Dia 131

Bandeira da Ucrânia na Ilha da Serpente, Kiev aponta à reconquista de Lysychansk

Sandra AlvesDaniela JogoRita Salcedas

Bandeira da Ucrânia na Ilha da Serpente|

 foto Twitter

Ucranianos retiraram de Lysychansk após vários dias de resistência|

 foto Bagus SARAGIH / AFP

Ao 131.º dia de guerra na Ucrânia realiza-se, na Suíça, a Conferência sobre o Processo Recuperação da Ucrânia, com vista à reconstrução das cidades destruídas pelos bombardeamentos da Rússia. No terreno, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reconheceu a retirada do exército de Lysychansk mas garante a reconquista desta cidade do Donbass. Ataques em Donetsk matam vários civis.

Resposta russa à expulsão de 70 diplomatas por Sofia pode cobrir a UE

Moscovo admite que a sua resposta à expulsão pela Bulgária de 70 membros do seu corpo diplomático pode incidir sobre o conjunto da União Europeia, afirmou hoje a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

"A decisão politizada de Sofia de reduzir de maneira injustificada o nosso pessoal diplomático na Bulgária não vai ficar certamente sem resposta bilateral", declarou Maria Zakharova, em comunicado.

Considerando que a expulsão pela Bulgária ia "bem além da prática diplomática", exortou Sofia e a UE a "refletirem no princípio da reciprocidade subjacente às relações internacionais".

A diplomacia europeia "deve compreender que o apoio irrefletido a ações antirrussas dos diferentes Estados membros impõe ao conjunto da União Europeia a responsabilidade das suas consequências, incluindo na perspetiva das medidas de retorsão da nossa parte", acrescentou.

Moscovo homenageia separatistas ucranianos com nome de zona na cidade

A Câmara Municipal de Moscovo anunciou hoje que vai homenagear os separatistas pró-Rússia, que estão a lutar com as forças russas contra Kiev, no leste da Ucrânia, com o nome de uma zona junto à Embaixada do Reino Unido.

A área, até agora sem nome e ao longo de um dos cais no centro da capital russa, não muito longe da rua Novy Arbat, vai receber o nome da autoproclamada "República Popular de Lugansk", disse o município, citado em comunicado.

A autarquia salientou que a escolha foi feita após uma votação online, na qual participaram mais de 100 mil pessoas. Esta decisão ocorre um dia após o anúncio da Rússia da aquisição de toda a região de Lugansk, no leste do território ucraniano.

Portugal vai reconstruir escolas na região de Jitomir

Portugal vai ajudar na reconstrução de escolas na região ucraniana de Jitomir, a cerca de 150 quilómetros de Kiev, anunciou hoje o ministro da Educação, João Costa.

"Vamos concentrar o nosso apoio numa região específica, Jitomir, onde já temos um trabalho de mapeamento de escolas onde podemos intervir", disse à Lusa o ministro da Educação, que participa na Conferência de Lugano, na Suíça, que tem como objetivo a elaboração de um plano para a reconstrução da Ucrânia.

Estimativas do governo ucraniano apontam para 1200 estabelecimentos de ensino do país destruídos pela guerra, desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro.

Na região de Jitomir os ataques terão destruído 70 escolas que, segundo João Costa, apresentam diferentes níveis de destruição.

Portugal já atribuiu mais de 46 mil proteções temporárias a pessoas que fugiram da guerra

Portugal atribuiu até hoje 46 181 proteções temporárias a pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia, 28% das quais concedidas a menores, anunciou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Das 46 181 proteções temporárias concedidas desde o início do conflito em 24 de fevereiro, 28 243 foram atribuídas a mulheres e 17 938 a homens, segundo a última atualização feita pelo SEF.

O maior número de proteções temporárias foi concedido em Lisboa (9518), seguida de Cascais (2762), Porto (2084), Sintra (1589) e Albufeira (1206).

O SEF indica também que emitiu 40 350 certificados de concessão de autorização de residência ao abrigo do regime de proteção temporária.

Putin declara vitória na região de Lugansk

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou vitória na região leste ucraniana de Lugansk, um dia depois de as forças ucranianas se terem retirado do seu último baluarte de resistência nessa província.

O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, informou Putin durante uma reunião, esta segunda-feira, que as forças russas assumiram o controlo de Lugansk, que juntamente com a província vizinha de Donetsk compõe o centro industrial do Donbass.

Shoigu disse a Putin que "a operação" foi concluída no domingo, depois de as tropas russas terem invadido a cidade de Lysychansk, o último reduto das forças ucranianas em Lugansk.

Zelensky pede participação do mundo democrático na reconstrução do país


Foto: Fabrice Coffrini / AFP

"A reconstrução da Ucrânia é a tarefa comum de todo o mundo democrático", afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao dirigir-se por videoconferência aos participantes na conferência de Lugano, citado pela agência francesa AFP.

