Dia 83

Resgate de tropas de Mariupol requer "delicadeza e tempo"

Augusto CorreiaMariana AlbuquerqueMaria Campos

 foto EPA

Volodymyr Zelensky saudou a retirada de 264 militares feridos da fábrica Azovstal|

 foto EPA/Batalhão Azov

Vladimir Putin não está satisfeito com o avanço da guerra na Ucrânia, particularmente no Donbass. Segundo fontes ocidentais, as decisões estão agora a ser tomadas diretamente pelo líder russo. Entretanto, Volodymyr Zelensky saudou a retirada de 264 militares feridos da fábrica Azovstal. Ainda assim, Kiev reconheceu que as negociações de paz com Moscovo estão suspensas porque "o objetivo estratégico dos russos é tudo ou nada".

Com as negociações suspensas, Putin dedica-se às decisões militares

Desapontado com o desenvolvimento do conflito, o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, decidiu envolver-se mais na gestão diária da guerra. Não são animadoras as notícias que chegam de Kiev e Moscovo relativamente às conversações de paz. Numa troca de acusações, Ucrânia e Rússia confirmam que as negociações foram interrompidas. Os pontos-chave do 83.º dia de invasão.

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Rússia está a aumentar ataques aéreos para compensar falhas no terreno

As forças russas estão a realizar mais ataques aéreos contra a região de Lugansk, no leste, e a atingir com mísseis a região ocidental de Lviv, para compensar as falhas do Exército, adiantou esta terça-feira o Presidente ucraniano.

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O dia 83 de guerra em imagens

Guerra em "fase prolongada" com Rússia à procura do controlo do Donbass

A guerra entre a Ucrânia e a Rússia está a entrar numa "fase prolongada", com Moscovo à procura do controlo total da região do Donbass e da ocupação do sul, realçou esta terça-feira o ministro da Defesa ucraniano.

"A Rússia está a preparar-se para uma operação militar de longo prazo. A guerra está a entrar numa fase prolongada", salientou Oleksiy Reznikov, numa declaração aos ministros da Defesa da União Europeia (UE) e ao secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Oleksiy Reznikov referiu que as forças russas estão atualmente a fortalecer as suas posições nos territórios que ocupam nas regiões de Zaporizhia e Kherson, para "entrarem em modo defensivo, se necessário".

"Atualmente, os principais esforços do Kremlin [presidência russa] estão focados em tentativas de cercar e destruir a consolidação das forças armadas ucranianas nas regiões de Donetsk e Lugansk", no leste do país, em parte nas mãos de separatistas pró-Rússia, analisou ainda.

Resgate de tropas de Mariupol requer "delicadeza e tempo"

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse, está terça-feira, que os militares e oficiais de informações começaram a operação para resgatar as tropas ucranianas de Mariupol, mas o trabalho precisa de “delicadeza e tempo”. Enquanto isso, “também mantemos a atividade diplomática máxima noutras áreas no interesse da Ucrânia”.

"Falei hoje com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. Sobre como acelerar a prestação de assistência financeira à Ucrânia, dado o défice orçamentário do Estado durante a guerra. Também conversámos sobre as principais direções de uma maior cooperação", afirmou. "Estamos também a trabalhar para garantir que a União Europeia concorde com um sexto pacote de sanções à Rússia. O embargo do petróleo deve fazer parte disso, e é do interesse não só do nosso Estado, mas também de toda a Europa".

Zelensky disse ainda que as tropas ucranianas estão “a repelir ataques constantes nas áreas onde a Rússia ainda está a tentar avançar”, citando Severodonetsk e outras cidades em Donbass como principais alvos.

EUA lançam programa para recolher provas de crimes de guerra

O Departamento de Estado dos EUA anunciou um novo programa para capturar e analisar provas de crimes de guerra perpetrados por russos e outras atrocidades na Ucrânia.

O departamento vai reunir imagens de satélite e informações partilhadas nas redes sociais com o objetivo de responsabilizar a Rússia por crimes de guerra.

Economia russa vai contrair 7,8% em 2022

A economia russa vai contrair-se 7,8% em 2022, previu hoje o Ministério da Economia, em resultado das sanções internacionais aplicadas à Federação Russa devido à invasão da Ucrânia pelas tropas do Kremlin.

