Dia 89

Vitória russa arrastará países da NATO para a guerra, avisa Zelensky

Sandra AlvesLuís Pedro CarvalhoDaniela JogoRita Salcedas

Intervenção de Zelensksy em Davos|

 foto EPA/LAURENT GILLIERON

Vadim Shishimarin é o primeiro condenado por crimes de guerra na Ucrânia|

 foto AFP

Coluna de fumo negro numa refinaria em Lysychansk|

 foto ARIS MESSINIS / AFP

Ponte destruída entre Lysychansk e Severodonetsk, onde se concentra a ofensiva russa|

 foto ARIS MESSINIS / AFP

Funeral de um soldado ucraniano na região de Odessa|

 foto EPA/STEPAN FRANKO

Apesar da guerra, as searas crescem na região de Odessa|

 foto Genya SAVILOV / AFP

A guerra na Ucrânia impulsionou o número de deslocados no mundo, para o "gritante" recorde de 100 milhões de pessoas, segundo a ONU. O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou que quer verificar as condições de detenção e tratamento dos prisioneiros de guerra que se renderam de Azovstal para evitar que desapareçam. Um tribunal de Kiev condenou a prisão perpétua o militar russo pela morte de um civil. No Fórum de Davos, Volodymyr Zelensky pediu "sanções máximas" contra Moscovo. Acompanhe o minuto do 89.º dia de guerra.

Zelensky avisa que derrota para a Rússia arrastará países da NATO para a guerra

O presidente ucraniano alertou, esta segunda-feira, que os Estados Unidos e todos os membros da NATO serão arrastados para uma guerra caso a Rússia conquiste a Ucrânia e avance para outros países. "Se cairmos, se não aguentarmos a defensiva, a Rússia irá continuar e atacar os países bálticos, a Estónia, Lituânia e Letónia, e estados mais pequenos", salientou Zelensky em entrevista à plataforma de notícias Axios.

Desta forma, o chefe de Estado ucraniano sublinhou que se o seu país perder a guerra contra a Rússia, as forças de Moscovo irão continuar e atacar membros da NATO, o que coloca "potencialmente" norte-americanos em risco.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem repetido insistentemente que não irá enviar militares norte-americanos para a Ucrânia, mas um ataque contra um membro na NATO ativaria o artigo 5 da Aliança Atlântica, um acordo de defesa coletiva. "Os militares norte-americanos terão de ir para a Lituânia, Letónia e Estónia, segundo o artigo 5, e terão que combater ali e morrer ali", apontou Zelensky.

Volodymyr Zelensky, que tem pedido mais armas ao Ocidente, apelou esta segunda-feira no Fórum de Davos para "sanções máximas" contra Moscovo, incluindo a suspensão de relações comerciais, e convidou as empresas estrangeiras a mudarem-se da Rússia para a Ucrânia.

ONU preocupada com baixas civis nos "combates ferozes" no leste

A ONU está preocupada com o impacto sobre os civis dos "combates ferozes" nas regiões leste de Lugansk e Donetsk e em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. O porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, salientou que há pessoas a morreram ou a ficarem feridas, e ainda casas, infraestruturas civis ou edifícios residenciais a ficarem danificados ou destruídos.

Na região de Lugansk controlada pelo governo de Kiev, as autoridades locais informaram a ONU que foi destruída, a 21 de maio, uma ponte que permitia chegar ao centro administrativo da região, Sievierodonetsk. Esta ação deixou esta cidade parcialmente cercada acessível apenas por uma estrada, explicou Stephane Dujarric.

Algumas pessoas conseguiram deixar Sievierodonetsk durante o fim de semana, mas a ONU referiu que as autoridades locais estimam que milhares de civis permanecem naquela cidade e a precisar de apoio urgente.

A equipa humanitária da ONU no terreno também relatou que bombardeamentos e ataques aéreos foram registados em outras áreas da Ucrânia, inclusive em regiões a norte, central e sul, que causaram a morte a civis e danificaram infraestruturas civis.

13 mil crimes de guerra estão a ser investigados na Ucrânia

Iryna Venediktova, procuradora-geral ucraniana, disse ao "The Washington Post" que, a partir de segunda-feira, "mais de 13 mil casos de alegados crimes de guerra russos" vão ser investigados. Ainda hoje, a estimativa mais recente apontava para cerca de 11 mil, o que mostra que a contagem está a crescer rapidamente.

