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"Fortes explosões" em Mikolaiv e Rússia a ganhar terreno em Lysychansk

Augusto CorreiaMaria Campos

A destruição da guerra espalha-se pela Ucrânia

Foto Genya Savilov / Afp

O 129.º dia de guerra começou com as sirenes de alarme em Mikolaiv. O governador daquela cidade ucraniana exortou a população a correr para os abrigos, reportando "fortes explosões". Noutra frente, em Lysychansk, a Rússia avança devagar apesar de denotar falta de equipamento militar moderno.

Autoridades ucranianas dizem que Lysychansk continua nas mãos da Ucrânia, apesar das alegações da Rússia de que a cidade “foi controlada”.

As forças ucranianas passaram semanas a tentar defender a cidade, o último bastião da Ucrânia na província oriental de Lugansk. Vídeos nos meios de comunicação russos mostraram a milícia de Lugansk a agitar bandeiras e a aplaudir nas ruas de Lysychansk. Um porta-voz das forças separatistas pró-Rússia disse que “Lysychansk foi controlada”, mas “infelizmente, ainda não foi libertada”.

Zelensky pede que se espalhe "a verdade sobre a guerra"

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky elogiou aqueles que defendem a Ucrânia e pediu que a verdade sobre a guerra seja divulgada.

"Em muitas cidades na retaguarda, há uma sensação de relaxamento, mas a guerra não acabou, a sua crueldade está a aumentar em alguns lugares e não pode ser esquecida. Portanto, ajudem o exército, ajudem os voluntários, ajudem todos que foram deixados sozinhos neste momento. Espalhem a verdade sobre a guerra e sobre os crimes dos ocupantes. Não importa o quão difícil seja hoje, devemos lembrar que haverá amanhã. E amanhã deve trazer o máximo benefício para a Ucrânia - todos devem fazer absolutamente todo o possível para isso".

Rússia "afunda acidentalmente" o seu próprio navio no Mar Negro

A marinha russa terá explodido um dos seus próprios navios no Mar Negro, perto da cidade ocupada de Mariupol. Uma embarcação foi destruída quando atingiu uma mina marítima russa.

Acredita-se que a tripulação tenha sobrevivido ao incidente.

Rússia tentou destruir armas na Ilha da Serpente

Moscovo tentou destruir os seus "equipamentos, armas e propriedades" na Ilha da Serpente depois de as tropas russas se terem retirado da ilha. No entanto, as forças armadas ucranianas dizem que Moscovo "não lidou com a tarefa".

Pelo menos 29 "fragmentos de corpos" em escombros de centro comercial

Equipas de emergência recuperaram dezenas de "fragmentos de corpos" dos escombros de um ataque com mísseis russos na cidade ucraniana de Kremenchuk.

"Em 2 de julho, às 13.25 horas em Kremenchuk, os trabalhos de remoção de detritos foram concluídos no centro comercial Amstor, que foi destruído por um ataque de mísseis em 27 de junho. Vinte e nove fragmentos de corpos foram detetados desde o início do trabalho".

Acredita-se que pelo menos 19 pessoas morreram no ataque na segunda-feira, quando mísseis de cruzeiro russos X-22 atingiram o centro comercial Amstor. Estavam cerca de mil pessoas no local e mais de 60 ficaram feridas.

Mina russa mata civil e fere outro perto de Odessa

Uma mina russa matou um civil e feriu outro em Odessa, de acordo com o "Kyiv Independent".

​​​​​​​A mina explodiu no Mar Negro perto da cidade turística de Karolino-Buhaz, 60 quilómetros a sudoeste de Odessa. A visita às praias é proibida naquela área.

Lukashenko acusa Kiev de disparar mísseis contra a Bielorrússia

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O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, afirmou que o seu exército intercetou mísseis disparados da Ucrânia que se dirigiam contra a Bielorrússia.

"Nós estamos a ser provocados. Eu tenho de vos dizer que há três dias, talvez mais, a Ucrânia tentou atingir alvos militares na Bielorrússia. Graças a Deus, os nossos sistemas anti-aéreos Pantsir intercetaram todos os mísseis disparados pelas forças ucranianas", afirmou o governante, citado pela agência estatal Belta.

Na declaração, o Presidente bielorrusso garantiu que o seu país não tem "qualquer intenção de combater na Ucrânia".