As previsões ministeriais são melhores do que as avançadas pelo banco central russo, que apontou um intervalo entre oito e dez por cento para a contração económica no ano em curso.

Segundo as previsões económicas do Ministério para os próximos quatro anos, a economia deve contrair outros 0,7% em 2023, enquanto o banco espera uma descida mais forte, de 0,7%.

OMS regista 226 ataques a instalações de saúde desde o início da guerra

A Organização Mundial da Saúde registou 226 ataques contra instalações de saúde na Ucrânia desde o início da guerra, que causaram pelo menos 75 mortos e 59 feridos, anunciou o diretor regional da OMS para a Europa.

"São quase três ataques, em média, por dia", afirmou Hans Kluge numa conferência de imprensa em Kiev, salientando que dois terços das agressões a profissionais do setor da saúde registadas globalmente em 2022 ocorreram na Ucrânia.

Neste momento, a OMS pode confirmar que estes ataques causaram pelo menos 75 mortos e 59 feridos, refere o gabinete da região europeia da OMS, que também abrange a Rússia e várias antigas repúblicas soviéticas, sem avançar mais detalhes sobre as vítimas por razões de segurança.

A televisão russa transmitiu uma entrevista com Mikhail Khodarenok, analista militar e coronel aposentado, durante a qual disse que a situação da Rússia “vai claramente piorar” à medida que a Ucrânia recebe assistência militar do Ocidente.

“A vitória final no campo de batalha é determinada pelo alto moral das tropas que estão a derramar sangue pelas ideias pelas quais estão prontas para lutar”, disse. “O maior problema com a situação militar e política [da Rússia] é que estamos em total isolamento político e o Mundo inteiro está contra nós, mesmo que não queiramos admitir. Precisamo de resolver essa situação”.

Polónia pede mais apoio para receber refugiados

A Europa está a negligenciar a Polónia e a Hungria quando se trata de apoiar o número de refugiados ucranianos que os países estão a receber, acusou o presidente polaco Andrzej Duda.

Duda afirma que nenhum país recebeu apoio suficiente para implementar os programas necessários para ajudar os milhões de pessoas forçadas a deixar as suas casas.

Par ao líder polaco, "sem dúvida" que essa atitude "mina a unidade europeia", mas Duda prometeu continuar a fazer "tudo para que os hóspedes da Ucrânia se sintam o melhor possível na Polónia".

Sete mortos e seis feridos em bombardeamentos em Donetsk

Pelo menos sete pessoas morreram e seis ficaram feridas nos ataques russos desta terça-feira em Donetsk, anunciou o governador da região, Pavlo Kyrylenko.

83.º dia de conflito

Com as negociações suspensas, Putin dedica-se às decisões militares

Vladimir Putin e Sergei Shoigu, ministro da Defesa russo (EPA/MAXIM SHIPENKOV)

Desapontado com o desenvolvimento do conflito, o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, decidiu envolver-se mais na gestão diária da guerra. Não são animadoras as notícias que chegam de Kiev e Moscovo relativamente às conversações de paz. Numa troca de acusações, Ucrânia e Rússia confirmam que as negociações foram interrompidas. Os pontos-chave do 83.º dia de invasão.

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O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, vai reunir-se com embaixadores da Finlândia e da Suécia na quarta-feira, de acordo com um comunicado da aliança.

Zelensky diz que "o ódio desaparecerá"

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse, na sua mensagem ao Festival de Cinema de Cannes, que​​​​​​​ "no final, o ódio desaparecerá e os ditadores morrerão".

Zelensky fez referência ao poder do cinema durante a II Guerra Mundial, incluindo o filme de Charlie Chaplin, O Grande Ditador, que troçou de Adolf Hitler. "Precisamos de um novo Chaplin para provar hoje que o cinema não é mudo", disse.

O discurso foi aplaudido de pé pelo público no famoso festival.

Chanceler austríaco reitera que não pretende entrar na NATO

O chanceler da Áustria, Karl Nehammer, reiterou que o país - que não está alinhado com nenhuma aliança militar - não tem intenção de aderir à NATO.

Falando após uma reunião em Praga com o seu homólogo checo Petr Fiala, Nehammer disse que a história da Áustria é diferente da da Finlândia e da Suécia, e que manterá a sua neutralidade militar.

No entanto, a Áustria - como membro da União Europeia - mostra solidariedade com a Ucrânia, permitiu entregas de armas a Kiev e apoiou sanções contra a Rússia.