A Ucrânia tem acusado constantemente a Rússia de atrocidades contra civis durante a invasão, mas o Kremlin nega que as suas tropas estejam a atacar cidadão ucranianos.

Julgamento de militares de Azovstal vai começar em Mariupol

O julgamento dos militares ucranianos que se renderam na semana passada em Azovstal iniciar-se-á em Mariupol, disse hoje uma fonte familiarizada com o assunto à agência de notícias independente russa Interfax.

"Segundo os dados preliminares, o primeiro julgamento intermédio vai ser realizado em Mariupol", indicou a fonte. O julgamento vai ser seguido de outras etapas, que poderão ocorrer noutras localidades, acrescentou.

Todos os militares que estiveram entrincheirados na siderúrgica Azovstal até se renderem na semana passada estão presos na autoproclamada República Popular de Donetsk, controlada pela Rússia, disse hoje o líder separatista Denis Pushilin à agência russa Interfax.

Governo português disponível para doar medicamentos e produtos médicos

A ministra da Saúde afirmou hoje, em Genebra, a disponibilidade do Governo para prosseguir com a doação de medicamentos e produtos médicos à Ucrânia, assim como para Portugal acolher doentes e refugiados da invasão russa.

"O Governo português continuará a prestar assistência e apoio ao povo ucraniano, nomeadamente, através do donativo de medicamentos e produtos médicos e acolhimento de doentes e refugiados", refere um comunicado do gabinete de Marta Temido, que participou na abertura 75.ª Assembleia Anual da Organização Mundial de Saúde (OMS) que está a decorrer na Suíça.

Marta Temido, que "condenou a agressão militar russa" à Ucrânia, salientou que "existe uma interdependência inegável entre a saúde e a paz" e alertou que os conflitos, para além das vítimas mortais, causam "fortes perturbações sociais e económicas".

Primeira-dama ucraniana fala na OMS e Moscovo denuncia "politização"

A primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, denunciou hoje junto da Organização Mundial de Saúde (OMS) os "horrores" causados pelas forças russas na Ucrânia, enquanto Moscovo denunciou uma "politização" desta organização.

A guerra da Rússia "mostrou horrores que não poderíamos imaginar", disse Zelenska perante a Assembleia Mundial da Saúde, que reúne todos os Estados-membros da OMS.

"A OMS está empenhada em proteger os direitos humanos mais essenciais à vida e à saúde", mas "hoje" estes "são violados na Ucrânia", afirmou na sua intervenção.

Na Ucrânia, "os médicos não podem ter a certeza de que as suas ambulâncias não serão bombardeadas" e "nenhum ucraniano pode ter a certeza de que acordará amanhã", salientou Zelenska.

Mão pesada para crimes de guerra e o pedido de "sanções convincentes" para Moscovo

Ao 89.º dia chega a primeira sentença para um soldado russo acusado de cometer crimes de guerra. Vadim Chichimarine foi condenado a prisão perpétua. Enquanto a justiça mostra a sua força, as atrocidades cometidas pelo exército de Putin veem a público. 150 corpos recuperados dos escombros na região de Kharkiv e 87 pessoas morreram num ataque russo a uma base militar ucraniana, a 17 de maio. Zelensky voltou a apelar à comunidade internacional por "sanções convincentes" contra Moscovo.​​​​​​​

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Navalny diz que Putin é um "louco malvado" com armas nucleares e veto na ONU

O líder de oposição russa, Alexei Navalny, chamou ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, "louco malvado" com armas nucleares e direito de veto na ONU, num artigo publicado hoje na revista norte-americana Time.

"Os líderes mundiais falaram hipocritamente durante anos sobre o pragmatismo e as vantagens do comércio internacional. Assim, posicionaram-se para beneficiar do petróleo e gás russos, enquanto o domínio de Putin se foi tornando cada vez maior", disse Navalny no artigo.

O opositor acrescentou que agora "a questão com que nos deparamos é: como deter um louco malvado com um exército, armas nucleares e um membro do Conselho de Segurança da ONU?", questionou.

"Esta [questão] ainda não foi respondida. E somos nós que o devemos fazer", disse.

Rússia mantém controlo de barragem estratégica para Crimeia

A Rússia mantém o controlo de uma central hidráulica estratégica, apreendida em final de fevereiro, assegurando o fornecimento de água à região anexada da Crimeia, constatou a agência France-Presse.

