Dia 134

Putin diz que ainda não começou "nada a sério" na Ucrânia

Augusto CorreiaSandra Alves

O presidente russo, Vladimir Putin|

 foto Alexei Nikolsky / EPA

Odessa continua na mira dos bombardeamentos russos|

 foto EPA

A União Europeia exortou a China a desempenhar um papel mais construtivo na guerra da Ucrânia, à margem da reunião do G20 que, esta quinta-feira, tem início em Bali, na Indonésia. No terreno, as tropas de Moscovo progridem a custo no Donbass, num dia que começou com a destruição de toneladas de cereais. O cargueiro russo que Kiev diz transportar toneladas de cereais roubados entrou em águas russas. Putin diz que ainda não começou "nada a sério" na Ucrânia.

"A Ucrânia está a lutar pela liberdade da Europa", alerta embaixador ucraniano na UE

Borys Tarasyuk, embaixador da Ucrânia no Conselho da Europa, considera que, através da resistência e resiliência que tem vindo a demonstrar, o povo ucraniano tem servido de escudo para proteger a Europa do regime "autoritário" de Vladimir Putin.

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Putin diz que ainda não começou "nada a sério" na Ucrânia

Presidente russo desafiou hoje o Ocidente a derrotar a Rússia no "campo de batalha" da Ucrânia e advertiu que as suas tropas ainda nem começaram "nada a sério" no país que invadiram em 24 de fevereiro.

"Hoje, ouvimos dizer que nos querem derrotar no campo de batalha. O que é que podemos dizer? Que tentem", disse Putin numa reunião com os líderes da câmara baixa do parlamento (Duma) no Kremlin (Presidência) transmitida pela televisão.

"Todos devem saber que ainda não começámos nada a sério" na Ucrânia, disse Putin, segundo relato das agências espanhola EFE e francesa AFP.

Zelensky manifesta tristeza por demissão de Boris Johnson

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, telefonou esta quinta-feira ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para lhe transmitir a sua "tristeza" pela sua saída da liderança do Partido Conservador.

"Todos nós recebemos esta notícia com tristeza. Não só eu, mas também toda a sociedade ucraniana que simpatiza muito consigo", disse Zelensky a Johnson, antes de insistir no reconhecimento dos ucranianos pelo apoio prestado pelo primeiro-ministro britânico no contexto da invasão russa, segundo um comunicado da Presidência ucraniana.

De acordo com uma nota informativa do Governo britânico, Boris Johnson respondeu à mensagem de Zelensky com o compromisso de "um sólido apoio do Reino Unido" à resistência face à invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro.

Kiev agradece a Boris Johnson apoio "nos momentos mais difíceis"

A Presidência da Ucrânia agradeceu ao primeiro-ministro britânico pelo apoio nos "momentos mais difíceis" da invasão russa ao país, após Boris Johnson se demitir como líder do Partido Conservador, o que abre caminho para a sua substituição.

"Obrigado a Boris Johnson por entender a ameaça do monstro russo e estar sempre na vanguarda do apoio à Ucrânia", bem como por "assumir as suas responsabilidades nos momentos mais difíceis", escreveu na rede social Twitter o conselheiro presidencial Mykhailo Podoliak.


Foto: EPA

UE quer Rússia fora da cimeira do G20

A União Europeia (UE) quer ver a Rússia afastada da cimeira do G20, agendada para novembro em Bali, Indonésia, por considerar que a participação de Moscovo "ameaça a credibilidade" do grupo.

"A participação da Rússia a alto nível pode constituir uma ameaça à credibilidade, eficácia e relevância do G20", disse, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, a porta-voz para a Política Externa, Nabila Massrali.

"A terrível guerra contra a Ucrânia e as consequências da agressão da Rússia serão discutidas durante estas reuniões, mas não permitiremos que Moscovo utilize o G20 como plataforma para a sua propaganda", acrescentou ainda.

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, participa esta quinta-feira e na e sexta-feira, em Bali, numa reunião preparatória da cimeira do G20 (as 19 maiores economias do mundo mais a UE) ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros.

Rússia critica o apoio ocidental às "ambições militaristas" de Kiev


Foto: AFP

A Rússia criticou, esta quinta-feira, perante a Turquia o apoio ocidental dado às "ambições militaristas" da Ucrânia, por considerar que isso dificulta a possibilidade de negociações entre Moscovo e Kiev.

Esta posição foi manifestada numa reunião bilateral, realizada antes do encontro entre os chefes da diplomacia dos países do G20, entre o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, e o seu homólogo turco, Mevlut Cavusoglu.