Líder de partido nacionalista turco teme que expansão da NATO provoque Rússia

Devlet Bahceli, líder de um partido nacionalista turco aliado do Presidente Recep Tayyip Erdogan, manifestou preocupação com o alargamento da NATO, alertando que a adesão da Suécia e Finlândia pode provocar a Rússia e expandir a guerra.

Bahceli, líder do Partido de Ação Nacionalista, defendeu hoje, perante os deputados do seu partido, que a opção mais "lógica" seria manter os dois países nórdicos na "sala de espera da NATO".

O líder do Partido de Ação Nacionalista alertou que "a entrada da Suécia e da Finlândia na NATO significará o prolongamento da guerra na Ucrânia e até a sua expansão geográfica".

Amnistia Internacional com "sérias preocupações" sobre soldados retirados de Azovstal

A organização Amnistia Internacional (AI) manifestou "sérias preocupações" sobre o destino dos militares ucranianos que foram retirados do complexo siderúrgico Azovstal, na cidade ucraniana de Mariupol, após um cerco prolongado.

"Os soldados do batalhão Azov foram desumanizados pelos meios de comunicação russos e retratados na propaganda do [Presidente russo, Vladimir] Putin como 'neo-nazis' durante a guerra agressiva da Rússia contra a Ucrânia. Esta caracterização levanta sérias preocupações sobre o seu destino como prisioneiros de guerra", disse a Amnistia, numa declaração hoje divulgada.

A AI salienta que documentou "execuções sumárias" de prisioneiros pelas milícias pró-russas no Donbass, bem como "execuções extrajudiciais" de civis ucranianos pelas forças russas nas últimas semanas. "Os soldados do batalhão Azov que hoje se renderam não devem sofrer o mesmo destino", acrescentou a organização de defesa dos direitos humanos.

Cidade na região de Donetsk atingida por um míssil

Autoridades ucranianas dizem que a cidade de Bakhmut, na região de Donetsk, foi atingida por um míssil esta terça-feira.

O ataque com mísseis destruiu um prédio de cinco andares na cidade, segundo a polícia regional de Donetsk. Uma pessoa morreu e uma criança de nove anos ficou gravemente ferida. "O número exato de vítimas está a ser esclarecido", disse a polícia.

Bakhmut é um importante centro para os militares ucranianos e o seu hospital trata soldados feridos. Fica a cerca de 20 quilómetros das linhas de frente ao redor de Popasna.

Macron promete a Zelensky aumentar o fornecimento de armas

O presidente francês Emmanuel Macron prometeu ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky que as entregas de armas francesas à Ucrânia se vão intensificar nos próximos dias e disse que França está pronto para responder a demandas adicionais de ajuda.

Em relação ao pedido da Ucrânia para entrar na União Europeia, Macron disse que o pedido seria examinado pelos membros da UE em junho e repetiu a ideia de criar uma nova "comunidade política" fora da UE para facilitar a integração da Ucrânia.

Ucrânia sabe quantos combatentes estão escondidos em Azovstal

A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, disse que Kiev sabe quantos combatentes ainda estão presos em Azovstal. Porém, recusou-se a dar mais detalhes porque essas informações são "sensíveis".

Maliar prometeu dizer mais quando a "operação de resgate terminar" e enfatizou que essa era a única forma de salvar os defensores ucranianos.

Esta terça-feira, foi reportado que pelo menos sete autocarros foram vistos a sair de Mariupol, alegadamente com mais militares ucranianos de Azovstal-

A primeira-ministra sueca disse que está pronta para conversar com a Turquia para resolver quaisquer problemas em relação à adesão da Suécia e da Finlândia à NATO.

Falando ao lado do presidente finlandês, a sueca Magdalena Andersson disse: "Estamos a procurar contactos com a Turquia e estamos preparados para viajar para a Turquia para discutir e esclarecer quaisquer pontos de interrogação que possam existir".

União Europeia tem plano de 210 mil milhões até 2027 para ser independente da energia russa

A Comissão Europeia vai propor um pacote energético que implica um investimento adicional de 210 mil milhões de euros até 2027 para a União Europeia (UE) se tornar independente da energia russa e cumprir metas ambientais.

