Dia 93

Putin diz que pressão sobre a Rússia é "praticamente uma agressão"

Daniela JogoSandra AlvesMariana Albuquerque

 foto EPA

Bandeira russa num edifício em Svitlodarsk, no Donbass|

 foto ALESSANDRO GUERRA/EPA

Remoção de placas em ucraniano num edifício em Svitlodarsk, no Donbass|

 foto ALESSANDRO GUERRA/EPA

A cidade de Severodonetsk|

 foto Yasuyoshi CHIBA / AFP

Volodymyr Zelensky acusou Moscovo de "genocídio" na região do Donbass, região que tem sido palco de violentos confrontos entre russos e ucranianos. A ofensiva no leste da Ucrânia continua e pelo menos 1500 pessoas foram mortas Severodonetsk. Ao 93.º dia de guerra, uma sondagem revela que quase 40% dos portugueses acham que a guerra vai durar mais de um ano. Para o chefe de Estado russo, Putin, a pressão causada pelas sanções ocidentais à Rússia é vista "como uma agressão".

Zelensky confiante numa vitória total sobre as forças russas

O presidente ucraniano assegurou esta sexta-feira, em dois momentos diferentes, que o seu país irá alcançar a vitória final sobre as forças russas, quer no leste da Ucrânia, quer na guerra em geral.

Numa participação por vídeo perante estudantes da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Zelesnky salientou que a Ucrânia desfez "o mito sobre o poder extraordinário do exército russo - um exército que supostamente, em poucos dias, poderia conquistar quem quisesse".

"Agora, a Rússia está a tentar ocupar toda a região [Donbass], mas nós sentimo-nos fortes o suficiente para pensar no futuro da Ucrânia, que será aberto ao mundo", realçou o chefe de Estado ucraniano.

Mais tarde, no seu discurso noturno diário em vídeo, o presidente da Ucrânia abordou a conquista, pelas foras russas, da cidade de Lyman, na região ucraniana de Donetsk, a norte de mais duas cidades importantes ainda sob controlo ucraniano.

Zelensky referiu-se ainda à tentativa de Moscovo em cercar e tomar a importante cidade de Severodonetsk, uma das últimas áreas sob controlo de Kiev em Lugansk.

"Se os ocupantes pensam que Lyman ou Severodonetsk serão deles, estão errados. O Donbass será ucraniano", realçou.

Governador de Lugansk nega cerco russo a Severodonetsk mas admite retirada

O governador da região de Lugansk, Serhiy Haidai, negou esta sexta-feira que as forças russas tenham cercado a importante cidade de Severodonetsk, no leste da Ucrânia, embora admita que os combatentes ucranianos podem ter de recuar.

Numa mensagem divulgada no Telegram, Serhiy Haidai negou as alegações das forças russas, mas referiu que os russos tomaram um hotel e uma estação de camionagem. "Os russos não poderão capturar a região de Lugansk nos próximos dias, como preveem os analistas. Teremos forças e meios suficientes para nos defendermos", assegurou.

Serhiy Haidai acrescentou que, no entanto, é possível que os ucranianos tenham de sair para não ficarem cercados.

Johnson diz a Orbán que pressão máxima sobre a Rússia deve continuar

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defendeu esta sexta-feira, numa conversa com o seu homólogo húngaro, Viktor Orbán, que a comunidade internacional deve continuar a aplicar "a máxima pressão económica" para debilitar a máquina de guerra russa.

Em comunicado, o Governo de Londres indicou que, na conversa telefónica que manteve com Orbán, o líder conservador britânico "expressou forte condenação do ataque continuado da Rússia à Ucrânia e disse que a comunidade internacional tem que continuar a aplicar a máxima pressão económica para invalidar a máquina de guerra de [Vladimir] Putin", o presidente russo.

Líder da Chechénia diz que Polónia pode ser o próximo alvo russo

Líder da Chechénia com Putin (Foto: MIKHAIL KLIMENTYEV / RIA-NOVOSTI / AFP)

O líder da Chechénia, uma província do sul da Rússia, divulgou esta sexta-feira um vídeo onde avisa a Polónia que pode ser o próximo país a ser invadido, após a Ucrânia.