"Confirmou-se a posição de princípio da Rússia sobre a inadmissibilidade do apoio do Ocidente às ambições militaristas do regime de Kiev, que incentiva as autoridades ucranianas a rejeitar os acordos de paz anteriormente alcançados", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado.

Apesar de o diálogo político para alcançar um cessar-fogo estar atualmente suspenso, a Turquia tenta ser mediador entre a Rússia e a Ucrânia e está a intervir diplomaticamente para facilitar um acordo de exportação dos cereais ucranianos, bloqueados pelos russos.

Cargueiro com cereais ucranianos entra em águas russas


Foto:Ozan Kose / AFP

O cargueiro russo Zhibek Zholy, que Kiev diz transportar trigo ucraniano roubado, entrou em águas territoriais da Rússia depois de deixar a costa turca, onde estava imobilizado desde sexta-feira.

O Zhibek Zholy, que estava fundeado no porto de Karasu, no Mar Negro, emitiu o seu mais recente sinal a cerca de 20 quilómetros da costa turca, segundo o site especializado Marine Traffic, que permite acompanhar o tráfego marítimo em tempo real.

De acordo com um alto funcionário turco, a embarcação "entrou em águas territoriais russas, mas não se aproximou de qualquer porto", para já.

A agência de notícias turca DHA informou que o navio de carga suspendeu o 'transponder', o dispositivo usado para acompanhar navios no mar.

As autoridades ucranianas lamentam que o barco pudesse deixar a costa turca, exigindo uma explicação de Ancara.

"Lamentamos que o navio russo Zhibek Zholy, carregado com cereais ucranianos roubados, tenha sido autorizado a deixar o porto de Karasu apesar das provas (...) apresentadas às autoridades turcas", escreveu o porta-voz da diplomacia ucraniana, Oleg Nikolenko, na rede social Twitter.

"O embaixador turco em Kiev será convidado a esclarecer esta situação inaceitável", acrescentou o porta-voz.

EUA esperam progressos sobre preços da energia e alimentos na reunião do G20

Um elemento da administração norte-americana disse acreditar que os chefes da diplomacia do G20 conseguirão fazer progressos para enfrentar algumas das consequências globais da guerra na Ucrânia, apesar da participação russa na reunião em Bali.

Em declarações citadas pela agência francesa AFP, o funcionário norte-americano, que falou aos jornalistas na condição de não ser identificado, referiu que Washington espera progressos na reunião de dois dias que começa, esta quinta-feira, na ilha indonésia de Bali, sobretudo em matérias como a segurança alimentar e os preços da energia.

Polónia concedeu mais de 96 mil vistos a refugiados em maio

A Polónia foi o Estado-membro da União Europeia (UE) que maior número de refugiados ucranianos acolheu em maio (96.085), na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, revelou esta quinta-feira o Gabinete de Estatísticas da União Europeia - o Eurostat.

Depois da Polónia (96.085), a Roménia (20.435) e a Bulgária (19.860) foram os países que mais concederam estatuto de proteção temporária a ucranianos, em maio.

O serviço de estatística da UE ressalva, no entanto, que há casos como o de Portugal - com 3560 vistos concedidos a ucranianos - que deram proteção a pessoas de outras nacionalidades, no caso 825 nigerianos - e da Polónia, que acolheu também 205 russos.

Tropas russas avançam em Sloviansk

As forças armadas ucranianas dizem que conseguiram impedir avanços significativos da Rússia no norte da região do Donetsk, mas a pressão intensifica-se com bombardeamentos pesados à cidade de Sloviansk e áreas populacionais adjacentes.

Segundo o jornal britânico "The Guardian", as foças russas estão a bombardear várias cidades na região norte do Donbass para abrir caminho ao avanço das tropas no terreno em torno da cidade de Sloviansk, que parece ser o próximo alvo de Moscovo na tentativa de conquistar toda a região do Donbass.

Silos de cereais destruídos na Ilha da Serpente e Odessa

Autoridades ucranianas revelaram, esta quinta-feira de manhã, o ataque com mísseis a dois depósitos agrícolas, um em Odessa e outro na ilha da Serpente.

Um porta-voz da administração militar de Odessa, Serhiy Bratchuk, disse que dois rockets "danificaram significativamente" um depósito na ilha da Serpente. Em Odessa, foi atingido um silo "e destruídas 35 toneladas de cereais".

Bom dia, começa aqui o acompanhamento ao minuto do dia 134 da guerra na Ucrânia.