Dia 91

Rússia aumenta idade para entrar no Exército, Zelensky questiona união do Ocidente

Sandra AlvesDaniela JogoMariana Albuquerque

Mykolaiv|

 foto Genya SAVILOV / AFP

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Yatskivka|

 foto RONALDO SCHEMIDT / AFP

Ao 91.º dia de guerra, a Rússia está a utilizar tudo à sua disposição na batalha por Liman, Popasna, Sievierodonetsk e Slaviansk, no Donbass. O governador de Lugansk diz que a região do leste da Ucrânia "é agora como Mariupol", cidade deixada em ruínas. Volodymyr Zelensky defende que ucranianos devem orgulhar-se de terem combatido as forças russas durante três meses numa guerra que muitos na Rússia e no Ocidente esperavam que durasse três dias.

Bruxelas quer medidas para evitar que oligarcas russos escapem às sanções

A Comissão Europeia quer evitar que os oligarcas russos escapem às sanções impostas a Moscovo e propôs hoje o alargamento do número de bens que podem ser confiscados e a criminalização das tentativas de evasão às medidas.

Como uma das medidas, Bruxelas propõe que a apreensão de bens possa ser alagada a mais casos do que os atualmente previstos, através de uma diretiva que dotará as autoridades competentes dos instrumentos necessários.

Esta diretiva permitirá confiscar os bens dos oligarcas russos que tentam violar as sanções europeias impostas a Moscovo, ao moverem, por exemplo, os seus iates para fora da UE ou mudando o proprietário dos seus bens.

Além disso, a Comissão Europeia propôs criminalizar as tentativas de evasão às sanções, medida que visa acabar com as diferenças entre os países da UE, alguns dos quais não penalizam este comportamento.

Turquia mantém veto à Suécia e Finlândia até que exigências sejam atendidas

A Turquia continuará a opor-se à adesão da Suécia e Finlândia à NATO enquanto não foram tomadas medidas específicas para resolver as objeções de Ancara, realçou esta quarta-feira um alto funcionário de Ancara após negociações com estes países nórdicos.

"Deixamos bem claro que, se as preocupações de segurança da Turquia não forem atendidas com medidas concretas num determinado prazo, o processo não avançará", sublinhou Ibrahim Kalin, porta-voz e assessor sénior do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Turquia, Suécia e Finlândia mantiveram esta quarta-feira conversações, que duraram cerca de cinco horas, noticiou a agência Associated Press (AP).

Portugal pondera envio de mais material em função das necessidades

A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, disse esta quarta-feira que Portugal está a ponderar o envio de mais material para Ucrânia, em função das necessidades daquele país, e que as 160 toneladas já cedidas estão "em trânsito".

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Kiev exorta comunidade internacional a "matar exportações russas"

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, apelou hoje à comunidade internacional, durante o Fórum Económico Mundial em Davos (Suíça), para "matar as exportações russas", de forma a pressionar o fim da guerra na Ucrânia.

"A minha mensagem é muito simples: matar as exportações russas, exceto alguns produtos críticos que o mundo precisa", declarou Kuleba, acrescentando que Moscovo deveria deixar de "fazer dinheiro e investi-lo numa máquina de guerra que mata, viola e tortura ucranianos".

Ao mesmo tempo, pediu às companhias de transportes marítimos para cessar o transporte de petróleo russo. "Há duas formas de abordar as sanções. A primeira é dizer 'vamos concentrar-nos no petróleo e procurar formas de parar de comprar petróleo russo", começou por dizer. Mas, "há outra forma: a grande maioria do petróleo russo vendido no mercado mundial é transportado por mar", continuou, dizendo que aqueles que continuaram a fazê-lo "em qualquer parte do mundo" deveriam ser "confrontados com problemas".

Putin visita pela primeira vez soldados russos feridos

Foto: Mikhail Metzel / SPUTNIK / AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, visitou esta quarta-feira pela primeira vez soldados russos feridos na Ucrânia, três meses após o início da ofensiva russa contra o país vizinho.

Segundo imagens transmitidas pela televisão russa, Putin, envergando uma bata branca, conversou com vários militares, inquirindo sobre as respetivas terras natais e situação familiar. Os soldados estavam de pé perto das suas camas e os seus ferimentos não eram visíveis.