Ramzan Kadyrov, famoso pelas suas impetuosas declarações, disse num vídeo colocado na sua página oficial Telegram que a Ucrânia era um "negócio fechado" e que "se for emitida uma ordem após a Ucrânia, vamos mostrar-vos [à Polónia] em seis segundo daquilo que são feitos".

A Polónia, que faz fronteira com a Ucrânia, tem fornecido ao seu vizinho diverso armamento na sequência da invasão da Rússia em 24 de janeiro, e também acolheu milhões de refugiados ucranianos.

Kadyrov também exortou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a "finalmente ter alguma sensatez e aceitar as condições oferecidas pelo nosso Presidente [Vladimir Putin]".

Pentágono não descarta entregar a Kiev foguetes militares de longo alcance

O Pentágono revelou que não descarta a possibilidade de entregar foguetes militares de longo alcance à Ucrânia, para neutralizar o avanço das forças russas no Donbass, no leste do país europeu.

A observação foi feita pelo porta-voz do Pentágono, John Kirby, numa conferência de imprensa em que adiantou que os Estados Unidos sabiam que os ucranianos iriam precisar de foguetes militares de longo alcance desde o momento em que Rússia decidiu concentrar-se no Donbass.

93.° dia de conflito

Do "genocídio" no Donbass à "guerra total" prolongada no tempo

Foto: ARIS MESSINIS / AFP

Os combates continuam intensos no leste da Ucrânia, com Zelensky a acusar Moscovo de estar a levar a cabo um "genocídio". O Kremlin, por sua vez, defende que o Ocidente está a travar "uma guerra total" contra a Rússia, assegurando que o conflito durará "muito tempo".

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Rússia acusa EUA de usar NATO e aliados para preservar domínio global

A Rússia acusou esta sexta-feira os Estados Unidos de estarem a usar a NATO e os aliados mais próximos para tentar preservar uma ordem mundial unipolar, face à deslocação dos "motores de desenvolvimento" para outras regiões do mundo.

"A influência política e o poder militar estão a deslocar-se para Leste, para outras regiões do mundo, e os Estados Unidos e os membros da NATO terão de contar com esta realidade multipolar", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Alexander Grushko.

Rússia vai pagar em rublos por uso de patentes de países hostis

A Rússia vai pagar a partir de agora só em rublos os direitos de propriedade intelectual e marcas de países considerados hostis devido às sanções que impuseram a Moscovo após a ofensiva russa na Ucrânia.

Segundo um decreto assinado, esta sexta-feira, pelo presidente russo, Vladimir Putin, que abrange os Estados Unidos e a União Europeia, será aberta uma conta especial em nome dos proprietários destes direitos em bancos autorizados para receberem em rublos o valor requerido pelo uso da propriedade intelectual ou marca.

Esta medida será obrigatória se o titular dos direitos "apoiou publicamente as sanções contra a Rússia ou, em cumprimento das mesmas, proibiu o uso das suas marcas e patentes registadas na Rússia depois de 23 de fevereiro". A ofensiva militar russa na Ucrânia começou em 24 de fevereiro.

Também se aplica aos que posteriormente "pararam, suspenderam ou limitaram significativamente a produção, fornecimento de bens, serviços na Rússia para a execução de sanções ou por outros motivos não relacionados com a conveniência económica", refere o decreto.

Este procedimento não se aplica a importação e produção na Rússia de medicamentos, equipamentos médicos, produtos industriais e agrícolas, alimentos e serviços de telecomunicações, entre outros.

Ucrânia emite ordem de busca e captura de ex-presidente do Tribunal Constitucional

As autoridades ucranianas emitiram, esta sexta-feira, uma ordem de busca e captura do ex-presidente do Tribunal Constitucional Alexandr Tupitski, a ser processado por "crimes contra a Justiça".

De acordo com um comunicado do Ministério Público ucraniano, a ordem foi emitida depois de Tupitski ter abandonado a Ucrânia a 17 de março de forma ilegal, já que, sob a lei marcial, os homens com menos de 60 anos não podem fazê-lo, salvo em circunstâncias excecionais, por serem necessários para combater contra o exército russo, que invadiu o país a 24 de fevereiro.

Tupitski, segundo o ministério público, "fugiu de forma sistemática à Justiça" e encontra-se atualmente na Áustria.