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Rússia quer que batalhão Azov seja declarado organização terrorista

O Ministério Público da Rússia pediu ao Supremo Tribunal que reconheça como organização terrorista o batalhão Azov, integrado no Exército da Ucrânia e considerado por Moscovo como um grupo "nazi".

O Ministério da Justiça russo adiantou que a audiência será realizada no dia 26 às 7 horas locais, de acordo com a agência russa Interfax.

A declaração de uma organização terrorista implica a proibição das suas atividades.

Suécia e Finlândia apresentarão pedido de adesão na quarta-feira

Suécia e Finlândia apresentarão o pedido de adesão à NATO na quarta-feira, em Bruxelas, anunciaram, conjuntamente em Estocolmo, a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, e o Presidente da Finlândia, Sauli Niinisto.

"Até amanhã (quarta-feira) vamos apresentar o pedido à NATO. É uma mensagem forte e um sinal claro de que estamos juntos no futuro", disse Niinisto, numa conferência de imprensa conjunta com Andersson.

O anúncio surgiu depois de o Parlamento finlandês ter ratificado, hoje, por maioria, a entrada do país na Aliança Atlântica, numa decisão formalizada há dois dias pelo Presidente e pelo Governo, e depois de também o Governo sueco ter anunciado, na segunda-feira, que iria solicitar a entrada na organização.

Putin diz que UE comete "suicídio económico" ao vetar energia russa

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu como "suicídio económico" a política da União Europeia (UE) em matéria energética, referindo-se ao possível embargo ao gás e petróleo russos como sanção pelo ataque militar à Ucrânia.

"Este auto de fé económico, este suicídio, é uma questão interna dos países europeus. Nós devemos agir de forma pragmática e olhando aos nossos interesses económicos", disse durante uma reunião dedicada à indústria petrolífera.

Analisando a possibilidade do veto europeu ao crude russo, Putin referiu que "com base em razões políticas, para satisfazer as suas próprias ambições e sob as pressões dos Estados Unidos, os países europeus impõem cada vez mais sanções", algo que leva a um aumento da inflação.

"Temos a impressão de que colegas ocidentais, políticos e economistas, simplesmente esqueceram as leis económicas básicas elementares ou que preferem ignorá-las conscientemente em seu detrimento", disse.

Portugal vai enviar mais 160 toneladas de material para a Ucrânia

Helena Carreiras, ministra da Defesa (Foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA)

Portugal está a preparar o envio de mais 160 toneladas de material para a Ucrânia, incluindo equipamento militar, disse esta terça-feira em Bruxelas a ministra da Defesa, Helena Carreiras, após um Conselho de Negócios Estrangeiros na vertente de Defesa.

À saída daquela que foi a sua primeira reunião ao nível da União Europeia desde que assumiu a pasta da Defesa, Helena Carreiras apontou que o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, que participou por videoconferência, fez "uma avaliação otimista" da situação no terreno, mas reforçou a ideia de que a Ucrânia continua a necessitar de apoio, "e apoio de equipamento pesado para fazer face aos desafios que ainda têm".

Tribunal Penal Internacional envia a maior missão em peritos para o país

Foto: EPA/OLEG PETRASYUK

O procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou esta terça-feira o envio para a Ucrânia de uma equipa de 42 especialistas, a maior missão de sempre em termos de efetivos, para investigar os crimes cometidos durante a invasão russa.

"Confirmo que hoje o meu escritório enviou uma equipa de 42 investigadores, cientistas forenses e outros funcionários de apoio para a Ucrânia", disse Karim Khan num comunicado, acrescentando que é "a mais importante missão em termos de efetivos já enviada para o terreno de uma só vez".

O procurador do TPI, criado em 2002 para julgar os piores crimes cometidos no mundo, abriu uma investigação a 3 de março sobre alegações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Ucrânia, após receber luz verde de quase 40 Estados.

Alemanha e Dinamarca defendem rápido alargamento da NATO

A Alemanha e a Dinamarca reiteraram a necessidade de um "rápido acesso" da Finlândia e Suécia à NATO, devido à situação de segurança relacionada com a guerra na Ucrânia e que consideraram "dramática".

A chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, manifestou em conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo dinamarquês, Jeppe Kofod, a convicção de que o processo será rápido, pelo facto de todos os membros da Aliança estarem conscientes de que se trata de um "momento histórico".