Três meses depois de ter sido apreendida pelas forças militares russas, as turbinas da central hidráulica, localizada em Nova Kakhovka, na região de Kherson, no sul da Ucrânia, estão a funcionar, com as instalações intactas e a água a fluir e a desaguar no rio Dnieper.

Turquia quer passos concretos para aceitar Suécia e Finlândia na NATO

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, fez hoje depender o levantamento do seu veto à adesão da Suécia e da Finlândia à NATO de medidas concretas, mas sem as especificar.

"Queremos ver passos concretos em vez de declarações diplomáticas inconclusivas", disse Erdogan durante uma visita ao estaleiro naval Golcuk, na Turquia ocidental, citado pela agência espanhola EFE.

Sem especificar que medidas espera da Suécia e da Finlândia para aprovar a sua adesão à Aliança Atlântica, Erdogan acusou novamente os dois países de apoiarem as milícias curdas Unidades de Proteção Popular (YPG), que atuam no norte da Síria.

As YPG estão integradas nas Forças Democráticas Sírias (FDS, dominadas pelos curdos) e, desde o início do conflito nesta região do norte da Síria, foram apoiadas pelos Estados Unidos e outros países ocidentais no combate aos 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico.

Miranda do Corvo promove "bolsa de habitação" para refugiados da guerra

O município de Miranda do Corvo está a promover a criação de uma "bolsa de habitação" para acolher refugiados da Ucrânia, tendo reiterado hoje o apelo aos proprietários do concelho que possam ceder casas para o efeito.

A vice-presidente da Câmara Municipal, Marilene Rodrigues, disse à agência Lusa que três famílias ucranianas, num total de 10 pessoas, foram já albergadas em habitações locais, na sequência da invasão militar daquele país do leste da Europa, desencadeada há três meses pela Rússia.

Dois agregados foram alojados com intervenção da autarquia, enquanto "a terceira família foi acolhida diretamente" pelo dono do imóvel, estando a Câmara agora a apoiar nos restantes procedimentos, segundo Marilene Rodrigues.

Mais de 6,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa a 24 de Fevereiro, segundo a agência das Nações Unidas para os refugiados.

Um total de 6 538 998 refugiados deixaram a Ucrânia, tendo a maioria deles entrado na Polónia.

EUA reforçam compromisso de apoiar militarmente Kiev "até ao fim"

O secretário de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA), Lloyd Austin, reforçou hoje o compromisso do país em ajudar militarmente a Ucrânia "até ao fim".

Austin destacou o compromisso, no seu discurso virtual, durante a reunião de hoje com os oficiais de defesa de 44 países, para coordenar a assistência militar à Ucrânia.

"Temos muito que fazer juntos, e é assim que avançaremos, juntos", afirmou Austin aos membros do grupo que realizaram há um mês um primeiro encontro em Ramstein, Alemanha, e agora voltaram a reunir-se, com a presença de mais cinco países - Áustria, Bósnia-Herzegovina, Colômbia, Irlanda e Kosovo.

Rússia retira candidatura de Moscovo à Expo 2030

A Rússia retirou hoje a candidatura de Moscovo à Exposição Mundial de 2030, em que um dos concorrentes é a cidade ucraniana de Odessa, alegando que será prejudicada pela "campanha antirrussa" do Ocidente.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse que a candidatura de Moscovo à Expo 2030 "não pode esperar uma avaliação justa e imparcial" face às de Odessa, Roma (Itália), Riade (Arábia Saudita) e Pusan (Coreia do Sul).

"Devemos notar que a última vítima da campanha antirrussa em grande escala lançada pelo Ocidente para expulsar o nosso país de todas as áreas de cooperação é o movimento de exposição universal", disse a diplomacia russa, segundo a agência espanhola EFE.

Starbucks sai definitivamente da Rússia

A Starbucks anunciou hoje que vai sair, definitivamente, da Rússia, depois de ter fechado temporariamente os seus 130 cafés naquele país, mas vai manter o pagamento do salário de cerca de dois mil trabalhadores por seis meses.

Segundo uma nota, citada pela Agência France Presse (AFP), a cadeia junta-se assim ao McDonald's, que anunciou, na semana passada, que iria abandonar o mercado russo, após a invasão da Ucrânia.

No entanto, a Starbucks ressalvou que vai continuar a pagar, por seis meses, o salário a cerca de dois mil trabalhadores.