Bielorrússia restringe acesso a faixa fronteiriça com Ucrânia durante três meses

A Bielorrússia vai restringir o acesso a uma faixa da fronteira com a Ucrânia durante os meses de junho, julho e agosto.

"O comité estatal de fronteiras informa que, para garantir a segurança fronteiriça, de 1 de junho a 31 de agosto de 2022 será limitada a entrada e a permanência temporária de cidadãos na faixa fronteiriça no território dos distritos de Bragin, Loevski e Joiniki da região de Gomel", indica o comunicado publicado na página digital do organismo.

A medida afetará as pessoas que cumprem com a tarefa de proteger as fronteiras estatais da Bielorrússia, precisa a nota.

Turquia pede medidas concretas para aceitar adesão da Suécia e Finlândia

Cavusoglu, ministro dos Negócios Estrangeiros turco (Foto: EPA/SEDAT SUNA)

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, apelou esta sexta-feira à Suécia e à Finlândia para que tomem medidas concretas que permitam ultrapassar o veto da Turquia à sua adesão à NATO.

Cavusoglu disse em Ancara que a Turquia espera agora respostas às suas preocupações de segurança, depois de as ter transmitido a delegações dos dois países nórdicos que se deslocaram esta semana à capital turca.

"Espero que a Finlândia e a Suécia compreendam as nossas mensagens", disse Cavusoglu durante uma conferência de imprensa após conversações com os seus homólogos polaco, Zbigniew Rau, e romeno, Bogdan Aurescu, citado pelas agências norte-americana AP e espanhola Europa Press.

Forças ucranianas admitem que Rússia já controla cidade-chave de Lyman

Foto: Yasuyoshi CHIBA / AFP

A cidade de Lyman, na região ucraniana de Donetsk, está praticamente sob o controlo das forças militares russas, admitiu hoje Pavlo Kirilenko, chefe da unidade militar ucraniana deste território do Donbass, leste da Ucrânia.

Em declarações citadas pelo meio digital ucraniano Hromadske, e reproduzidas pelas agências internacionais, Kirilenko garantiu que as forças ucranianas que defendiam a localidade de Lyman, com cerca de 23 mil habitantes, recuaram para novas posições fortificadas em Svitlodarsk, a cerca de 90 quilómetros a sul.

Lyman, perto de Sloviansk, era um dos alvos principais da Rússia na tentativa de cercar as tropas ucranianas no Donbass e de assumir o controlo da rota Bakhmut-Severodonetsk para avançar em direção a Donetsk.

Dois terços de Severodonetsk controlados pelas tropas de Putin

O governador de Lugansk, Serhiy Haidai, afirmou esta sexta-feira que as forças de Moscovo já controlam dois terços da cidade de Severodonetsk, no leste ucraniano.

Putin considera pressão sobre a Rússia como "praticamente uma agressão"

Foto: EPA

O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu, esta sexta-feira, como "praticamente uma agressão" a pressão de alguns "países hostis" que adotaram sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia.

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Rússia e da Bielorrússia excluídas do Mundial de hóquei no gelo

A seleções de hóquei no gelo da Rússia e da Bielorrússia foram excluídas do campeonato Mundial de 2023 devido à invasão militar à Ucrânia, anunciou esta sexta-feira a federação internacional da modalidade.

Líderes da UE vão discutir energia, defesa e segurança alimentar

Os líderes da União Europeia reúnem-se entre segunda e terça-feira, em Bruxelas, numa cimeira extraordinária na qual discutirão questões de energia, segurança alimentar e defesa, em todos os casos à luz da guerra na Ucrânia, novamente o tema central.

Este Conselho Europeu extraordinário voltará a contar com a participação, por videoconferência, do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que esta semana deplorou a "falta de unidade" entre os 27, numa altura em que os Estados-membros da União Europeia (UE) ainda não chegaram a um acordo em torno do sexto pacote de sanções à Rússia, quase um mês depois de apresentado pela Comissão Europeia, face ao bloqueio da Hungria relativamente ao embargo, mesmo que gradual e progressivo, às importações de petróleo russo.

Civis mortos na guerra ultrapassam quatro mil

Foto: EPA/ALESSANDRO GUERRA

A ONU confirmou hoje que pelo menos 4031 civis morreram e 4735 ficaram feridos em pouco mais de três meses de guerra na Ucrânia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores.