Baerbock reconheceu que "de parte da Turquia ainda existem alguns obstáculos", após o presidente turco Recep Tayyip Erdogan ter voltado a sublinhar na segunda-feira a sua oposição ao ingresso da Suécia e Finlândia, mas ter dado a entender que espera uma rápida resolução da situação.

"Foram empurrados para entrar, eles que não queriam entrar na NATO", afirmou Baerbock, apelando à rápida ratificação do seu acesso para evitar uma "fase intermédia" ou "zona cinzenta" em que os candidatos à adesão ficam desprotegidos.

Alemanha vai intensificar cooperação militar com Suécia e Finlândia

Olaf Scholz, chanceler alemão​​​​​​​ (Foto: EPA/FILIP SINGER)

O chanceler alemão, Olaf Scholz, anunciou esta terça-feira que a Alemanha vai "intensificar" a cooperação militar com a Suécia e a Finlândia, que procuram garantias de segurança durante o período de transição até à integração na NATO, que solicitaram.

"Intensificaremos a nossa cooperação militar, especialmente na região do mar Báltico, e através de exercícios conjuntos", disse Scholz numa conferência de imprensa em Berlim.

O chefe do Governo alemão acrescentou que a Suécia e a Finlândia poderão contar com o apoio da Alemanha "especialmente nesta situação muito especial" antes da sua esperada aceitação na NATO.

Kiev diz que negociações de paz com Moscovo estão suspensas

As negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia estão "suspensas", já que Moscovo não demonstra qualquer "compreensão" da atual situação, afirmou esta terça-feira Mykhailo Podoliak, conselheiro do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e membro da delegação ucraniana.

"O processo de negociação está suspenso", disse Podoliak, citado pela presidência ucraniana.

"A Rússia não está a mostrar um elemento-chave: a compreensão (...) do que está a acontecer atualmente no mundo e o seu papel extremamente negativo", referiu Podoliak, acrescentando que Moscovo "não entende que a guerra não está mais a decorrer de acordo com as suas regras, com o seu calendário ou com os seus planos".

"O objetivo estratégico dos russos é tudo ou nada", segundo Podoliak, um dos membros da delegação ucraniana nas conversações de paz, acusando ainda as elites políticas russas de terem "medo de dizer a verdade".

Chefe de Estado finlandês acredita que discordância turca se resolve com diálogo

Sauli Niinistö, chefe de Estado finlandês (Foto: EPA/Anders Wiklund SWEDEN)

O presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, demonstrou-se esta terça-feira confiante, durante uma visita oficial à Suécia, de que as objeções turcas à adesão de ambos os países nórdicos à NATO se resolverão através do diálogo.

"As declarações que a Turquia tem feito nos últimos dias têm mudado rapidamente e são cada vez mais duras, mas estou seguro que através de uma conversa construtiva vamos resolver esta situação", afirmou Niinistö no discurso que fez no parlamento sueco.

A posição da Turquia tem sido de hostilidade para com ambos os países nórdicos, especialmente para a Suécia, por alegadamente apoiar ativistas curdos e outros considerados "terroristas".

Rússia abandona Conselho dos Estados do Mar Báltico

A Rússia retirou-se do Conselho dos Estados do Mar Báltico (CEMB), de que tinha sido suspensa em março, por ter invadido a Ucrânia, anunciou hoje o Governo russo.

Em comunicado citado pela agência russa TASS, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia justificou a decisão como uma "resposta a ações hostis".

A decisão foi comunicada numa mensagem enviada pelo ministro Serguei Lavrov aos seus homólogos dos países membros do CEMB, ao chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, e ao secretariado do Conselho em Estocolmo.

"Ao mesmo tempo, a Assembleia Federal da Federação Russa decidiu retirar-se da Conferência Parlamentar do Mar Báltico", disse o ministério no comunicado.

Rússia diz que exportações de trigo pararam porque ucranianos minaram os portos

As exportações de cereais da Ucrânia estão paradas porque os portos do país, onde a Rússia iniciou uma campanha militar em 24 de fevereiro, foram fortemente minados pelos "nacionalistas" ucranianos, acusou hoje o Kremlin.

"Os portos ucranianos foram fortemente minados e a navegação é perigosa", afirmou o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, na sua conferência de imprensa diária.