A empresa já tinha anunciado a suspensão das suas atividades comerciais na Rússia desde 8 de março.

Lukashenko pede a Guterres e à ONU que impeçam guerra mundial

O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na qual apelou à união da comunidade internacional para evitar que o conflito na Ucrânia conduza a uma nova guerra mundial, foi hoje divulgado.

"A Bielorrússia exorta os países do mundo a unirem-se para evitar que o conflito regional na Europa se transforme numa guerra mundial em larga escala", escreveu Lukashenko na missiva, citada pela agência de notícias estatal Belta.

O Presidente bielorrusso afirmou que o seu país, atualmente o principal aliado de Moscovo, não é um agressor, como tentam apresentá-lo no Ocidente, não trai ninguém e sempre se manifestou "a favor do reforço da segurança regional e global".

Na carta, o líder bielorrusso insistiu ainda que "é do interesse de todos não permitir que o conflito (na Ucrânia) assuma um caráter prolongado" com consequências desastrosas para o desenvolvimento sustentável.

Diplomata russo na ONU demite-se alegando ter vergonha da invasão

Um diplomata veterano russo da delegação da ONU em Genebra anunciou hoje ter entregado a sua demissão à missão diplomática russa, alegando que nunca teve tanta vergonha do seu país como no dia da invasão da Ucrânia.

O diplomata, Boris Bondarev, de 41 anos, enviou, hoje de manhã, uma carta aos seus homólogos de outros países, na qual critica a "guerra agressiva desencadeada" pelo presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia.

"Em 20 anos de carreira diplomática, vi diferentes reviravoltas na nossa política externa, mas nunca tive tanta vergonha do meu país como a 24 de fevereiro deste ano", escreveu, referindo-se à data da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Bondarev - um conselheiro diplomático que se concentrou no papel da Rússia na Conferência sobre Desarmamento em Genebra depois de ter estado colocado em países como o Camboja ou a Mongólia - adiantou ter entregado a sua demissão em carta endereçada ao embaixador Gennady Gatilov.

Advogado do soldado russo condenado a prisão perpétua anuncia recurso

O advogado do soldado russo Vadim Chichimarine, julgado na Ucrânia por crimes de guerra e condenado a prisão perpétua por ter matado um civil ucraniano desarmado, anunciou que vai recorrer da sentença.

"É a sentença mais severa e qualquer pessoa sensata apresentaria um recurso", disse o advogado Viktor Ovsiannikov.

"Vou pedir que o veredicto seja anulado", disse o causídico, citado pelas agências internacionais.

Vadim Chichimarine, de 21 anos, o primeiro soldado russo julgado por crimes de guerra na Ucrânia desde o início da invasão russa, foi esta segunda-feira condenado por um tribunal em Kiev a prisão perpétua por ter matado um civil ucraniano desarmado.

Rússia sugere que comboios com armas regressem à Polónia com cereais


Foto: Natalia Kolesnikova / AFP

Rússia negou, esta segunda-feira, estar a causar uma crise alimentar no mundo e sugeriu que a Ucrânia use os comboios que chegam com armas ao país para continuar a exportar cereais através da Polónia.

"A Rússia tem sido sempre um exportador de cereais fiável. A Ucrânia era também um exportador de cereais bastante fiável. E, agora, o lado russo não está de modo algum a impedir a Ucrânia de exportar cereais para a Polónia por via ferroviária", afirmou o porta-voz do Kremlin (Presidência).

Dmitri Peskov disse que os cereais ucranianos podem ser exportados nos mesmos "comboios com armas" que chegam à Ucrânia a partir da Polónia.

"Nada os impede de enviar cereais nos comboios de regresso", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.

Militares de Azovstal estão presos em Donetsk


Foto: Ministério da Defesa russo/EPA

Todos os militares que estiveram entrincheirados na siderúrgica Azovstal até se renderem, na semana passada, estão presos na autoproclamada República Popular de Donetsk, controlada pela Rússia, disse o líder separatista Denis Pushilin à agência russa Interfax.

"Os prisioneiros de Azovstal estão no território da República Popular de Donetsk", afirmou.

Na quarta-feira passada, o jornal independente russo Meduza afirmava que 89 dos combatentes ucranianos que defenderam Azovstal estariam na cidade de Taganrog, na região russa de Rostov.