Das vítimas mortais confirmadas pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), 261 são crianças, e há também 406 crianças entre os feridos, de acordo com as estatísticas diariamente atualizadas.

O organismo internacional, dirigido pela alta-comissária Michelle Bachelet, indica que a maioria das vítimas civis morreu ou sofreu ferimentos devido ao uso de explosivos, incluindo projéteis lançados por artilharia pesada, sistemas de lançamento múltiplo de 'rockets', mísseis e bombardeamentos aéreos.

Deputados comunistas pedem a Putin que retire as tropas

Deputados comunistas da região de Primorie, com capital de Vladivostok, exigiram hoje ao Presidente russo, Vladimir Putin, que retire "imediatamente" as tropas da Ucrânia.

"Se o nosso país não suspender a operação militar, então haverá ainda mais órfãos no nosso país. Durante a operação militar, jovens que podiam trazer grande benefício ao nosso país, morreram ou ficaram inválidos", disse um dos deputados, Leonid Vasiukevich, ao ler a carta dirigida ao chefe de Estado.

Vasiukevich, que disse contar com o apoio de outros três deputados do seu partido, foi constantemente interrompido pelo presidente da assembleia regional, de acordo com imagens num canal do Telegram e divulgadas pelos próprios comunistas.

No entanto, insistiu em pedir "a retirada imediata das tropas russas da Ucrânia" e o fim das ações militares iniciadas em 24 de fevereiro.

Rússia expulsa cinco diplomatas croatas

A Rússia decidiu expulsar cinco diplomatas croatas em retaliação à medida adotada em abril pela Croácia em relação a 24 funcionários russos, na sequência da ofensiva militar russa contra a Ucrânia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia informou que expressou o seu protesto junto do embaixador croata em Moscovo, nomeadamente contra o facto de Zagreb ter acusado a Rússia de "crimes de guerra na Ucrânia", referiu a agência France-Presse (AFP).

Moscovo acusou, por sua vez, Zagreb de "apoiar militarmente o regime neonazi de Kiev".

Bombardeamentos russos em Dnipro fazem 10 mortos e 35 feridos

Os bombardeamentos russos que atingiram nas últimas horas vários alvos na região de Dnipro, no centro da Ucrânia, causaram pelo menos 10 mortos e 35 feridos, avançaram hoje fontes militares ucranianas, citadas pela agência local Ukrinform.

De acordo com as mesmas informações, um míssil Iskander russo alcançou um campo de tiro do exército, matando várias pessoas, tendo sido registados ainda outros ataques na região de Dnipro, a quarta cidade mais populosa da Ucrânia, durante a noite passada.

O comandante militar da região, Gennadi Korban, também confirmou uma intensificação dos bombardeamentos em toda a região, para além dos ataques que têm sido feitos ao longo de toda a frente oriental no Donbass.

Segundo o Alto Comando do exército ucraniano, que divulgou hoje um relatório, as forças russas voltaram a atacar a cidade de Solviansk, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde continuam a disparar contra as unidades ucranianas, a lançar mísseis e a reagrupar tropas.

2,1 milhões de ucranianos já regressaram ao país

Cerca de 2,1 milhões de ucranianos já regressaram ao país, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que indicou que ainda não se trata de um fluxo estável.

"Os movimentos 'pêndulo' de pessoas que vão e vêm da fronteira para visitar familiares, verificar as suas propriedades ou voltar ao trabalho estão a aumentar", afirmou hoje a porta-voz do ACNUR, numa conferência de imprensa em Genebra, na Suíça.

De acordo com a agência da ONU, o número de ucranianos que fugiram do país devido à guerra russa atingiu os 6,6 milhões de pessoas.

Ucrânia denuncia que Rússia está a usar "armas não-nucleares mais pesadas"

As tropas russas estão a utilizar em território ucraniano "armas não-nucleares mais pesadas", como lançadores de foguetes móveis de longo alcance, capazes de transportar ogivas termobáricas, afirmou hoje Mykhailo Podolak, conselheiro do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O conselheiro publicou um vídeo na rede social Twitter, mostrando o sistema russo 'Solntsepiok' e as ogivas utilizadas, acompanhado por um texto em que explicou que "a Rússia já está a utilizar armas não-nucleares mais pesadas contra a Ucrânia, queimando pessoas".