Moscovo acusa os nacionalistas ucranianos, que diz estarem a lutar no território do país vizinho, de minar os portos.

Os Estados Unidos disseram segunda-feira que apoiam as negociações das Nações Unidas com a Rússia e a Ucrânia para tentar que os produtos agrícolas ucranianos voltem aos mercados internacionais, especialmente os cereais.

As exportações estão paralisadas devido à guerra, o que, segundo a organização, já está a causar um aumento da fome no mundo.

Ocidente considera ucranianos descartáveis na guerra com Rússia

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, acusou o Ocidente de considerar a Ucrânia como "material descartável na guerra híbrida" que está a travar contra a Rússia.

"Ninguém precisa da Ucrânia. A Ucrânia é material descartável na guerra híbrida total contra a Federação Russa", disse o chefe da diplomacia russa numa conferência educacional com o tema "Novos Horizontes", citado pela agência espanhola EFE.

Moscovo diz que 265 militares retidos no complexo Azovstal se renderam

Os 265 militares ucranianos retidos no complexo siderúrgico de Azovstal, em Mariupol, renderam-se às forças separatistas pró-Rússia e foram feitos prisioneiros na segunda-feira, anunciou esta terça-feira o Ministério da Defesa russo.

"Nas últimas 24 horas, 265 militares renderam-se, incluindo 51 gravemente feridos", disse o Ministério da Defesa russo num comunicado. "Todos aqueles que precisavam de assistência médica foram enviados para o hospital de Novoazovsk", em território separatista pró-Rússia, referiu a nota.

Na segunda-feira, a vice-ministra da Defesa ucraniana, Ganna Malyar, anunciou que 264 combatentes ucranianos, incluindo 53 feridos, foram retirados da siderúrgica para localidades em território controlado por forças russas e pró-russas no leste da Ucrânia.

No entanto, Malyar declarou que os militares devem no futuro ser repatriados para território controlado pela Ucrânia, "como parte de um procedimento de troca" de prisioneiros.

Rússia expulsa dois diplomatas finlandeses

A Rússia decidiu esta terça-feira expulsar dois diplomatas finlandeses em resposta à expulsão de dois funcionários da embaixada da Rússia pela Finlândia em abril, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Moscovo "protestou veementemente contra a expulsão injustificada de dois funcionários da embaixada da Rússia em Helsínquia como parte da campanha de sanções anti-Rússia da União Europeia (UE), bem como o confronto contínuo da Finlândia com a Rússia, incluindo o fornecimento de armas ao regime de Kiev e a ocultação de crimes no Donbass e na Ucrânia", referiu num comunicado o Ministério russo.

A expulsão ocorre também depois de a Rússia ter cortado o fornecimento de energia para a Finlândia devido a "problemas de pagamento".

O Parlamento finlandês deverá votar esta terça-feira a decisão formal de adesão à NATO, aprovada no domingo pelo Presidente Sauli Niinistö e pelo Governo liderado pela social-democrata Sanna Marin.

Kremlin acredita que a Rússia sairá mais segura da "tempestade perfeita"

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou esta terça-feira que a Rússia está a atravessar uma "tempestade perfeita" em que enfrenta "Estados hostis", mas de que sairá "mais estável e mais segura".

O porta-voz do Kremlin, citado pelas agências espanholas EFE e Europa Press, disse também que o líder russo, Vladimir Putin, sabe para onde conduz o país e que Moscovo está confiante de que "tudo correrá bem" na Ucrânia.

Peskov acrescentou que a Rússia tem condições para ultrapassar o conflito com o Ocidente e assegurou que "é impossível isolar o país hoje". "Temos as nossas próprias tecnologias e há espaço para a substituição de importações", referiu.

Moscovo diz que agora "não há quaisquer negociações" com Kiev

O vice-ministro russo, Andrey Rudenko, assegurou hoje que não há qualquer negociação a decorrer atualmente entre a Rússia e a Ucrânia, afirmando que Kiev "abandonou de vez" o diálogo.

"As negociações pararam. A Ucrânia abandonou de vez o processo de diálogo", disse Rudenko à agência Interfax, sublinhando que as conversações entre os dois países, iniciadas em finais de fevereiro, foram interrompidas.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, criticou hoje Washington e Londres por "terem guiado" a Ucrânia durante as rondas de negociações anteriores com o país russo.

