Dia 90

Pelo menos 2500 soldados e quase quatro mil civis mortos em três meses

Sandra AlvesDaniela JogoInês Moura Pinto

A sombra de soldados russos numa bandeira da Ucrânia em Mariupol|

 foto EPA/SERGEI ILNITSKY

Pyatykhatky, região de Kharkiv|

 foto SERGEY KOZLOV/EPA

Bakhmut, no Donbass|

 foto ARIS MESSINIS /AFP

Pyatykhatky, região de Kharkiv|

 foto SERGEY KOZLOV/EPA

Cemitério de Kharkiv|

 foto Dimitar DILKOFF / AFP

Cumprem-se hoje 90 dias de guerra. A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro e continua a bombardear a região do Donbass, depois de capturar a cidade mártir de Mariupol. Bucha é outro local inscrito nos horrores desta guerra. Kiev resistiu e Volodymyr Zelensky ergue a sua voz diariamente para pedir ajuda para defender o seu país e o seu povo. Diz que a Rússia disparou mais de 2200 mísseis contra a Ucrânia em três meses. Sem poupar escolas, hospitais e zonas residenciais. Mais de 14 milhões de pessoas fugiram. Moscovo diz que a "operação militar especial" decorre sem prazo e alcançará todos os objetivos.

Zelensky diz que Rússia está a usar todos os meios na batalha no Donbass

Volodymyr Zelensky disse que a Rússia está a utilizar tudo à sua disposição na batalha por Liman, Popasna, Sievierodonetsk e Slaviansk, na região leste do Donbass. "A situação no Donbass é muito difícil agora", disse o chefe de Estado ucraniano, no seu discurso noturno à nação.

"Praticamente todo o poder do Exército russo, o quer que tenha sobrado, está a ser lançado na ofensiva. Liman, Popasna, Sievierodonetsk, Slaviansk - os ocupantes querem destruir tudo lá", observou o presidente da Ucrânia, acrescentando que o Exército do país está a replicar os ataques.

Rússia anuncia conclusão da desminagem no porto de Mariupol e arredores

A Rússia terminou os trabalhos de desminagem no porto de Mariupol e nas áreas costeiras nos arredores da cidade no sudeste da Ucrânia, desativando mais de 12 mil engenhos explosivos.

"Uma série de tarefas foram levadas a cabo para eliminar o perigo das minas", informa comunicado da Defesa russa, divulgado na rede social Telegram. O trabalho realizado por especialistas russos teve como foco o porto de Mariupol e "áreas costeiras adjacentes", pode ler-se.

As milícias da autoproclamada república separatista de Donetsk revelaram hoje que, durante a desminagem, que também foi realizada na siderúrgica Azovstal em Mariupol, quatro especialistas russos ficaram feridos.

Canadá vai enviar 20 mil munições para artilharia pesada

O Canadá vai doar à Ucrânia 20.000 munições para artilharia pesada, aumentando a ajuda militar para que as forças ucranianas possam continuar a combater a invasão russa, divulgou esta terça-feira a ministra da Defesa canadiana.

A munição de calibre 155, padrão para os países da NATO, pode ser usada por equipamentos de artilharia pesada enviadas à Ucrânia pelos Estados Unidos e Canadá desde o início da invasão russa, há três meses.

Em abril, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, tinha anunciado que Otava ia fornecer às forças ucranianas equipamentos de artilharia pesada, especificamente obuses M777, que tinham sido pedidos pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Dor e destruição na Ucrânia vão terminar quando "os objetivos forem cumpridos"

A "operação militar especial" na Ucrânia entra esta terça-feira em mais um marco histórico. 90 dias de guerra, dor e destruição. O Kremlin garante que não vai parar até cumprir os objetivos e a Europa vai disponibilizar mais 500 milhões de euros para ajudar o povo ucraniano. Eis os pontos-chave do 90.º dia guerra.

