Dia 92

Moscovo ajuda a "superar crise alimentar" se sanções forem levantadas

Sandra AlvesDaniela JogoMariana Albuquerque

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Escola destruída em Vilkhivka, em Kharkiv|

 foto SERGEY BOBOK / AFP

Crianças na cidade em ruínas de Mariupol|

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Volodymyr Zelensky|

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Volodymyr Zelensky rejeita a ideia de que a Ucrânia deve ceder o controlo de áreas ocupadas pelas forças russas para alcançar "uma ilusão de paz". Na Rússia, um senador quer proibir figuras do setor da cultura, que se manifestaram contra a guerra, de ocupar cargos estatais e participar em projetos com apoio estatal. Da cidade de Mariupol chega a denúncia de que os ocupantes pretendem "desucranizar" as crianças com um novo "currículo russo" nas escolas. Este é o 92.º dia de guerra.

Lisboa assegura validação da honorabilidade da Associação dos Ucranianos em Portugal

A Câmara de Lisboa assegurou hoje que a honorabilidade da Associação dos Ucranianos em Portugal foi validada junto da embaixada da Ucrânia e do Alto Comissariado para as Migrações, considerando "uma guerra fratricida" as críticas da organização Refugiados Ucranianos.

"A Câmara falou com a embaixada sobre a honorabilidade da Associação dos Ucranianos em Portugal, o Alto Comissariado para as Migrações também validou, identificou e referenciou", afirmou a vereadora dos Direitos Humanos e Sociais, Laurinda Alves.

Em reunião na Assembleia Municipal de Lisboa, num momento de perguntas à Câmara, o deputado municipal do PS Miguel Belo Marques questionou sobre a posição pública assumida pela organização Refugiados Ucranianos (UAPT) relativamente à Associação dos Ucranianos em Portugal, em que "denuncia a ligação à extrema-direita ucraniana por parte do seu presidente Pavlo Sadokha, insinuando que parte dos apoios que recebem são enviados para a Rússia ou para o exército russo, dando o exemplo do caso das latas de atum, capturadas a soldados russos, e que teriam sido enviadas de Lisboa por essa associação".

Em causa está um protocolo entre a Câmara de Lisboa e a Associação dos Ucranianos em Portugal, em que o município prevê a atribuição de 320 mil euros até 2023, para apoio social imediato aos refugiados da Ucrânia, proposta que foi aprovada pelo executivo camarário em 06 de maio, apenas com os votos contra dos vereadores do PCP.

Moscovo pode ajudar a "superar crise alimentar" se sanções forem levantadas

A Rússia "está pronta para dar uma contribuição significativa para superar a crise alimentar através da exportação de grãos e fertilizantes, sujeita ao levantamento de restrições politicamente motivadas pelo Ocidente", disse o presidente russo durante um telefonema com o primeiro-ministro de Itália, Mario Draghi, de acordo com um comunicado do Kremlin.

Vladimir Putin assegurou que as acusações ocidentais de que Moscovo, desde a sua ofensiva na Ucrânia, bloqueou as exportações de cereais ucranianos são "infundadas". "As dificuldades que surgiram estão ligadas, entre outras coisas, a interrupções no funcionamento das cadeias produtivas e logísticas, bem como à política financeira dos países ocidentais durante a pandemia do novo coronavírus", indicou.

"A situação agravou-se devido às restrições antirrussas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia", frisou, referindo-se aos pacotes de sanções sem precedentes que atingiram a Rússia.

A Ucrânia, grande exportadora de cereais, especialmente milho e trigo, viu a sua produção bloqueada devido ao conflito. Por seu lado, a Rússia, outra potência cerealífera, não pode vender a sua produção e os seus fertilizantes por causa das sanções ocidentais que afetam os setores financeiro e logístico. Ambos os países produzem um terço do trigo do mundo.

Vladimir Putin também informou Mario Draghi "do trabalho em andamento para estabelecer uma vida pacífica nas cidades libertadas do Donbass" e que o processo de paz foi "congelado por Kiev".

Bielorrússia está a enviar militares para a fronteira

A Bielorrússia está a formar um comando militar do sul e a movimentar grupos táticos de batalhão para a região que faz fronteira com a Ucrânia, revelou hoje o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, aliado de Moscovo.

Lukashenko não forneceu mais detalhes sobre esta operação, embora os grupos táticos de batalhão consistam normalmente em infantaria mecanizada, incluindo tanques, noticiou a agência Associated Press (AP).