A Rússia anunciou, na sexta-feira, que 2439 militares ucranianos se renderam em Azovstal, uma metalúrgica com mais de 11 quilómetros quadrados que foi o último bastião dos combatentes ucranianos na cidade portuária de Mariupol.

Zelensky diz que 87 pessoas morreram em ataque russo a base militar

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que 87 pessoas morreram num ataque russo, em 17 de maio, a uma base militar ucraniana no norte do país, a cerca de 60 quilómetros a norte de Kiev.

"Hoje, sob os escombros em Desna, há 87 vítimas. Oitenta e sete cadáveres, vítimas que foram mortas", declarou Zelensky, no discurso que realizou por videoconferência na reunião anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.

Este ataque pode ser um dos mais mortais pelos bombardeamentos russos na Ucrânia desde o início da guerra.

"Estas pessoas não conhecerão o futuro da Ucrânia", acrescentou Zelensky sobre as vítimas.

A Ucrânia está a "pagar caro pela liberdade e independência e por esta guerra", acrescentou o Presidente ucraniano.

Portugal atribuiu mais de 38 mil proteções temporárias

Portugal atribuiu, até esta segunda-feira, 38.278 proteções temporárias a cidadãos ucranianos e a estrangeiros que residiam na Ucrânia, 25.026 dos quais a mulheres e 13.252 homens, segundo a última atualização feita pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

De acordo com o SEF, os municípios com o maior número de proteções temporárias concedidas continuam a ser Lisboa (5917), Cascais (2452), Sintra (1392), Porto (1374) e Albufeira (1116).

O SEF indica também que emitiu 34.544 certificados de concessão de autorização de residência ao abrigo do regime de proteção temporária.

Este certificado, emitido após o Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social e Autoridade Tributária terem atribuído os respetivos números, é necessário para os refugiados começarem a trabalhar e acederem a apoios.

Zelensky pede em Davos "sanções máximas" contra a Rússia

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou no Fórum de Davos para "sanções máximas" contra Moscovo, incluindo a suspensão de relações comerciais, e convidou as empresas estrangeiras a mudarem-se da Rússia para a Ucrânia.

Zelensky pediu aos participantes no Fórum Económico Mundial, que começou esta segunda-feira na estância de neve suíça de Davos, que seja reforçada a pressão sobre a Rússia com "sanções convincentes", devido à guerra que iniciou na Ucrânia há três meses.

Disse que as sanções têm de ir mais longe para impedir a agressão da Rússia, incluindo um embargo petrolífero, o bloqueio de todos os seus bancos e a "retirada das empresas estrangeiras do mercado russo", as quais convidou a participaram na reconstrução da Ucrânia.

"Isto é o que as sanções devem ser: devem ser máximas, para que a Rússia e qualquer outro agressor potencial que queira travar uma guerra brutal contra o seu vizinho saiba claramente as consequências imediatas das suas ações", disse Zelensky, citado pelas agências internacionais.

"Não deveria haver nenhum comércio com a Rússia", insistiu.

Zelensky disse aos líderes empresariais que podem continuar a operar na Ucrânia, "um mercado de 40 milhões de pessoas". "Convido-os a fazer parte do processo de reconstrução", pediu.

Zelensky disse também que a Ucrânia precisa de um financiamento de pelo menos 5.000 milhões de dólares por mês, o equivalente a mais de 4.600 milhões de euros ao câmbio atual.

Nova Zelândia vai formar militares ucranianos

O Governo da Nova Zelândia vai enviar para o Reino Unido cerca de 30 instrutores militares para treinar artilheiros ucranianos. Estes instrutores da Nova Zelândia vão formar cerca de 230 militares ucranianos que servem na artilharia a utilizarem os canhões ligeiros de 105 mm L119, segundo informou o executivo neozelandês.

Prisão perpétua para militar russo que matou civil ucraniano

Um tribunal de Kiev condenou a prisão perpétua o comandante de um blindado russo, que terá matado um civil, no dia 28 de fevereiro, na vila de Chupakhivka. Vadim Chichimarine, sargento do exército russo, confessou em tribunal a morte e pediu desculpa à viúva de Oleksandr Shelipov, de 62 anos, apesar de garantir que estava apenas a cumprir ordens.

"Sei que não me poderá perdoar, mas peço o seu perdão", pediu o soldado durante uma das sessões do julgamento, dirigindo-se diretamente a Katerina Chelipova, a viúva do homem de 62 anos que reconheceu ter matado.