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Hungria declara estado de emergência devido à guerra

A Hungria entra à meia-noite de hoje em estado de emergência devido à guerra na vizinha Ucrânia, anunciou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

"O governo declara o estado de emergência por causa da guerra na Ucrânia", disse Orbán, num vídeo divulgado na rede social Facebook, poucas horas depois de o parlamento ter aprovado uma emenda constitucional que abriu a possibilidade de anunciar tal medida.

Orbán, líder de extrema-direita, avisou que o mundo está prestes a entrar numa crise económica e reiterou que o país "deve permanecer fora da guerra, proteger a segurança das famílias".

"Para isso precisamos de espaço de manobra", salientou.

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Deputados russos querem facilitar proibição de imprensa estrangeira

Os deputados russos adotaram hoje um projeto de lei que permitiria encerrar os meios de comunicação social estrangeiros na Rússia, por decisão do Ministério Público, se fossem acusados de desinformação sobre a guerra na Ucrânia.

A câmara baixa do Parlamento russo, a Duma, indicou que tais meios de comunicação poderiam ser proibidos "em caso de divulgação de informações destinadas a desacreditar as Forças Armadas russas ou ligadas à introdução de sanções" contra a Rússia.

Segundo o projeto de lei, adotado numa primeira leitura, o procurador-geral ou os seus adjuntos poderão ter o direito de retirar a licença de radiodifusão a um meio de comunicação social se este publicar informações consideradas "ilegais" ou "perigosas".

Rússia proíbe 154 membros da Câmara dos Lordes britânica de entrar no país

A Rússia proibiu hoje 154 membros da Câmara dos Lordes, a câmara alta do parlamento britânico, de entrar no país, como medida de retaliação às sanções impostas por Londres contra o Conselho da Federação russa.

"Em resposta à decisão tomada em março pelo Governo do Reino Unido de elaborar uma lista de sanções relativas a quase todo o Conselho da Federação, estão a ser introduzidas restrições contra 154 membros da Câmara dos Lordes", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, numa declaração.

Dezenas de países apoiam processo contra Rússia no tribunal da ONU

Mais de 40 países, incluindo Portugal, apoiam o processo aberto pela Ucrânia no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) para demonstrar que a Rússia não tem fundamento legal para ações militares em território ucraniano com base em acusações de genocídio.

"Nós, os abaixo-assinados, congratulamo-nos com o pedido da Ucrânia contra a Rússia perante o TIJ [órgão jurisdicional da ONU], que procura estabelecer que a Rússia não tem base legal para tomar medidas militares na Ucrânia com base em alegações infundadas de genocídio", lê-se na declaração conjunta hoje divulgada.

A Rússia iniciou a sua invasão da Ucrânia a 24 de fevereiro com base em "falsas alegações" de atos de genocídio nas regiões de Lugansk e Donetsk, no Donbass, no leste da Ucrânia, alega Kiev no processo que abriu a 27 de fevereiro, em que acusa, por seu turno, Moscovo de planear atos genocidas na Ucrânia.

Rússia está a abrandar ofensiva para "evitar baixas civis"

A Rússia afirma que está a abrandar a ofensiva na Ucrânia para "evitar baixas civis", disse hoje o ministro da Defesa russo, reafirmando que as forças russas não atacam infraestruturas civis, apesar das imagens de cidades destruídas.

"As forças armadas russas, ao contrário das ucranianas, não atacam as infraestruturas civis onde os civis possam estar localizados", disse Serguei Shoigu durante uma reunião do Conselho de Ministros da Defesa da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), citado pela agência russa TASS.

Shoigu disse que as "posições de tiro inimigas identificadas e as instalações militares são atingidas por armas de precisão".

Sobre a alegada lentidão da operação iniciada há três meses, Shoigu disse que estão a ser criados corredores humanitários, o que abranda a velocidade da ofensiva.

Pelo menos 2500 soldados e quase quatro mil civis mortos em três meses

Entre 2500 a três mil soldados ucranianos e pelo menos 3930 civis, incluindo mais de 200 crianças, morreram desde o início da invasão russa da Ucrânia, há três meses, segundo dados oficiais de Kiev.

De acordo com os dados recolhidos pelo portal de notícias ucraniano "The Kyiv Independent", e difundidos pela Procuradoria-Geral do país, os bombardeamentos russos que assolaram o país mataram 234 crianças.