Dirigindo-se a um deles, o presidente russo afirmou que o seu filho de nove meses "ficará orgulhoso do pai". O ministro da Defesa, Serguei Choigu, também esteve presente.

91.º dia de guerra

Lugansk "como Mariupol" e as críticas de Zelensky a um Ocidente pouco unido

(Foto: Yasuyoshi CHIBA / AFP)

Ao 91.º dia de conflito, o governador de Lugansk, Serhiy Haidai, lamentou que a situação na região esteja a ficar tão crítica como a de Mariupol. O chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou a falta de unidade do Ocidente, mais de três meses depois do início da invasão.

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Primeiro-ministro da Eslováquia sublinha necessidade urgente do país abandonar gás russo

O primeiro-ministro da Eslováquia, Eduard Heger, disse hoje que o país percebeu a necessidade de se desligar total e rapidamente do gás russo, do qual ainda depende apesar de há 15 anos vir diversificando as fontes de energia.

"Por muito tempo trocámos os nossos valores por gás e petróleo baratos", reconheceu o chefe de Estado do governo eslovaco, que faz fronteira com a Ucrânia e já acolheu 70.000 refugiados da guerra.

Heger indicou que o seu país está perto de não precisar de abastecimentos russos, mas salientou que para isso precisa do apoio da União Europeia.

"Somos um país do interior e precisamos da mesma fiabilidade que os parceiros à nossa volta", declarou a um painel, enquanto orador no Fórum Económico Mundial de Davos.

Zelensky diz que fim da guerra depende do Ocidente e da vontade da Rússia para negociar

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu hoje que o fim da guerra depende tanto da posição unida do Ocidente para ajudar a Ucrânia como da vontade da Rússia de regressar às negociações.

"Sobre quando esta guerra pode terminar, penso que depende de algumas coisas, de coisas concretas", disse Zelensky, citado por agências ucranianas, durante a sua participação virtual num "pequeno-almoço ucraniano" no Fórum Económico Mundial em Davos.

Depende "antes de mais", disse, da "vontade de diferentes partes; da vontade de um Ocidente unido em termos de armamento e solidez financeira da Ucrânia e da vontade de um Ocidente unido de não ter medo de lutar contra a Rússia, de lutar esta guerra híbrida de formas diferentes, não com o seu próprio povo, acima de tudo".

"E também depende da vontade da Rússia, porque esta guerra vai acabar de qualquer maneira", sublinhou.

ONU confirma quase quatro mil civis mortos em três meses de guerra

A ONU confirmou esta quarta-feira que pelo menos 3974 civis morreram e 4654 ficaram feridos em três meses de guerra na Ucrânia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores.

Das vítimas mortais confirmadas pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), 259 são crianças, e há também 402 crianças entre os feridos, de acordo com as estatísticas diariamente atualizadas.

O organismo internacional, dirigido pela Alta-Comissária Michelle Bachelet, sublinha que a maioria das vítimas civis morreu ou sofreu ferimentos devido ao uso de explosivos, incluindo projéteis lançados por artilharia pesada, sistemas de lançamento múltiplo de rockets, mísseis e bombardeamentos aéreos.

Moscovo facilita concessão de passaportes russos aos residentes da região sul

A Rússia vai permitir aos habitantes das regiões de Zaporíjia e de Kherson, no sul da Ucrânia, solicitar um passaporte russo através de um "processo simplificado", segundo um decreto presidencial hoje publicado.

A zona de Kherson está totalmente conquistada pelo exército russo desde o início da ofensiva de Moscovo contra a Ucrânia, em 24 de fevereiro, enquanto a região de Zaporijia está parcialmente controlada pelas forças russas.

As novas autoridades das duas regiões, nomeadas pelo Kremlin (Presidência russa), já manifestaram a sua intenção de se juntarem à Rússia.

Zelensky satisfeito com "status quo" da China

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou satisfação com a política de "status quo" mantida pela China em relação à invasão russa do seu país.

"Isso é melhor do que ajudar a Rússia. (...) Eu gostaria de acreditar que, pelas costas, a China não adotará uma política diferente. É por isso que estamos satisfeitos com este 'status quo'. Digo-o com sinceridade", argumentou Volodymyr Zelensky, durante a participação virtual numa sessão do Fórum Económico Mundial, em Davos.