Zelensky considerou que a participação no plano de reconstrução constituirá a "contribuição mais importante para a paz mundial" e ficará assinalada no território ucraniano.

"Entre outras coisas, irá criar milhões de novas ligações no mundo democrático, na Europa, entre os nossos países. Cada cidade, cada comunidade, cada indústria que vai ser reconstruída terá provas históricas de quem ajudou nisto", disse Zelensky, segundo a agência ucraniana Ukrinform.

O líder ucraniano agradeceu à Dinamarca, que se ofereceu para reconstruir Mykolaiv (sudeste) e ao Reino Unido pelo interesse manifestado na reconstrução da região de Kiev.

"Convido também todos os países do mundo civilizado e empresas ambiciosas a juntarem-se aos nossos esforços", apelou.

Viena subsidia empresas que comprem gás não russo

A Áustria anunciou que vai subsidiar empresas que levem gás natural não-russo para o país nos próximos meses, no âmbito de um plano para reduzir rapidamente a elevada dependência do país, de 80%, dos fornecimentos da russa Gazprom.

Num comunicado, o ministério do Clima austríaco anunciou "pontos-chave para a promoção da diversificação do gás", elaborados pelo Governo em conformidade com uma nova lei recentemente aprovada no parlamento.

"As empresas que trazem gás natural não-russo para a Áustria e o utilizam aqui entre 1 de julho de 2022 e 31 de dezembro de 2022 receberão financiamento para cobrir parte dos custos adicionais", diz o comunicado.

É um "requisito" para o subsídio "que o gás seja armazenado em depósitos austríacos ou consumido na Áustria", salienta o ministério.

Preço do gás natural sobe para máximo desde março

O preço do gás natural de referência na Europa ultrapassou esta segunda-feira 159 euros por megawatt hora (MWh), um máximo desde 9 de março devido aos receios de um corte no fornecimento da Rússia através do gasoduto Nord Stream I.

Segundo dados da Bloomberg consultados pela Efe, às 11 horas em Lisboa o preço do gás natural TTF (Title Transfer Facility) para entrega em agosto no mercado holandês subiu para 159,50 euros por MWh, mais 8,5% do que na sexta-feira.

Esta subida surge depois de a empresa estatal russa de gás Gazprom ter confirmado na sexta-feira passada que o gasoduto Nord Stream I ficará inoperante durante 11 dias, de 11 a 21 deste mês, devido a reparações.

ONG suíça apela ao Governo para adotar medidas contra oligarcas russos

Uma organização governamental (ONG) da Suíça pediu ao Governo que o país deixe de funcionar como um "refúgio seguro" para os oligarcas russos e como centro para o comércio de petróleo, cereais e carvão russos.

A Public Eye apelou ao executivo suíço que "utilize todos os meios à sua disposição para interromper o financiamento desta agressão inumana", numa referência à invasão militar da Ucrânia pela Rússia.

A ONG emitiu esta declaração no dia em que o presidente suíço, Ignazio Cassis, acolhe responsáveis governamentais, organizações da sociedade civil e instituições das Nações Unidas que participam numa conferência sobre a reconstrução da Ucrânia. Portugal está representado pelo ministro da Educação, João Costa.

Bandeira da Ucrânia volta a ser erguida na ilha da Serpente

A Ilha da Serpente, território no Mar Negro recentemente reconquistado pela Ucrânia com a retirada das tropas russas ocupantes, voltou a ser controlada pelos ucranianos e a erguer a bandeira do país.

"O território foi devolvido à jurisdição da Ucrânia", disse Natalia Humeniuk, porta-voz do comando militar do sul da Ucrânia, em conferência de imprensa.


Foto: Guarda Costeira da Ucrânia/Twitter

Uma turbina eólica pela reconstrução sustentável da Ucrânia

Ativistas da Greenpeace ergueram a representação de uma turbina eólica pela reconstrução sustentável da Ucrânia em Lugano, Suíça, onde teve início, esta segunda-feira, a Conferência sobre o Processo Recuperação da Ucrânia - uma reunião internacional de dois dias.


Fotos: Fabrice Coffrini / AFP

Cosmonautas com as bandeiras de Donetsk e Lugansk

Os três cosmonautas que, em março, chegaram à Estação Espacial Internacional (EEI) com fatos espaciais de cor azul e amarela, levando a associar essa escolha a um eventual apoio à Ucrânia, então recentemente invadida pela Rússia, foram agora fotografados com as bandeiras da autoproclamada República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk, juntamente com uma mensagem a que a agência espacial russa Roscosmos chama de "libertação" de Lugansk.

Oleg Artemyev, Denis Matveyev e Sergey Korsakov seguram cada uma das bandeiras dos dois territórios ocupados, que só são reconhecidos como autoridades legítimas pela Rússia e Síria.