Segundo a agência de notícias ucraniana Ukrinform, este sistema é uma atualização do antigo modelo de lançamento de foguetes russo, com múltiplos eixos de 220 metros, capaz de utilizar ogivas termobáricas e de ser montado sobre um tanque.

"Talvez seja altura de responder e de nos darem um 'Multiple Launch Rocket System' (MLRS)?", perguntou Podolak, referindo-se aos sistemas de lança-foguetes móveis de longo alcance que alguns países parceiros da Ucrânia não estão dispostos a fornecer, por receio de uma escalada do conflito.

Rússia diz que a "guerra total" do Ocidente contra Moscovo vai durar muito tempo


Foto: Yuri Kadobnov/EPA

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, denunciou esta sexta-feira "uma guerra total" do Ocidente contra a Rússia e estimou que esta durará "muito tempo".

"O Ocidente anunciou uma guerra total contra nós, contra todo o mundo russo", disse Lavrov durante uma reunião com autoridades das regiões russas. "Podemos dizer com certeza que esta situação permanecerá connosco por muito tempo", afirmou.

"Os Estados Unidos e os seus satélites dobram, triplicam, quadruplicam os seus esforços para conter a Rússia, usando um instrumento muito amplo: de sanções económicas unilaterais e ainda uma propaganda profundamente enganosa no espaço dos meios de comunicação globais", sublinhou Lavrov, denunciando uma "russofobia sem precedentes".

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo também atacou "a chamada cultura do cancelamento", assegurando que os ocidentais continuarão a banir os clássicos russos: Tchaikovsky e Dostoievski, Tolstoi, Pushkin.

Muitas instituições culturais ocidentais cessaram a sua cooperação com instituições estatais russas ou baniram artistas que apoiam a ofensiva russa contra a Ucrânia.

ACNUR pede quase 700 milhões para refugiados na Polónia

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) pediu quase 700 milhões de euros para apoiar as necessidades prioritárias dos ucranianos que fugiram do seu país para a Polónia devido à guerra imposta pela Rússia.

Este apelo está a ser coordenado pela agência da ONU, mas reúne 87 organizações que fazem parte, na Polónia, do Plano Regional Interagências de Resposta a Refugiados, afirmou a porta-voz da organização, Olga Sarrado, numa conferência de imprensa realizada em Genebra, na Suíça.

"Até agora, 25% dos apelos para a Polónia foram financiados", acrescentou.

De acordo com a mesma fonte, o ACNUR vai expandir as suas operações para ajudar os refugiados na Polónia, país que continua a ser o principal destino dos ucranianos em fuga, tendo acolhido mais de 3,5 milhões de pessoas desde o início da guerra, em 24 de fevereiro.

Putin "não ouve ninguém", "guerra vai arrastar-se" pelo menos até ao final do ano

Os serviços de informações ucranianos admitiram, esta sexta-feira, que a guerra poderá prolongar-se até pelo menos ao final de 2022, uma vez que, segundo argumentam, o presidente russo não está disposto a desistir dos seus planos de conquista.

"[Vladimir] Putin não vai desistir dos seus planos, esta guerra vai arrastar-se", disse Vadym Skibitsky, funcionário dos serviços secretos militares ucranianos em declarações à comunicação social, citadas pelas agências internacionais.

Vadym Skibitsky argumentou que Putin não está a ouvir ninguém que tente convencê-lo a acabar com o conflito.

"Não confia em ninguém, não ouve ninguém. Tem os seus próprios planos para a restauração do império russo", assegurou o operacional ucraniano.

"O seu plano é governar a Rússia até à sua morte, exclui um cenário que prevê um sucessor", acrescentou.

Os planos imediatos de Moscovo, segundo Vadym Skibitsky, passam por cercar as forças ucranianas e alcançar as fronteiras dos territórios ocupados.

Separatistas pró-russos afirmam ter capturado a cidade-chave de Lyman

Separatistas pró-russos anunciaram, esta sexta-feira, a conquista da cidade de Lyman, no lado oriental da Ucrânia, entre as regiões de Sloviansk e Kramatorsk, um ataque que ainda não foi confirmado pelas tropas ucranianas.