Estima-se que 433 menores tenham ficado feridos, de acordo com os números divulgados, mas que são incompletos já que há locais onde as hostilidades ainda não cessaram ou permanecem ocupados pelos russos, impossibilitando uma contagem fiável dos feridos e baixas, advertiu a procuradoria ucraniana, na rede social Telegram.

Tribunal russo ordena detenção de antigo comandante ucraniano do Batalhão Aidar

Um tribunal russo ordenou hoje 'in absentia' a detenção de Maksym Márchenko, ex-comandante do Batalhão Nacionalista Ucraniano Aidar e atual governador da região de Odessa, solicitada por um comité de investigação dependente do Kremlin.

De acordo com a agência Interfax, o tribunal de Basmanni aceitou o pedido dos investigadores russos para ditar dois meses de prisão preventiva a Márchenko a partir da sua detenção efetiva ou extradição para a Rússia.

O Comité de Investigação da Rússia, dependente da presidência russa, acusa Márchenko, ex-comandante do Batalhão Aidar e das 28ª e 92ª Brigadas Mecanizadas, de estar por detrás dos ataques da artilharia em Donetsk, em março e maio de 2020.

O Batalhão Aidar surgiu como uma unidade de defesa territorial, que lutou em 2014 no conflito armado entre o exército ucraniano e os separatistas pró-russos apoiados por Moscovo no Donbass, antes de ser reorganizada e absorvida pelo exército ucraniano em 2015.

Tribunal europeu pede à Ucrânia que coloque em segurança migrantes detidos

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) pediu à Ucrânia que coloque "imediatamente" em segurança dois migrantes detidos num centro em Mykolaiv (sul), nas imediações da frente de batalha.

O Governo ucraniano "deve transferir imediatamente os requerentes para uma área mais segura (dentro do país) e tomar todas as medidas consideradas necessárias para garantir a sua segurança perante o conflito armado em curso", afirmou o tribunal na sua decisão, emitida na sexta-feira, a que a agência de notícias France-Presse (AFP) teve acesso.

"Um (dos requerentes de asilo), de origem palestiniana, foi libertado, mas nada foi feito pelo outro até agora", disse à AFP a advogada dos migrantes, Daria Sartori, que "por questões de segurança"não referiu a nacionalidade do outro representado.

82% dos ucranianos contra concessões territoriais

Mais de 80% dos ucranianos são contra ceder territórios em troca de um acordo de paz com a Rússia, segundo uma sondagem publicada esta terça-feira pelo Instituto de Sociologia Internacional de Kiev.

Globalmente, 82% dos entrevistados considera que concessões destas não devem ser feitas em nenhuma circunstância, mesmo correndo o risco de prolongar a guerra, enquanto 10% consideram admissível "abandonar" territórios para alcançar a paz mais rapidamente ou para preservar a independência da Ucrânia.

No entanto, a percentagem varia consoante a região e no leste do país, cenário de intensos combates, 68% dos entrevistados opõem-se a cedência de territórios, enquanto 19% apoiam essa possibilidade.

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Tribunal russo ordena prisão de "bloggers" por críticas à guerra

Um tribunal de Moscovo ordenou a detenção de dois "bloggers" russos que vivem fora do país e que foram acusados de desacreditarem o exército e a ofensiva na Ucrânia.

Michael Nacke, que gere um blogue de vídeo fora da Rússia com mais de 700 mil subscritores, foi acusado de divulgar informações falsas sobre as forças armadas russas, de acordo com o tribunal.

Veronika Belotserkovskaya, que também é autora de vários livros de cozinha e vive em França, foi acusada do mesmo crime.

A justiça disse que cometeu o crime na sua conta na rede social Instagram, pelo que também foi ordenada a sua detenção, noticiou a agência russa TASS, segundo a AFP.

UE e EUA condenam "chantagem energética" russa

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos condenaram a "chantagem energética" por parte da Rússia em retaliação às sanções impostas devido à guerra da Ucrânia, destacando os "esforços para diversificar o abastecimento" com aposta em interconexões.