Ataque de madrugada atinge escola em Kharkiv

Um ataque russo cerca das 4 horas, esta segunda-feira, atingiu uma escola em Kharkiv, sem relatos de vítimas, segundo Oleh Synyehubov, governador da região.

"O inimigo atacou as cidades e aldeias dos distritos de Kharkiv, Izium e Bohodukhiv durante o dia. Como resultado dos bombardeamentos, edifícios residenciais, edifícios agrícolas, garagens e outras estruturas foram destruídos", acrescentou.

Disse ainda que três pessoas morreram e seis ficaram feridas num ataque contra a aldeia de Bezruky.

Líder ortodoxo de Belgorod pede o fim da guerra

O responsável da Igreja Ortodoxa de Belgorod, na Rússia, pediu "o fim ao derramamento de sangue em solo ucraniano".

Um ataque no domingo, nesta cidade junto à fronteira com a Ucrânia, causou quatro mortos.

O íder da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill, apoia a invasão russa e tem manifestado várias vezes esse apoio publicamente.

Há 18 mil civis nas cidades ocupadas de Severodonetsk e Lysychansk

Cerca de oito mil civis permanecem na cidade de Severodonetsk e cerca de 10 mil em Lysychansk, segundo Serhai Haidai, governador de Lugansk, na Ucrânia.

"Mantemos a defesa de uma pequena parte da região de Lugansk, para que os nossos militares tenham tempo para construir defesas", acrescentou, numa mensagem na plataforma Telegram.

Nove mortos em bombardeamentos na região de Donetsk

Pelo menos nove civis morreram e outros 25 ficaram feridos em bombardeamentos russos nas últimas horas em vários pontos da região de Donetsk, no leste da Ucrânia.

"Os russos mataram nove civis na região de Donetsk: seis em Sloviansk, um em Avdiivka, um em Bakhmut e um em Zaitseve. Entre os mortos estavam duas crianças: uma em Sloviansk e outra em Zaitseve. Outras 25 pessoas ficaram feridas", disse o chefe da Administração Militar Regional de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, numa publicação na rede social Telegram.

Segundo este responsável, "atualmente é impossível determinar o número exato de vítimas em Mariupol e Volnovakha", ambas cidades ocupadas pelos russos e que também fazem parte daquela região.

A "normalidade" em Kiev em tempos de guerra

Os habitantes de Kiev aproveitam as margens do rio Dnipro para aproveitarem as férias e o sol, depois de mais de quatro meses com o país em guerra.


Fotos: Sergei Supimsky/ AFP

Supremo Tribunal de Israel cancela restrições à entrada de ucranianos

O Supremo Tribunal de Israel eliminou no domingo as restrições à entrada de ucranianos no país. Ao abrigo dos regulamentos vigentes, os ucranianos não necessitam de visto para visitarem Israel por um período máximo de três meses.

Em março, o ministro do Interior, Ayelet Shaked, disse que só seria permitida a permanência de cerca de 20 mil ucranianos que tivessem visto turístico ou estivessem no país ilegalmente antes da invasão russa.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já elogiou a decisão do tribunal israelita. "O Estado de direito e o respeito pelos direitos humanos é exatamente o que distingue uma democracia verdadeira e desenvolvida", escreveu na rede social Twitter.

Londres anuncia medidas de apoio à reconstrução


Foto: Roman Pilipey/EPA

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, apresenta esta segunda-feira um plano a longo prazo para ajudar na reconstrução da Ucrânia assim que a guerra com a Rússia terminar.

Na Conferência sobre o Processo Recuperação da Ucrânia em Lugano, na Suíça, reunião internacional que irá decorrer hoje e terça-feira, Liz Truss irá delinear os planos do Reino Unido para apoiar o país a curto prazo, através da ajuda humanitária, mas também a longo prazo para revitalizar o país, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico.

Londres apoiará a reconstrução da cidade e da região de Kiev, a pedido do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, indica ainda a diplomacia britânica.

Zelensky reconhece retirada de Lysychansk

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reconheceu, no domingo, que as forças ucranianas se retiraram de Lysychansk, no Donbass, mas prometeu restaurar o controlo sobre a área graças às táticas do exército e à perspetiva de armamento novo e aprimorado.

“Se os comandantes do nosso exército retirarem pessoas de certos pontos da linha da frente, onde o inimigo tem a maior vantagem em poder de fogo, e isso também se aplica a Lysychansk, isso significa apenas uma coisa: que regressaremos graças às nossas táticas, graças ao aumento do fornecimento de armas modernas”, disse.

Bom dia! Iniciamos o acompanhamento ao minuto dos principais acontecimentos da guerra na Ucrânia, que entra no 131.º dia de invasão da Rússia. A véspera fica maracada pela retirada do exército ucraniano de Lysychansk, após vários dias de resistência nesta cidade do Donbass.

Relacionadas