O território da Bielorrússia foi usado para ataques com rockets à Ucrânia, mas os militares bielorrussos não participaram até ao momento na operação terrestre da Rússia no país vizinho.

Dois soldados russos declaram-se culpados por crimes de guerra

Dois soldados russos acusados de crimes de guerra na Ucrânia declararam-se esta quinta-feira culpados, durante uma segunda audiência na cidade de Kotelva, no nordeste ucraniano, depois de um outro militar ter sido condenado a prisão perpétua pelo mesmo motivo.

Alexander Alexeevich Ivanov e Alexander Vladimirovich Bobykin estão acusados de bombardearem uma infraestrutura civil com um lançador de rockets múltiplo.

O julgamento foi marcado para 31 de maio e os militares russos podem ser condenados até 12 anos de prisão.

Alemanha cria ponte ferroviária para as exportações de cereais

A Alemanha criou uma ponte ferroviária com a Ucrânia para a ajudar a exportar os seus cereais, indicou hoje o próximo chefe das forças militares dos EUA na Europa, o general Chris Cavoli.

"Pensamos que existam cerca de 22 milhões de toneladas de cereais bloqueadas na Ucrânia (devido à invasão russa), à espera de serem exportadas", disse Cavoli, em declarações no Congresso norte-americano.

O porto romeno de Constanta participa no esforço de exportação, mas a sua capacidade está limitada a 90 mil toneladas por dia, avançou Cavoli, cuja nomeação para a chefia das forças norte-americanas e, portanto, da NATO, ainda tem de ser confirmada pelo Congresso.

"Mas a Deutsche Bahn respondeu recentemente ao apelo", acrescentou. "Criaram o que chamam 'a ponte ferroviária de Berlim', com base no modelo da ponte aérea de Berlim, para reservar comboios de transporte do trigo ucraniano para a Europa Ocidental".

A transportadora ferroviária alemã "está em vias de retirar da Ucrânia quantidades massivas de cereais neste momento, através da Polónia, em direção dos portos no Norte da Alemanha, para a sua exportação", especificou.

Tribunal russo confirma que 115 soldados recusaram combater

Um tribunal militar russo na região de Kabardino-Balkaria (sul) confirmou a exoneração de 115 soldados do Exército por se recusarem a participar da ofensiva na Ucrânia.

Este caso parece ser o primeiro oficialmente confirmado de soldados russos que se recusam a participar na campanha militar lançada pela Rússia na Ucrânia, em 24 de fevereiro.

92.º dia de conflito

Da "desucranização" das crianças ao regresso das bombas a Kharkiv

Foto: EPA/SERGEY KOZLOV

Ao 92.º dia de guerra, mais dois soldados russos capturados pelas forças ucranianas declararam-se culpados. O Kremlin decidiu estender o ano letivo em Mariupol para "desucranizar" os alunos, recorrendo a um novo "currículo russo". A cidade de Kharkiv, que iniciou um regresso à normalidade em meados de maio, voltou a ser bombardeada.

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Novos bombardeamentos matam sete pessoas em Kharkiv

Sete pessoas foram mortas em novos bombardeamentos sobre Kharkiv, a segunda cidade ucraniana, que iniciou um regresso à normalidade em meados de maio, indicou esta quinta-feira no Telegram o governador regional Oleg Sinegubov.

"Os ocupantes bombardeiam de novo o centro regional", declarou Sinegubov na rede social.

"Sete civis foram mortos e 17 feridos, incluindo uma criança de nove anos", precisou. Um balanço precedente referia-se a quatro mortos e sete feridos.

Líder pró-russo de Donetsk admite presença de militares ucranianos em Azovstal

O líder da região separatista russófona de Donetsk, leste da Ucrânia, indiciou esta quinta-feira que diversos combatentes ucranianos ainda podem estar escondidos no complexo siderúrgico de Azovstal, em Mariupol, e após Moscovo ter declarado o fim da operação.

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Ucrânia: OMS aprova resolução contra Moscovo e denuncia emergência sanitária causada por invasão

Os países-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) adotaram uma resolução, apresentada pela Ucrânia, que condena "nos termos mais fortes" a agressão militar russa e, em particular, os ataques contra as infraestruturas de saúde ucranianas.

Dentro do painel de 194 países que integram esta agência do sistema das Nações Unidas, a resolução foi adotada por 88 votos a favor, 12 contra e 53 abstenções.

O texto, proposto pela Ucrânia na assembleia anual da OMS a decorrer em Genebra com o apoio de cerca de outros 50 países (incluindo os Estados Unidos, maioria dos membros da União Europeia e o Reino Unido), também exorta a Rússia a "cessar imediatamente os ataques contra hospitais" e outras infraestruturas de saúde em solo ucraniano.