As negociações entre ambas as partes encontram-se suspensas há mês e meio, depois de se terem intensificado os combates em Mariupol e o mundo assistir às imagens do massacre de Bucha.

Moçambique entre os países africanos mais expostos ao impacto da guerra

A agência de notação financeira Moody's considerou, esta terça-feira, que Moçambique é um dos países africanos mais expostos aos choques alimentares e energéticos decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia, alertando para a provável agitação social e política.

"Nos próximos 18 meses, antevemos um aumento nos riscos sociais e políticos em resultado do choque global nos preços alimentares e energéticos, como aconteceu em 2008", lê-se numa análise ao impacto da guerra na Ucrânia sobre os países do Médio Oriente e de África.

No documento, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, a Moody's analisa 16 países africanos e conclui que "Líbano, Moçambique, Togo, Namíbia, Jordânia e Senegal são os mais expostos aos choques energéticos e alimentares e, por isso, os mais vulneráveis a agitação social e política".

Kiev diz que defensores de Mariupol cumpriram missão de combate

O Estado Maior do Exército da Ucrânia destacou hoje a retirada de 53 combatentes feridos da fábrica Azovstal, Mariupol, afirmando que "os soldados resistiram" às forças militares russas tendo por isso cumprido a missão de combate.

"A guarnição de Mariupol cumpriu a missão de combate. O Alto Comando Militar ordenou aos comandantes das unidades estacionadas em Azovstal que salvassem a vida das pessoas" que permanecem no local, refere um comunicado publicado na rede digital Facebook e que está a ser citado pelas agências locais.

As imagens da saída podem ser vistas neste vídeo.

A mensagem foi divulgada poucas horas depois da retirada de 53 militares gravemente feridos e que foram transportados das instalações da fábrica Azovstal para o centro médico de Novoazovsk, na zona ocupada pelas forças da Rússia.

O dia 82 da guerra na Ucrânia terminou com a retirada de 264 solddos feridos da fábrica da Azovstal. Um momento saudado por Zelensky, enquanto no terreno os combates continuavam. Segunda-feira, 16 de maio, foi também o dia em que a McDonald's deixou a Rússia e à semelhança da Finlândia, a Suécia anunciou esta segunda-feira a candidatura à NATO. Incidências para recordar, aqui.

Ministro do Vaticano visita Kiev esta semana

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Vaticano, arcebispo Paul Gallagher, vai deslocar-se a Kiev, Ucrânia, esta semana, uma visita que estava programada para antes da Páscoa, mas foi adiada.

Paul Gallagher deverá chegar na quarta-feira, estando prevista uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, na sexta-feira.

A visita, prevista para antes da Páscoa, foi adiada depois de Paul Gallagher testar positivo à covid-19.

Ataque russo na região de Lviv, no Oeste da Ucrânia

O governador de Lviv, Maksym Kozytskyi, anunciou, no Telegram, que um míssil atingiu uma linha férrea em Yavoriv, naquela região do Oeste da Ucrânia, próxima da Polónia.

Segundo Maksym Kozytskyi, as defesas ucranianas destruíram três mísseis de cruzeiro russos durante a noite. Informações que, segundo a BBC, não foi possível confirmar de forma independente.

Frustrado, Putin envolve-se diretamente na guerra na Ucrânia

Fontes militares ocidentais, citadas pela BBC, revelaram que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, está mais envolvido na gestão diária da guerra na Ucrânia. O líder russo está desiludido com a forma como a invasão está a correr e decidiu ser ele, em conjunto com o Estado-maior General, a tomar as decisões militares, que têm estado a cargo de oficiais com pouca experiência.

Zelensky saúda retirada de 264 militares da fábrica de Azovstal em Mariupol

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, saudou a retirada de 264 militares da fábrica Azovstal na cidade de Mariupol na segunda-feira à noite, na sequência do cessar-fogo acordado com Moscovo.

A retirada foi possível "graças às ações dos militares ucranianos, das Forças Armadas da Ucrânia, dos serviços de informação, da equipa de negociação, do Comité Internacional da Cruz Vermelha e das Nações Unidas (...). Entre eles estão feridos graves, que estão a receber ajuda médica", sublinhou.

Zelensky salientou que "a Ucrânia precisa de heróis ucranianos vivos".

Bom dia, começa aqui o acompanhamento ao minuto da guerra na Ucrânia.