"Os Estados Unidos e a Comissão Europeia condenam o uso de chantagem energética por parte da Rússia e reafirmam o compromisso de reforçar a segurança energética da Europa", referem Bruxelas e Washington numa posição conjunta.

Em causa estão recentes desenvolvimentos em que "a Rússia demonstrou que é um fornecedor pouco fiável de energia à Europa através de ações injustificadas e inaceitáveis como o corte de eletricidade e gás natural à Finlândia, a suspensão das exportações de gás natural para a Polónia e Bulgária e a ameaça de ações semelhantes contra outras nações europeias".

A Comissão Europeia, em nome da UE, e a administração norte-americana vincam assim que, "por toda a Europa, desde os Nórdicos aos Balcãs, estão em curso esforços para diversificar o abastecimento e reduzir a dependência do gás russo".

Bruxelas pede aval na UE a embargo ao petróleo russo para evitar "situação estranha"

A Comissão Europeia exortou os Estados-membros da União Europeia (UE) a aprovarem "sem demora" as sanções que incluem um embargo ao petróleo russo, para evitar a "estranha situação" de contribuir para financiar a guerra enquanto apoiam a Ucrânia.

Falando em conferência de imprensa no final da reunião dos ministros das Finanças da UE, o vice-presidente executivo da tutela, Valdis Dombrovskis, vincou que "é importante avançar sem demora com a finalização do sexto pacote de sanções [à Rússia devido à guerra]", até porque "já passaram algumas semanas desde que as discussões estão em curso".

Pelo menos 310 pessoas com proteção temporária em Portugal já regressaram à Ucrânia

Pelo menos 310 ucranianos que tinha obtido uma proteção temporária em Portugal devido à guerra regressaram à Ucrânia.

Desde que começou a guerra na Ucrânia, a 24 de fevereiro, 38.278 ucranianos ou estrangeiros residentes naquele país pediram proteção temporária a Portugal.

Dados enviados à Lusa pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indicam que 310 cidadãos ucranianos pediram o cancelamento das proteções temporárias que formalizaram junto do SEF, número que se situava nos 160 no final de abril.

UE adota abolição temporária de tarifas aduaneiras para facilitar trocas com a Ucrânia

O Conselho da União Europeia (UE) adotou esta terça-feira a abolição temporária, por um ano, de tarifas aduaneiras relativas à exportação de produtos ucranianos para o espaço comunitário, visando apoiar a economia da Ucrânia devido à guerra.

Em comunicado, a estrutura que junta os Estados-membros explica que "adotou hoje um regulamento que permite a liberalização temporária do comércio e outras concessões comerciais em relação a certos produtos ucranianos, o que significa que durante um ano não serão devidos direitos de importação sobre todas as exportações ucranianas para a UE".

De acordo com o Conselho, "graças a estas medidas, a UE poderá apoiar significativamente a economia da Ucrânia", que sofreu um "impacto devastador" pelo conflito armado devido à guerra causada pela invasão russa.

Quase 200 corpos em decomposição em Azovstal

O assessor do presidente da câmara da cidade ucraniana de Mariupol, atualmente sob controlo das forças russas, disse que quase 200 cadáveres estão em estado de decomposição na fábrica Azovstal, constituindo um perigo para a saúde pública.

A instalação metalúrgica com mais de 11 quilómetros quadrados foi, até à semana passada, o último bastião ucraniano na cidade portuária junto ao Mar de Azov.

"Durante a derrocada de um edifício de vários andares perto de uma estação (...) foram encontrados 200 cadáveres sob os escombros em grande estado de decomposição", escreveu Petro Andryushchenko numa mensagem que divulgou esta terça-feira através da rede social Telegram e que foi citada pela agência Unian.

O porta-voz do autarca de Mariupol, que há mais de um mês difunde mensagens sobre a situação na cidade, acrescenta que "perante a recusa da população, que não quis recolher os corpos, o Ministério de Situação de Emergência russo abandonou o local".

Assim, os cadáveres permanecem nas ruínas da fábrica sendo que depois de terem sido retirados alguns escombros, o "cheiro sente-se em quase todo o bairro".