Rússia declara ter destruído mais de 500 alvos ucranianos em 24 horas

A Rússia avançou esta quinta-feira que destruiu mais de 500 alvos ucranianos, incluindo um centro de inteligência eletrónica, atingido por mísseis de alta precisão, matando 11 militares ucranianos e 15 especialistas estrangeiros.

"Na área da aldeia de Dniprovske, em Mykolaiv, foi destruído um centro de inteligência eletrónica ucraniano e mortos 11 militares e 15 especialistas estrangeiros, que chegaram com guarda-costas", afirmou o porta-voz do Ministério de Defesa russo, major-general Igor Konashenkov, no briefing matinal de guerra.

Ocidente deve assegurar que Putin perde a guerra

Os países ocidentais devem garantir que o presidente russo, Vladimir Putin, perde a guerra na Ucrânia, continuando a apoiar Kiev sem hesitações, defendeu esta quinta-feira a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica.

"Não pode ser oferecido nenhum acordo ou apaziguamento a Putin", afirmou Liz Truss em Sarajevo, onde se encontrou hoje com o seu homólogo bósnio, Bisera Turkovic.

Autoridades ucranianas dizem que combates no leste do país atingiram "intensidade máxima"

Os combates das forças ucranianas contra as tropas russas no leste da Ucrânia atingiram a sua "intensidade máxima", disse hoje a vice-ministra da Defesa ucraniana, Ganna Malyar.

"Os combates atingiram a sua intensidade máxima e espera-nos uma etapa longa e extremamente difícil", disse a vice-ministra, numa conferência de imprensa.

Putin diz que é impossível o Ocidente isolar a Rússia

Foto: Mikhail METZEL / SPUTNIK / AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, avisou esta quinta-feira que é "impossível isolar a Rússia", referindo-se às sanções contra o seu país por causa da invasão da Ucrânia, e sublinhou que nenhum "polícia global" travará a sua independência.

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Mais de 150 crianças morreram em Donetsk desde o início do conflito

Foto: EPA/ALESSANDRO GUERRA

As autoridades ucranianas anunciaram esta quinta-feira que mais de 150 crianças morreram na região de Donetsk desde o início da invasão.

O número é significativamente maior do que em qualquer outra região do país.

Diplomacia russa diz que plano de paz italiano não é "sério"

Foto: EPA/YURI KADOBNOV / POOL

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, considerou esta quinta-feira que o plano de paz para a guerra na Ucrânia proposto pela Itália não é "sério".

O chefe da diplomacia russa disse também que só conhecia o conteúdo através da comunicação social, uma vez que o texto não tinha sido comunicado a Moscovo.

O vice-ministro e adjunto de Lavrov, Andrei Rudenko, disse na segunda-feira que tinha recebido a proposta italiana e que estava a ser estudada.

"Fala sobre a Crimeia [a península ucraniana anexada pela Rússia em 2014] e o Donbass [que reúne as áreas sob controlo de separatistas pró-russos, Donetsk e Lugansk] como pertencentes à Ucrânia com ampla autonomia", disse Lavrov numa entrevista aos meios de comunicação estatais russos RT, divulgada hoje.

"Os políticos sérios que querem resultados não podem propor coisas como esta, aqueles que o querem são aqueles que se querem promover perante o seu eleitorado", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, numa aparente referência ao seu homólogo italiano, Luigi Di Maio.

Itália revoga por "indignidade" condecorações atribuídas a responsáveis russos

A Itália revogou por "indignidade" a condecoração que concedeu ao primeiro-ministro russo, a dois outros membros do Governo e ao presidente do banco VTB, a segunda maior empresa bancária estatal da Rússia, noticiou a imprensa local.

A revogação da condecoração de Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem da Estrela de Itália atribuída ao chefe do Governo russo, Mikhail Mishustin, e também ao ministro da Indústria e Comércio, Denis Manturov, surge num decreto assinado pelo Presidente da República, Sergio Mattarella, e publicado no Diário Oficial do Estado.

Moody's baixa estimativa de crescimento da zona euro para 2,5% em 2022

A Moody's baixou a previsão de crescimento económico da zona euro para 2,5% em 2022, menos três décimas que a anterior, devido ao impacto da guerra na Ucrânia, foi hoje anunciado.