Zelensky garantiu ainda que o seu país não vai desistir de proteger a soberania do seu território. "A Ucrânia não vai ceder no seu território. Estamos a lutar no nosso país, na nossa terra", disse, repetindo que a luta dos ucranianos é "pela liberdade, pela independência, pelo futuro".

Por isso, Zelensky defendeu que a Rússia deve regressar às suas posições antes da invasão, como um primeiro passo essencial para as negociações diplomáticas com vista à obtenção da paz.

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Rússia reitera que paga dívida externa em rublos

A Rússia vai pagar a dívida em rublos, disse o Ministério das Finanças russo, depois de os Estados Unidos terem decidido pôr fim, a partir desta quarta-feira, a uma licença que permitia a Moscovo pagar as dívidas em dólares.

"Como a recusa de prorrogação desta licença torna impossível continuar a honrar a dívida externa em dólares, os reembolsos serão feitos em moeda russa com a possibilidade de os converter na moeda original através do depositário nacional de liquidação (NSD), que atuará como agente pagador", disse o ministério num comunicado.

O NSD é um organismo russo centralizado responsável pelo depósito de títulos financeiros negociados no país.

"O Ministério das Finanças russo, como mutuário responsável, assegura a sua vontade de continuar a honrar e a reembolsar todas as suas obrigações financeiras", diz o comunicado.

Charles Michel ainda crê em acordo sobre embargo ao petróleo russo antes da cimeira

Foto: Fredrik SANDBERG / TT NEWS AGENCY / AFP

O presidente do Conselho Europeu disse esta quarta-feira ainda acreditar que os Estados-membros da União Europeia (UE) cheguem a um acordo sobre o embargo ao petróleo russo antes da cimeira da próxima semana, apesar de persistir o bloqueio húngaro.

"Ainda estou confiante na nossa capacidade de resolver essas questões antes do Conselho Europeu" extraordinário, que terá lugar nas próximas segunda e terça-feira em Bruxelas, disse Charles Michel, por ocasião de uma visita a Estocolmo.

Rússia aprova alistamento militar a homens com mais de 40 anos


Foto: Sergei Ilnitsky/EPA

O parlamento russo aboliu, esta quarta-feira, a lei que limita a idade para o alistamento militar, numa altura em que se prolonga a ofensiva da Rússia em território da Ucrânia.

"A adoção deste projeto de lei vai permitir atrair para o Exército pessoas dotadas das especialidades que se procuram", disse o deputado Andrei Kartapolov, um dos autores da medida, citado pelo portal da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo.

Até ao momento, apenas os cidadãos russos com idades entre os 18 e os 40 anos estavam autorizados a estabelecer um primeiro contrato com o Exército sendo que para os voluntários estrangeiros o alistamento era permitido a homens com idades entre os 18 e os 30 anos.

A partir de agora, vai ser possível a qualquer voluntário que não tenha atingido a idade legal de reforma, atualmente fixada nos 61 anos e seis meses para os homens, alistar-se no Exército da Rússia.

Rússia quer garantir direitos de ex-presidente da Moldávia

A Rússia quer garantir que os direitos do ex-presidente pró-russo da Moldávia Igor Dodon, detido na terça-feira por traição e corrupção, são respeitados, disse hoje um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Roudenko.

"Consideramos que este é um assunto interno da Moldávia, mas não queremos que as autoridades no poder comecem a acertar contas com antigos concorrentes políticos, aproveitando a situação atual", disse o diplomata, citado por agências de notícias russas.

"Por isso, temos de garantir com muito cuidado que os direitos de Dodon, no contexto dos procedimentos judiciais, são respeitados e que são cumpridas as regras internacionais", acrescentou.

Na terça-feira, Igor Dodon, suspeito de traição e corrupção, foi detido pela polícia da Moldávia, que realizou também várias buscas nos escritórios e na casa do ex-chefe de Estado, em Chisinau, capital desta ex-república soviética, onde os conflitos entre pró-ocidentais e pró-russos têm vindo a aumentar desde a ofensiva russa na Ucrânia.

Moscovo só avança com troca de prisioneiros após julgamento de soldados de Azovstal

A Rússia só considera uma troca de prisioneiros com a Ucrânia depois de os soldados ucranianos terem sido julgados, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Rudenko.

"Consideraremos tudo isto depois de aqueles que se renderam serem julgados, depois de um veredicto ser alcançado. Só depois podem ser dados outros passos. Antes disso, falar em trocas é prematuro", disse, citado pela agência oficial russa TASS.

