superiores, organizando a 15 de julho de 1995 o transporte por camião de 818 prisioneiros reunidos no ginásio de uma escola até ao local da sua execução, uma pedreira a 70 quilómetros a norte de Srebrenica.

Segundo a acusação, Acimovic "construiu conscientemente durante anos a reputação de um herói".

Foi convocado como testemunha para vários dos julgamentos por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, em Haia, para contar a sua recusa de obediência, tendo testemunhado nomeadamente no julgamento de Ratko Mladic, chefe militar dos sérvios da Bósnia durante o conflito, condenado a prisão perpétua em primeira instância.

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Considerado a pior matança em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, o massacre de Srebrenica é o único episódio do conflito na Bósnia qualificado como um ato de genocídio pela justiça internacional.

Até ao momento, foram encontradas em mais de 80 valas comuns e identificadas quase 6900 vítimas do massacre.

A guerra intercomunitária causou perto de 100 mil mortos entre 1992 e 1995.

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