Von der Leyen alerta para "sinais óbvios" de crise alimentar e pede ação urgente


Foto: Laurent Gillieroni/EPA

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou para os "sinais óbvios" de uma crise alimentar mundial devido à guerra da Ucrânia, causada pela invasão russa, acusando a Rússia de chantagem na retenção de cereais.

"Os sinais de uma crise alimentar crescente são óbvios. Temos de agir com urgência", declarou a líder do executivo comunitário, discursando no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça.

Numa altura de confronto armado na Ucrânia, Ursula von der Leyen condenou que "a artilharia russa esteja a bombardear deliberadamente armazéns de cereais em toda a Ucrânia", que é um dos países mais férteis do mundo, e que esteja também a "bloquear navios ucranianos cheios de trigo e sementes de girassol".

"As consequências destes atos vergonhosos estão à vista de todos. Os preços globais do trigo estão a subir em flecha e são os países frágeis e as populações vulneráveis que mais sofrem [...] e, ainda por cima, a Rússia está agora a acumular as suas próprias exportações de alimentos como forma de chantagem, retendo os fornecimentos para aumentar os preços globais, ou negociando trigo em troca de apoio político", lamentou a responsável.

E criticou: "Isto é usar a fome e os cereais para exercer o poder".

Rússia terá mais NATO na fronteira devido a erro de Putin


Foto: Gian Ehrenzeller/EPA

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou que o Presidente russo "cometeu um grande erro estratégico" ao invadir a Ucrânia para impedir o alargamento da aliança, que terá mais membros junto às fronteiras da Rússia.

Numa intervenção no segundo dia do Fórum Económico Mundial, na estância suíça de Davos, Stoltenberg recordou que, em dezembro do ano passado, Vladimir Putin "apresentou um ultimato" à NATO para exigir a retirada da aliança da Europa de Leste e o fim do alargamento.

"Ele queria menos NATO nas suas fronteiras e agora está a receber mais NATO nas suas fronteiras e mais membros. A Finlândia e a Suécia anunciaram que estão a candidatar-se à adesão e isto é histórico", disse Stoltenberg, citado pela agência espanhola EFE.

NATO: Finlândia e Suécia enviam delegação a Ancara

Pekka Haavisto, ministro dos negócios estrangeiros finlandês

A Suécia e a Finlândia vão enviar esta semana delegações a Ancara na esperança de convencer a Turquia a retirar a oposição às suas candidaturas de adesão à NATO, indicou esta terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros finlandês.

"Quando vemos que estão a registar-se problemas, claro que adotamos a via diplomática. Vamos enviar as nossas delegações a Ancara e isso vai ocorrer amanhã", disse Pekka Haavisto no decurso de uma mesa-redonda em Davos, onde decorre durante esta semana a reunião anual do Fórum Económico Mundial.

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Maratona de tatuagens há sete semanas para ajudar militares ucranianos

Em Kiev, está a decorrer uma maratona de tatuagens que dura há já sete semanas para ajudar os militares ucranianos. A iniciativa que junta 15 artistas pretende angariar dinheiro para o esforço de guerra.

Moscovo diz que operação decorre sem prazo e alcançará todos os objetivos


Foto de Mariupol / Ministério da Defesa da Rússia

A Rússia não fixou um prazo para a "operação militar especial" que iniciou na Ucrânia há três meses, afirmou o secretário-geral do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, assegurando que todos os objetivos serão cumpridos.

"Não estamos a correr para cumprir um prazo [específico]", disse Patrushev ao jornal russo "Argumenty i Fakti", ao responder a uma pergunta sobre o tempo da intervenção na Ucrânia, que a Rússia invadiu em 24 de fevereiro.

Patrushev disse que todos os objetivos estabelecidos pelo presidente russo, Vladimir Putin, serão alcançados.

"Não pode ser de outra forma porque a verdade, incluindo a verdade histórica, está do nosso lado", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.

Ao anunciar a invasão da Ucrânia, na madrugada de 24 de fevereiro, Putin disse que se destinava a proteger as populações russófonas do Donbass, e a "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho.