Andrei Rudenko referia-se aos últimos soldados ucranianos da cidade estratégica de Mariupol, que estiveram entrincheirados durante quase dois meses na enorme fábrica de aço de Azovstal, e que se renderam na semana passada.

De acordo com o Ministério de Defesa russo, foram capturados cerca de quatro mil soldados na área.

As autoridades ucranianas querem organizar uma troca de prisioneiros de guerra, mas o lado russo tem indicado repetidamente que considera pelo menos alguns dos homens ucranianos do regimento Azov combatentes neonazis, culpados de crimes de guerra, e não simples soldados.

Rússia quer negociar corredores de navegação no Mar Negro

A Rússia declarou estar disponível para negociar um corredor de navegação no Mar Negro para navios com cereais bloqueados nos portos da Ucrânia, no dia em que anunciou que o porto de Mariupol voltou a estar operacional.

"Declaramos mais do que uma vez que a solução do problema alimentar exige concentração global e está relacionada com o levantamento das sanções contra as exportações e as transações financeiras [russas]", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia Andrei Rudenko, citado pela agência Interfax.

O governante russo acrescentou que a Ucrânia deve desminar todos os portos onde se encontram os navios.

"A Rússia está disposta a dar um passo humanitário", disse Andrei​​​​​​ Rudenko, que não especificou se existem contactos sobre a abertura do eventual corredor de navegação (que Moscovo classificou "humanitário") desde o porto de Mariupol, no Mar de Azov, até ao Mar Negro.

Da resistência à ruína: a destruição total da Azovstal captada por drone

Imagens de drone, divulgadas por uma agência russa, mostram a siderurgia da Azovstal transformada em ruínas. O complexo tornou-se símbolo da resistência e foi palco de intensos combates durante semanas.

Moscovo pede fim das sanções como solução da crise agrícola global

O ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros da Rússia exigiu o levantamento das sanções impostas a Moscovo como condição para se evitar a crise alimentar mundial.

"A solução para se resolver o problema alimentar requer uma abordagem coletiva, envolvendo em particular o levantamento das sanções que foram impostas às exportações e transações financeiras russas", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Andrei Rudenko, citado por agências de notícias da Rússia.

A invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro, afetou diretamente a exportação de cereais ucranianos, sendo que o país representa em média 16% da produção mundial de trigo.

Zelensky: "O Ocidente está unido? Não"


Foto:Fabrice Coffrini / AFP

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou, esta quarta-feira, a falta de unidade entre os países ocidentais quanto à guerra na Ucrânia, mais de três meses após o início da invasão russa.

"A minha pergunta é: existe unidade, na prática (no Ocidente)? Não me parece", lamentou, durante um discurso por videoconferência no fórum económico de Davos, na Suíça, em que sublinhou precisar "do apoio de uma Europa unida".

"Existe unidade sobre a adesão da Suécia e da Finlândia à NATO? Não. Então o Ocidente está unido? Não", acrescentou Zelensky.

O presidente ucraniano disse ainda que o ponto forte da Ucrânia era "a unidade dentro do país, que agora depende da unidade do Ocidente, de ser forte e de apoiar firmemente a Ucrânia" contra a Rússia, continuou.

"Teremos vantagem sobre a Rússia quando estivermos todos verdadeiramente unidos", acrescentou.

Presidente ucraniano envia condolências às famílias das vítimas do tiroteio no Texas

Volodymyr Zelensky enviou as suas condolências às famílias das vítimas do tiroteio numa escola do Texas, Estados Unidos, sublinhando que é "terrível ter vítimas baleadas em tempos de paz".

"Quero prestar as minhas condolências a todos os entes queridos e familiares das crianças que foram mortas no terrível tiroteio numa escola no Texas", disse, no preâmbulo de um discurso durante um pequeno-almoço oferecido pela Ucrânia em Davos.

"É terrível ter vítimas de atiradores em tempos de paz", declarou o presidente ucraniano, que falou em ucraniano por videoconferência e cujos comentários foram traduzidos.

Nova lei permitirá ao Kremlin nomear líderes de empresas estrangeiras


Foto: Maxim Shipenkov/EPA

O parlamento russo aprovou na terça-feira, de forma preliminar, um projeto de lei que permitirá ao governo nomear uma nova administração para empresas estrangeiras que se retiraram da Rússia após a invasão da Ucrânia.