Rússia ataca Mykolaiv com dez mísseis a partir da ocupada Kherson

As forças russas dispararam dez mísseis de alta precisão contra instalações portuárias e outras infraestruturas industriais de Mykolaiv, com os ataques a terem origem na região ocupada de Kherson, afirmou o Comando Sul das tropas ucranianas.

"Ao amanhecer, o inimigo dirigiu contra Mykolaiv dez mísseis do tipo Onix [um dos mais modernos projéteis de alta precisão das forças russas], disparados a partir do complexo de mísseis na região ocupada de Kherson", referiu a mesma fonte.

Segundo o Comando Sul, Moscovo atacou "instalações portuárias e outras infraestruturas industriais da cidade e registaram-se impactos em terrenos agrícolas nas redondezas".

No terreno, ainda se procura saber o impacto dos danos provocados pelos mísseis e a existência de vítimas, disse Vladislav Nazarov, do Comando Sul, numa comunicação sobre a situação operacional naquela região da Ucrânia, publicada na rede social Facebook, à qual tiveram acesso as agências Ukrinform e Unian.

Mais de 10 mil residentes de Mariupol estão presos em Donetsk

A Câmara Municipal de Mariupol, na Ucrânia, denunciou que há mais de dez mil residentes daquela cidade tomada pelas forças russas que estão presos na autoproclamada República Popular de Donetsk.

"Civis pacíficos foram detidos pelos ocupantes e enviados para locais de detenção. Há conhecimento de quatro destas prisões: duas em Olenivka, o centro de detenção de Donetsk e de Makiivka", afirmaram as autoridades locais numa mensagem na rede social Telegram e divulgada pelas agências Ukrinform e Unian.

A mesma fonte referiu que os reclusos estão "em condições terríveis e inumanas, como num campo de concentração, presos em celas estreitas de dois por três metros com dez pessoas".

Itália alerta para aumento de preço da energia por fecho temporário de gasoduto russo

O ministro da Transição Ecológica italiano, Roberto Cingolani, alertou que se espera um novo aumento do preço da energia em Itália depois de a Rússia anunciar o fecho do gasoduto Nord Stream para manutenção, adiantou a EFE.

"O fecho por duas semanas do Nord Stream para manutenção terá como resultado um aumento no preço do gás e isto significa que haverá ainda menos gás e que os preços vão subir, porque o mercado de gás é especulativo e haverá mais acumulação", disse Cingolani numa entrevista televisiva citada pela EFE.

A operadora do gasoduto Nord Stream anunciou que vai parar em julho durante 11 dias os dois canais que transportam gás russo para a Alemanha pelo mar Báltico para efetuar reparações planeadas.

Exército ucraniano nega cerco russo a Lysychansk, no Donbass

Violentos combates decorreram hoje em Lysychansk, cidade no leste da Ucrânia, onde ucranianos e russos lutam pelo controlo do Donbass, que os separatistas pró-russos dizem ter cercado completamente, mas que o exército ucraniano desmente.

"Os combates decorrem em redor de Lysychansk. Felizmente, a cidade não está cercada e está sob controlo do exército ucraniano", disse em declarações a um canal de televisão o porta-voz da Guarda Nacional da Ucrânia, Rouslan Mouzytchouk

Forças pró-russas anunciam cerco total a cidade de Lysychansk

As forças pró-russas rodearam completamente a cidade de Lysychansk, na região oriental de Lugansk, após ocuparem todas as localidades importantes ao redor da localidade, assegurou hoje Andrei Marochko, porta-voz da milícia separatista.

"Hoje, graças aos esforços conjuntos da milícia popular da república popular de Lugansk e das Forças Armadas da Federação Russa, ocuparam-se os últimos lugares estrategicamente importantes, o que nos permite dizer que a cidade de Lysychansk está completamente rodeada", disse às agências russas Interfax e TASS.

Segundo noticiou esta manhã a agência oficial RIA Novosti, as tropas pró-russas ocuparam a localidade de Zolotarivka, a oeste de Lysychansk, mas faltava tomar o controlo de Bilohorivka, a seis quilómetros da primeira cidade, para fechar completamente o cerco.

Regulador de energia pede que alemães se preparem para possível escassez de gás

O presidente da agência reguladora de energia da Alemanha pediu hoje aos moradores que economizem energia e se preparem para o inverno, quando o uso aumenta, por temer que a Rússia possa cortar o fornecimento de gás natural.

O presidente da Agência Federal de Redes, Klaus Mueller, pediu aos proprietários de casas e apartamentos que verifiquem e ajustem as suas caldeiras a gás e radiadores para maximizar a sua eficiência.