UE aprova nova parcela de 500 milhões de euros de ajuda militar

O Conselho da União Europeia (UE) libertou uma quarta parcela de assistência à Ucrânia no valor de 500 milhões de euros, ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.

Com esta parcela, a UE mobilizou já dois mil milhões de euros para a Ucrânia ao abrigo do mecanismo, em resposta à agressão russa ao país.

Quatro países da UE querem utilizar ativos congelados para reconstrução ucraniana


Foto: Kenzo Tribouillard / AFP

Eslováquia, Estónia, Letónia e Lituânia solicitaram aos parceiros europeus para que utilizem cerca de 300 mil milhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia congelados por sanções a Moscovo para financiar a reconstrução da Ucrânia.

"Temos de encontrar formas legais de utilizar os bens do Banco Central da Rússia para a reconstrução da Ucrânia", afirmou a ministra da Economia e Finanças da Lituânia, Gintare Skaiste, cujo país vai apresentar, em conjunto com os outros três parceiros, este pedido.

ONG denuncia russos "próximos de Putin" por branqueamento em França

A organização Transparência Internacional anunciou esta terça-feira que apresentou uma queixa em Paris por "branqueamento" em França de possíveis ganhos ilícitos de "empresários e altos funcionários próximos de Vladimir Putin".

Este sistema "estende as suas ramificações à França, em particular no setor imobiliário, devido à falta de vigilância dos intermediários", acrescentou a ONG em comunicado.

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Venda do Chelsea tem de ter o aval do Governo português

Definido o novo dono do clube britânico, o grupo liderado pelo investidor norte-americano Todd Boehly, há algumas questões ainda por limar para se fechar o negócio, entre as quais o aval das autoridades portuguesas, por Roman Abramovich ter passaporte luso.

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Rússia disparou mais de 2200 mísseis contra a Ucrânia em três meses

O Exército russo disparou um total de 2275 mísseis contra a Ucrânia e realizou mais de 3000 ataques aéreos nestes três meses de guerra, declarou o presidente ucraniano.

"No total, desde 24 de fevereiro, o Exército russo lançou 1474 ataques com mísseis contra a Ucrânia, usando 2275 foguetes de diferentes tipos", disse Volodymyr Zelensky numa mensagem de vídeo divulgada esta terça-feira e publicada pelas agências de notícias locais.

O presidente ucraniano acrescentou que "a grande maioria [dos mísseis] visava alvos civis".

Segundo Zelensky, "em menos de três meses houve mais de 3000 ataques aéreos de aviões e helicópteros russos".

"Que outro país resistiu a tal escala de ataques?", questionou.

Suécia e Finlândia vão estar presentes na cimeira da NATO em Madrid


Foto:Gian Ehrenzeller/EPA

O primeiro-ministro espanhol revelou, esta terça-feira, que os líderes da Suécia e da Finlândia, dois países que pediram para aderir à NATO, vão estar presentes na cimeira da Aliança Atlântica que tem lugar em Madrid no final de junho.

Pedro Sánchez anunciou esta presença no discurso que realizou na sessão plenária do Fórum Económico Mundial em Davos (Suíça), onde também sublinhou a importância de reforçar a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) face ao desafio colocado pela Rússia depois da sua invasão da Ucrânia.

A próxima cimeira desta organização de defesa coletiva terá lugar em Madrid a 29 e 30 de junho, e o chefe do executivo salientou que espera que esta permita uma maior unidade entre a UE (União Europeia) e a Aliança Atlântica.

Bola da final da Champions será leiloada em benefício dos refugiados

A palavra paz, em inglês e em alfabeto cirílico, estará inscrita na bola da final da Liga dos Campeões de futebol entre Liverpool e Real Madrid, e será, depois, leiloada em benefício dos refugiados do conflito da Ucrânia.

A guerra na Ucrânia, que completa esta terça-feira três meses, causou a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas - cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945).