De acordo com a agência de notícias estatal russa Tass, a nova lei permitirá a transferência do controlo de empresas que abandonaram a Rússia não por razões económicas, mas por causa do "sentimento antirrusso na Europa e nos EUA".

A Tass disse que os proprietários estrangeiros ainda poderiam retomar as operações na Rússia ou vender as suas ações.

A Starbucks, Coca-Cola e PepsiCo anunciaram terça-feira a suspensão das suas atividades na Rússia, depois da cadeia de "fast food" norte-americana McDonald's ter comunicado o encerramento temporário de 850 restaurantes no país, devido à invasão russa da Ucrânia.

Ex-chanceler alemão renuncia ao cargo na Gazprom

O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder, próximo do presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na terça-feira que não se juntaria ao conselho de supervisão empresa de gás russa Gazprom.

"Renunciei a uma nomeação para o conselho de supervisão da Gazprom há muito tempo. Também informei a empresa", garantiu o antigo governante numa curta mensagem na rede profissional LinkedIn.

Gerhard Schröder, de 78 anos, anunciou há quatro dias a sua saída da petrolífera russa Rosneft, da qual era presidente do conselho de administração.

Na semana passada, Berlim e Bruxelas decidiram atacar o ex-líder social-democrata, que foi chanceler entre 1998 e 2005.

Na quinta-feira, o Bundestag, a câmara baixa do parlamento alemão, decidiu privá-lo de algumas das suas vantagens como ex-chanceler, incluindo a alocação de cargos.

Além disso, em Bruxelas, os deputados do Parlamento Europeu votaram por larga maioria a favor de uma resolução não vinculativa pedindo-lhe nominalmente que se demitisse dos seus cargos.

Canadá vai enviar 20 mil munições para artilharia pesada às forças ucranianas

O Canadá vai doar à Ucrânia 20 mil munições para artilharia pesada, aumentando a ajuda militar para que as forças ucranianas possam continuar a combater a invasão russa, divulgou na terça-feira a ministra da Defesa canadiana.

A munição de calibre 155, padrão para os países da NATO, pode ser usada por equipamentos de artilharia pesada enviadas à Ucrânia pelos Estados Unidos e Canadá desde o início da invasão russa, há três meses.

Lugansk "é agora como Mariupol"

O governador de Lugansk, Serhiy Haidai, disse que a situação "está à beira de ser crítica" e que a região do leste da Ucrânia "é agora como Mariupol", cidade deixada em ruínas por ataques russos.

"Agora, para a região de Lugansk, é o momento mais difícil nos oito anos da guerra", disse Haidai, na terça-feira, referindo-se ao início do conflito com os separatistas apoiados pela Rússia, em 2014.

"Os russos estão a avançar em todas as direções ao mesmo tempo, trouxeram um número absurdo de caças e equipamento", disse o governador na plataforma Telegram.

Haidai acusou também as tropas de Moscovo de implantar táticas de "terra queimada" em toda a região, uma das duas que compõem o coração industrial do leste da Ucrânia.

"Só está a piorar. O que os russos estão a fazer é difícil de descrever em palavras. Os invasores estão a matar as nossas cidades, a destruir tudo ao redor", disse o governador.

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Zelensky diz que Rússia está a usar todos os meios na batalha no Donbass

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que a Rússia está a utilizar tudo à sua disposição na batalha por Liman, Popasna, Sievierodonetsk e Slaviansk, na região leste do Donbass.

"A situação no Donbass é muito difícil agora", disse o chefe de Estado ucraniano, no seu discurso noturno à nação.

"Praticamente todo o poder do Exército russo, o quer que tenha sobrado, está a ser lançado na ofensiva. Liman, Popasna, Sievierodonetsk, Slaviansk - os ocupantes querem destruir tudo lá", observou.

O governante disse aos ucranianos que deveriam orgulhar-se de terem combatido as forças russas durante três meses numa guerra que muitos na Rússia e no Ocidente esperavam que durasse três dias.

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Bom dia. Iniciamos o acompanhamento, ao minuto, do 91.º dia de guerra na Ucrânia. Da véspera destaca-se a garantia da Rússia: a dor e destruição vão terminar quando "os objetivos forem cumpridos".

Leia aqui os pontos-chave do dia anterior.

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