Na rede social Telegram, o Estado-Maior de Defesa Territorial da autointitulada República de Donetsk afirmou ter "tomado o controlo total" de "KransnyLyman", a antiga denominação da cidade de Lyman, recorrendo a unidades militares da região separatista de Lugansk e ao "apoio de fogo" das forças armadas russas.

Lyman é um centro ferroviário a nordeste da cidade simbólica de Sloviansk, que foi recapturado por Kiev aos separatistas pró-russos em 2014. Kramatorsk é a capital da área controlada pela Ucrânia na região de Donetsk.

Le Pen e Orbán criticam sanções "erradas e perigosas" contra a Rússia


Foto: Vivien Cher Benko/EPA

A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, criticaram esta sexta-feira, em Paris, a União Europeia (UE) pelas sanções "erradas e perigosas" impostas à Rússia por ter invadido a Ucrânia.

Os dois políticos discutiram questões relacionadas com a guerra na Ucrânia e as suas consequências, bem como a inflação e as "políticas de sanções erradas e perigosas de Bruxelas", disse o porta-voz de Orbán à agência noticiosa húngara MTI.

O mesmo porta-voz disse que Orbán e Le Pen apelaram à unidade dos "partidos europeus que representam valores tradicionais" para defender os cidadãos europeus em tempos de guerra.

Quase 40% dos portugueses acham que a guerra vai durar mais de um ano

Mais de três meses depois do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, são cada vez mais os portugueses que acreditam que a guerra vai durar mais de um ano. Em março eram 16%, este mês são 39%.

Mais do dobro, de acordo com os dados da sondagem sobre o conflito feito pela Aximage para o JN, DN e TSF. São também cada vez mais os que dizem sentir o impacto da guerra na sua vida particular (passou de 59% em março para 82% em maio), especialmente através da perda do poder de compra.

Leia a sondagem aqui.

NATO, tropas e refugiados: o que pensam os portugueses sobre a guerra

Veja a infografia aqui.

Aulas tornam português "uma língua familiar" para refugiados na Maia

O português "começa a ser uma língua familiar" para um grupo de ucranianos que ao fim de 30 horas de aulas dizem, orgulhosos, já saberem perguntar direções, ir sozinhos às compras e pedir um café na língua de Camões.

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Zelensky acusa Moscovo de "genocídio" no Donbass

O presidente da Ucrânia acusou Moscovo de levar a cabo um "genocídio" na região do Donbass, palco de violentos confrontos.

Zelensky disse ainda que os ataques podem deixar a região "desabitada".

" Eles querem destruir a Popasna, Bakhmut, Lyman, Lysychansk e Severodonetsk. Como aconteceu em Volnovakha e em Mariupol".

Russos bombardeiam região de Dnipro, no centro do país

Forças russas bombardearam alvos na região de Dnipro, no centro da Ucrânia, nas últimas horas, causando danos significativos, enquanto mantêm a ofensiva no leste do país, especialmente na região de Donetsk.

Em Dnipro, a quarta cidade mais populosa da Ucrânia, a situação é complicada, com "vários ataques", anunciou Valentyn Reznichenko, chefe da Administração Militar Regional de Dnipropetrovsk, hoje através da plataforma Telegram.

Reznichenko revelou que equipas de resgate estão a procurar sobreviventes entre os escombros dos edifícios que foram atingidos por ataques que causaram "grave destruição" na cidade, localizada na margem do rio Dnieper, que atravessa o país de norte a sul.

Pelo menos 1500 pessoas mortas em Severodonetsk, diz militar

Pelo menos 1500 pessoas foram mortas em Severodonetsk, mas a cidade do leste da Ucrânia que o exército russo procura tomar a todo o custo continua a resistir, disse o líder militar da região.

Cerca de 12 mil pessoas permanecem na cidade, que tinha cerca de 100 mil habitantes antes da guerra, disse hoje o chefe da administração militar de Severodonetsk, Alexander Stryuk.

Severodonetsk tem sido o palco de combates ferozes que já destruíram 60% dos edifícios residenciais, disse Stryuk, citado pela agência Associated Press.

Bom dia. Iniciamos agora o acompanhamento ao minuto do dia 93.º da guerra. O dia de ontem ficou marcado pela decisão do Kremlin de estender o ano letivo em Mariupol para "desucranizar" os alunos e ainda pelos novos bombardeamentos em Mariupol.

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