Presidente ucraniano diz que ataque da Rússia é contra valores comuns da Europa

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, reiterou hoje, em mensagens nas redes sociais, que a Europa deve responder unida à agressão russa contra a Ucrânia, porque ataca valores comuns.

"A agressão russa contra a Ucrânia é uma agressão contra toda a Europa unida, contra cada um de nós, contra os nossos valores comuns. E a nossa resposta deve ser unitária", escreveu Zelensky numa mensagem que acompanha imagens da destruição deixada pela guerra no país.

Em outra mensagem recente no Facebook, Zelenski assegurou que "as forças da ordem e os serviços secretos da Ucrânia estão a fazer tudo o que é possível para identificar todos os soldados russos responsáveis pelo terror" de que são alvo as cidades da Ucrânia.

"Nenhum deles poderá escapar à responsabilidade e as sanções pessoais não serão suficientes para estas pessoas. Uma condenação e prisão é o mínimo que merecem", afirmou.

Rússia diz que destruiu cinco postos de comando ucranianos

O Ministério da Defesa da Rússia reclama a destruição de cinco postos de comando ucranianos na região do Donbass e de Mikolaiv, localidade sobressaltada por explosões este sábado de manhã.

Segundos os media russos, as tropas de Moscovo destruíram, ainda, silos de armas em Zaporizhzhia e Kharkiv.

Kiev estima que pelo menos 344 crianças foram mortas desde início da guerra

As autoridades ucranianas estimaram hoje que pelo menos 344 crianças foram mortas desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, havendo ainda a contabilizar 640 menores com ferimentos.

Segundo dados do Ministério Público ucraniano a maior parte destas vítimas (mortos e feridos) registaram-se nas regiões de Donetsk (340), Kharkiv (185), Kiev (116), Chernigiv (68), Lugansk (61), Mikolaiv (53), Kherson (52) e Zaporijia (31).

As autoridades indicaram ainda que 2.102 estabelecimentos de ensino foram atingidos na sequência dos ataques aéreos e de artilharia russas, dos quais 215 ficaram totalmente destruídos.

Ataque "desumano e cínico" marcou dia de ontem

Sábado começou com o alarme das sirenes em Mikolaiv. As explosões são "fortes", segundo um autarca local, mas até ao momento não há registo de vítimas. Ontem, um ataque aéreo "desumano e cínico" causou pelo menos 21 mortos em Odessa.

Rússia conseguiu "ligeiros avanços" na cidade de Lysychansk

As forças russas continuam a avançar lentamente na cidade estratégica de Lysychansk, impulsionadas por ataques aéreos e de artilharia.

Segundo o mais recente relatório do Ministério da Defesa britânico (MoD) na sigla original, a Rússia conseguiu "avanços ligeiros" na cidade de Lysychansk. De acordo com o MoD, provavelmente as forças ucranianas continuam a bloquear as forças invasoras nos arredores daquela cidade estratégica do Leste da Ucrânia.

Ainda segundo o MoD, a Rússia parece estar a exponenciar uma diminuição de armamento, estando a recorrer a mísseis anti-navios para atacar alvos em terra.

"Fortes explosões" abalam cidade de Mykolaiv

O presidente da câmara de Mykolaiv, Oleksandr Senkevich, exortou os residentes a procurar refúgio nos abrigos, este sábado.

"Fortes explosões na cidade. Fiquem nos abrigos", escreveu Oleksandr Senkevich no Telegram. Até ao momento ainda não há informações concretas sobre o motivo das explosões, noticiadas um dia depois de um ataque com mísseis ter causado a morte a pelo menos 21 pessoas em Odessa.

Gazprom baixa exportações e UE prepara-se para viver sem energia russa

A Gazprom exportou no primeiro semestre menos 31% de gás do que no mesmo período do ano passado para os países fora do espaço da pós-soviética Comunidade de Estados Independentes (CEI).

As exportações para fora da CEI ficaram-se pelos 68,9 mil milhões de metros cúbicos (mmmc), menos 31 mmmc, segundo um comunicado da Gazprom.

Entretanto, a Comissão Europeia está a preparar um plano de emergência para ajudar os Estados membros a viverem sem a energia russa, no seguimento da invasão russa da Ucrânia.

Bom dia, começa aqui o acompanhamento ao minuto do 129.º dia da guerra na Ucrânia.