Vadim Chichimarine declarou-se culpado, reconhecendo todas as acusações. Na ocasião, quando questionado sobre se admitia "sem reservas" todo os atos de que é acusado, incluindo atos que constituem crimes de guerra e acusações de assassínio premeditado, o sargento russo respondeu "sim".

De acordo com a acusação, Vadim Chichimarine comandava uma pequena unidade dentro de uma divisão de tanques, quando foi atacado, tendo nessa altura roubado uma viatura, juntamente com outros quatro soldados.

Enquanto conduziam perto da aldeia de Choupakhivka, na região de Sumy, os soldados encontraram um homem de 62 anos, que empurrava a bicicleta e falava ao telemóvel.

Segundo a justiça ucraniana, "um dos militares ordenou ao arguido que matasse o civil para que este não os denunciasse", tendo o homem sido assassinado e deixado no local, a poucas dezenas de metros da sua casa.

Autoridades ucranianas recuperam 150 corpos de escombros em Kharkiv

Os corpos de 150 pessoas foram recuperados dos escombros de 98 locais na região de Kharkiv, no leste da Ucrânia, uma das zonas mais bombardeadas pelas forças russas desde o início da invasão, indicaram hoje as autoridades locais.

Os corpos foram recuperados por equipas de resgate do serviço estatal de emergências de Kharkiv, após completarem a limpeza dos escombros dos locais atingidos pelos bombardeamentos russos, segundo as agências ucranianas, que citam fontes locais.

"Em Kharkiv, as nossas unidades removeram completamente os escombros em 98 locais", disse Anatoli Torianyk, vice-chefe do serviço de emergências da região, citado pela agência de notícias Interfax-Ucrânia.

A região de Kharkiv e a sua capital, com o mesmo nome e a segunda cidade mais importante do país, foi uma área particularmente muito bombardeada pelos russos, que pretendiam obter acesso às regiões pró-russas no Donbass.

O chefe dos serviços de emergências também informou que cinco pessoas morreram "no cumprimento do dever".

Dois socorristas morreram ao tentarem apagar um incêndio provocado pelos bombardeamentos, além de três especialistas em desminagem. Outros sete especialistas em desminagem ficaram feridos nos últimos dias.

Ciberataques a países da UE vão aumentar "nos próximos tempos"

Os ciberataques a países da União Europeia (UE), na sequência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, vão aumentar "nos próximos tempos", considera a empresa de cibersegurança S21sec, apontando os setores energético e de infraestruturas críticas como alvos.

"Existe a suspeita de que iremos assistir a um aumento dos ciberataques dirigidos a países da União Europeia e outros países pertencentes à NATO", afirma o líder da equipa de "threat intelligence" na S21sec Portugal, Hugo Gomes, em comunicado.

Estas ameaças são direcionadas a setores estratégicos europeus, onde o energético, telecomunicações, transportes e infraestruturas críticas "são os que apresentam um maior risco do ponto de vista da cibersegurança", alerta a S21sec.

Forças russas iniciam operação de desminagem na fábrica Azovstal

Equipas de sapadores de engenharia militar estão a levar a cabo operações de desminagem do extenso perímetro da fábrica Azovstal, na cidade ucraniana de Mariupol, disse o Ministério da Defesa da Rússia.

As instalações da metalúrgica Azovstal, com mais de 11 quilómetros quadrados, foi o último bastião dos combatentes ucranianos na cidade portuária de Mariupol.

Segundo o Ministério da Defesa russo foram neutralizados "mais de uma centena de artefactos" (não especificados) que se encontravam na fábrica, após a retirada das forças ucranianas, no passado dia 20 de maio.

Mariupol, sinónimo de destruição e morte

Na cidade de Mariupol, 60% das casas estão destruídas e 20% não podem ser reabilitadas, segundo o chefe da auto-proclamada República de Donetsk, Denis Pushilin.


Fotos: Alessandro Guerra/EPA

Exaltação em Kiev, diante dos tanques russos capturados

Carros de combate russos, tomados pelo exército ucraniano e expostos no centro de Kiev, atraem famílias.

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Cruz Vermelha vai verificar as condições dos soldados Azovstal presos

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) vai verificar as condições e o tratamento recebido pelos soldados ucranianos que se renderam na siderúrgica Azovstal, na cidade costeira de Mariupol, no sul da Ucrânia.