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Kiev reitera alerta: comprar à Rússia "cereais roubados" é ser cúmplice de crimes

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu à comunidade internacional para não comprar à Rússia "cereais roubados" ao seu país e avisou que isso implica "cumplicidade" com os crimes russos.

"A Rússia rouba cereais da Ucrânia, carrega-os em navios, atravessa o [estreito do] Bósforo e tenta vendê-los no estrangeiro", denunciou Kuleba, numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

O ministro ucraniano pediu à comunidade internacional para que "se mantenha vigilante" e rejeite "este tipo de oferta", já que não o fazer implica tornar-se "cúmplice dos crimes russos".

Corrida à segunda edição de selos alusivos à resistência da Ucrânia

Na segunda-feira houve uma corrida às estações de correios em várias cidades da Ucrânia, por ocasião do lançamento oficial da segunda edição de uma série de selos postais intitulados "Navio de guerra russo - Feito!".

A primeira edição, que representava um soldado ucraniano a fazer um gesto de mão a um navio de guerra russo, foi emitida em abril em homenagem aos guardas de fronteira ucranianos da ilha das Serpentes (Zmiinyi).

Parte das receitas reverte para o exército ucraniano.

Odessa


Fotos: Stepan Franko/EPA

Lviv


Fotos: Mykola Tys/EPA

Agência da UE para o Asilo destaca pessoal para a Moldávia

A Agência da União Europeia para o Asilo (AUEA) vai destacar pessoal para a Moldávia, pela primeira vez para um país terceiro, para ajudar a gerir o fluxo de refugiados que fogem da guerra na Ucrânia.

Num comunicado, a AUEA salientou ter começado a destacar um grupo de seis pessoas para a capital da Moldávia, Chisinau, um contingente que poderá aumentar consoante as necessidades.

Rublo sobe para máximos face ao dólar desde março de 2018

O rublo subiu, esta terça-feira, para o valor mais alto face ao dólar desde março de 2018, depois de a Bolsa de Valores de Moscovo ter fixado as cotações oficiais em 57,59 rublos por dólar e 59,97 rublos por euro.

Estas cotações representam uma queda de 0,48% do dólar face ao rublo e de 0,72% do euro em comparação com a cotação anterior.

Segundo a Bolsa de Valores de Moscovo, o curso do dólar desceu para 56,61 rublos pela primeira vez desde março de 2018, enquanto o euro caiu para 58,59 rublos.

Esta subida do rublo ocorre três meses depois do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, após a qual o Ocidente impôs sanções contra as reservas do banco central russo e excluiu vários bancos russos do sistema de pagamento internacional SWIFT, levando a um mergulho de quase 30% no rublo, uma queda que não se via desde 1993.

Rússia anuncia destruição de depósito de munições para obuses norte-americanos

As autoridades russas anunciaram, esta terça-feira, que destruíram um depósito de projéteis de 155 milímetros para obuses norte-americanos M-777, conhecidos como Howitzer, no leste da Ucrânia.

O porta-voz do Ministério da Defesa, major-general Igor Konashenkov, sublinhou que o ataque russo ocorreu em Rozdolivka, na região do Donbass.

"Durante o dia, mísseis de alta precisão lançados do ar atingiram três postos de controlo, 36 áreas onde se concentram soldados e equipamentos militares, uma divisão de artilharia autopropulsada da 14.ª brigada mecanizada nas proximidades de Soledar e seis depósitos de munições" em várias localidades na região de Donetsk, referiu o porta-voz.

Estes ataques a armazéns de munições incluem "um grande depósito de projéteis de 155 milímetros para obuses norte-americanos M-777, em Razdolovka", acrescentou.

Kiev diz que Putin foi alvo de uma tentativa de atentado em fevereiro

O presidente russo, Vladimir Putin, foi alvo de um atentado pouco depois de ordenar a invasão da Ucrânia, no dia 24 de fevereiro, segundo o chefe da direção-geral de Informações do Ministério da Defesa de Kiev, Kyrylo Budanov.

"Houve um atentado para assassinar [Vladimir] Putin... Inclusivamente diz-se que foi atacado, não há muito tempo, por representantes do Cáucaso", acrescentou Kyrylo Budanov numa entrevista publicada na edição desta terça-feira do jornal "Ukrainska Pravda", de Kiev, sem precisar mais detalhes.

O chefe dos serviços de informações da Ucrânia disse que se tratam "de informações que não são públicas".

"Foi uma tentativa absolutamente falhada que, na realidade, aconteceu. Foi há cerca de dois meses", disse Kyrylo Budanov sem precisar, em concreto, o autor do suposto ataque contra o chefe de Estado da Rússia.

"Repito, esta tentativa não teve êxito. Não houve 'publicidade' sobre este acontecimento, mas aconteceu", reiterou.

Embargo da UE ao petróleo russo possível "dentro de dias"

Um embargo europeu ao petróleo russo é possível "dentro de alguns dias", disse o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, embora tenha reconhecido que a medida não é ainda consensual no seio da União Europeia (UE).

"Apenas alguns estados, especialmente a Hungria, levantaram problemas", disse Habeck à televisão pública alemã ZDF na segunda-feira à noite. Mas "as discussões continuam" e "acho que conseguiremos um avanço em poucos dias".

A UE já anunciou o fim das importações russas de carvão a partir de agosto próximo, mas um embargo de petróleo até ao final do ano ainda está em discussão.

Exército colombiano vai formar soldados ucranianos em desminagem militar

Engenheiros do Exército colombiano vão treinar militares ucranianos em desminagem militar humanitária, na sequência de um pedido da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), revelou o Ministério da Defesa da Colômbia.

Os colombianos participaram, por convite, no grupo de contacto promovido pelos Estados Unidos e destinado a fortalecer as capacidades militares de Kiev.

O ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, explicou que o seu país recebeu um requerimento, por parte da NATO, para "fornecer treino às Forças Armadas ucranianas em desarmamento de minas".

A Colômbia é especialista nesta matéria devido ao seu conflito armado.

Três civis mortos na região de Donetsk

O governador da Administração Militar Regional de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, disse que três civis morreram segunda-feira na sequência de ataques russos, rejeitando adiantar mais pormenores.

À agência de notícias AP, em Kramatorsk, Pavlo Kyrylenko referiu que os conflitos continuavam perto da região de Lugansk e a linha da frente estava sob bombardeamento contínuo.

As regiões de Lugansk e Donetsk estão na área do Donbass, grande parte da qual é controlada por separatistas apoiados pela Rússia desde 2014. O Kremlin está a tentar expandir o território que controla com ataques de artilharia e mísseis.

Vinte países vão doar ajuda militar a Kiev


Foto:Michael Reynolds/EPA

Cerca de 20 países vão doar mais ajuda militar à Ucrânia, como munições, sistemas de defesa costeira, tanques ou veículos blindados, divulgaram os Estados Unidos, que organizaram na segunda-feira uma segunda reunião para fortalecer as capacidades militares de Kiev.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, explicou, em conferência de imprensa, que "muitos países" anunciaram que vão entregar a Kiev munição de artilharia, sistemas de defesa costeira, tanques e veículos blindados de todo o tipo.

"Outros países fizeram novos compromissos para treinar forças ucranianas e apoiar os seus sistemas militares", acrescentou.

Zelensky avisa que derrota da Ucrânia arrastará países da NATO para a guerra

O presidente ucraniano alertou, na segunda-feira, que os Estados Unidos e todos os membros da NATO serão arrastados para uma guerra caso a Rússia conquiste a Ucrânia e avance para outros países. "Se cairmos, se não aguentarmos a defensiva, a Rússia irá continuar e atacar os países bálticos, a Estónia, Lituânia e Letónia, e estados mais pequenos", salientou Volodymyr Zelensky em entrevista à plataforma de notícias Axios.

Bom dia. Assinalam-se hoje, 24 de maio, três meses de guerra na Ucrânia. Do dia anterior destaca-se a condenação a prisão perpétua de um soldado russo acusado de cometer crimes de guerra e o pedido de Volodymyr Zelensky para "sanções convincentes" contra Moscovo.

Leia resumo do 89.º dia de guerra aqui.

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