A porta-voz da organização, Mirella Hodeib, disse esta segunda-feira que a prioridade do CICV é verificar as condições de detenção e tratamento dos prisioneiros de guerra, evitar que desapareçam e manter contacto com as suas famílias, informou a agência local Ukrinform.

Uma seara em Odessa


Fotos: Genya Savilov / AFP

Reunião do Banco Africano de Desenvolvimento para evitar uma crise alimentar

Os encontros anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) começam esta segunda-feira em Acra, dias após a instituição aprovar um mecanismo de 1,5 mil milhões de dólares para tentar evitar uma crise alimentar iminente no continente.

A insegurança alimentar em África, já afetada pela pandemia de covid-19 e por fenómenos decorrentes das alterações climáticas, agravou-se com a rutura do abastecimento alimentar resultante da guerra da Rússia na Ucrânia, e África enfrenta agora uma escassez de pelo menos 30 milhões de toneladas de alimentos, especialmente trigo, milho e soja importados de ambos os países, alertou a instituição.

Nova lei dará a ucranianos na Polónia as "mesmas oportunidades"


Foto: Sergei Supinsky / AFP

O presidente da Ucrânia anunciou, no domingo, que o governo da Polónia está a preparar uma proposta de lei que dará aos ucranianos residentes na Polónia os mesmo direitos que os polacos.

A lei dará aos ucranianos que "residem temporariamente" na Polónia "as mesmas oportunidades que os polacos", disse Volodymyr Zelensky, num discurso.

A ofensiva militar lançada pela Rússia na Ucrânia em 24 de fevereiro já causou a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Mais de seis milhões fugiram para os países vizinhos, com a grande maioria a dirigir-se para a Polónia.

No dia em que o presidente polaco, Andrzej Duda, visitou Kiev, Zelensky disse ainda que o país vai introduzir um controlo aduaneiro conjunto com a Polónia.

"Isso acelerará significativamente os procedimentos de fronteira. Eliminará a maioria dos riscos de corrupção. Mas também é o início da nossa integração na área aduaneira comum da União Europeia. É um processo verdadeiramente histórico", disse Zelensky.

Explosões em Korosten

Esta segunda-feira foram ouvidas explosões em Korosten, cerca de 160 quilómetros a oeste de Kiev, disse a autarquia da cidade. Foi o terceiro dia consecutivo de ataques no distrito de Zhytomyr, avançaram agências de notícias ucranianas.

Cinco mortos e 11 feridos em Donetsk

As autoridades da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, anunciaram que cinco civis morreram e 11 ficaram feridos, no domingo, na sequência de bombardeamentos russos.

"Os russos mataram cinco civis na região de Donetsk: dois em Lyman, um em Dachne, um em Klynove e um em Avdivka. Onze outras pessoas ficaram feridas", disse o chefe do governo da região de Donetsk, Pavlo Kirilenko, na plataforma Telegram.

Pelo menos 412 civis foram mortos e 1140 ficaram feridos na região de Donetsk, desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro.

Recorde "gritante" de 100 milhões de deslocados impulsionado pela guerra

O número de pessoas deslocadas de suas casas devido a conflitos em todo o mundo atingiu um recorde de 100 milhões, impulsionado pela guerra na Ucrânia, anunciou o alto-comissário da ONU para os Refugiados.

Este número tem de "servir de alerta" para se desenvolverem mais ações que promovam a paz e abordem todas as causas de deslocamentos forçados, defendeu Filippo Grandi, em comunicado hoje divulgado.

"Cem milhões é um número gritante - tão preocupante como alarmante. É um recorde que nunca deveria ter sido estabelecido", defendeu o responsável pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

Segundo o ACNUR, o número de pessoas deslocadas à força em todo o mundo aumentou para 90 milhões até ao final de 2021, devido, sobretudo, a novas ondas de violência ou conflitos prolongados em países como a Etiópia, o Burkina Faso, Myanmar, Nigéria, Afeganistão e República Democrática do Congo.

No início do ano, a guerra na Ucrânia juntou a esse número mais de oito milhões de pessoas, além de mais de seis milhões de refugiados para os países vizinhos.

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Bom dia. Ao início do 89.º dia de guerra na Ucrânia, importa recordar os principais pontos-chave do dia anterior, marcado por intensos bombardamentos em Severodonetsk, na região de Lugansk.

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