No relatório macroeconómico global publicado esta quinta-feira, a agência de rating aumentou a previsão para 2023 em uma décima para 2,3% e coloca a Europa como a região mais afetada pelo conflito, devido à sua proximidade e dependência da energia russa, na medida em que um corte no abastecimento forçaria o racionamento de energia em vários setores, levando a uma recessão.

A Moody's acrescenta que o conflito contribui tanto para reforçar as pressões inflacionistas como para moderar a atividade económica, razão pela qual reduziu as previsões para a França (para 2,2%, menos meio ponto percentual) e Itália (para 2,3%, menos nove décimas), mantendo as da Alemanha em 1,8% e as do Reino Unido em 2,8%.

Putin acusa Ocidente de "roubo" de bens russos


Foto: Mikhail Metzel / SPUTNIK / AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou o Ocidente de "roubo" dos bens russos congelados e confiscados durante a ofensiva militar da Rússia na Ucrânia, avisando que nada de bom virá de tais medidas.

"A violação de regras e regulamentos no campo das finanças e do comércio internacional não leva a nada de bom. E, em termos simples, só trará problemas a quem o fizer", afirmou, durante uma intervenção por videoconferência na sessão plenária do Fórum Económico da Eurásia, que decorre em Bishkek, no Quirguistão.

"O roubo de ativos alheios nunca trouxe nada de bom a ninguém, especialmente àqueles que estão envolvidos nesse negócio indecoroso", reiterou Putin.

As palavras do presidente russo foram ditas dois dias depois de a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Eslováquia terem pedido aos seus parceiros da União Europeia (UE) que usem os cerca de 300 mil milhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia congelados na sequência das sanções impostas a Moscovo para financiar a reconstrução da Ucrânia.

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Kremlin espera que Kiev assuma "situação real" e aceite negociar

A Rússia espera que a Ucrânia tome consciência da "situação real" que foi criada no terreno e aceite assim as exigências de Moscovo para negociar um cessar-fogo, disse hoje o Kremlin.

"Moscovo espera que Kiev aceite as suas exigências e tome consciência da situação real, da situação de facto no terreno", disse o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov, no seu briefing diário à imprensa.

O representante do Kremlin respondia a uma pergunta sobre as recentes declarações do antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger sobre a situação na Ucrânia e as expectativas de Moscovo.

Anteriormente, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou a ideia apresentada por algumas figuras políticas ocidentais, incluindo Kissinger, de ceder território à Rússia a fim de alcançar a paz.

O líder ucraniano criticou as observações de Kissinger no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, que sugeriu na terça-feira que as conversações de paz deveriam visar a criação de fronteiras ao longo da "linha de contacto" na conturbada região do Donbass (leste da Ucrânia), tal como existia antes da intervenção militar russa.

"Estamos a tentar regressar à vida normal, mas não é tarefa fácil", diz autarca de Kiev

O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou hoje que, com a retirada das tropas russas da região, a sua atual e principal tarefa é trazer de novo a normalidade e a segurança à capital da Ucrânia.

"Agora estamos a tentar regressar à vida normal, mas não é uma tarefa fácil", afirmou Klitschko, numa conferência de imprensa realizada no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, que hoje encerra a sua reunião anual.

Segundo o autarca da capital ucraniana, durante as semanas em que a região foi alvo de ataques russos, morreram 120 pessoas, incluindo quatro crianças, sendo que mais de 300 ficaram feridas.

Acrescentou ainda que mais de 200 edifícios residenciais foram danificados, bem como se assinalou a destruição de uma refinaria perto de Kiev e centros logísticos de distribuição de alimentos.

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150 civis enterrados em valas comuns em Lysychansk

A polícia ucraniana na cidade de Lysychansk enterrou 150 corpos de civis em valas comuns, de acordo com um alto funcionário citado pela BBC.

No entanto, o governador revelou que as famílias das vítimas poderão realizar um novo enterro após o fim da guerra. A polícia está ainda a emitir certidões de óbito para os entes queridos.

Entretanto, o conselheiro do governo ucraniano Vadym Denisenko diz que a guerra "está agora concentrada no Donbass", acrescentando que a situação é muito tensa à medida que os grupos tácticos russos tentam cercar as forças ucranianas.

Banco Central da Rússia baixa taxa de juro em 3 pontos percentuais para 11%

O Banco Central da Rússia (BCR) baixou hoje a taxa de juro em três pontos para 11%, numa altura em que o rublo sobe face ao dólar para máximos desde 2018.

Numa reunião extraordinária, o Conselho de Administração do BCR decidiu baixar a taxa de juro de 14% no final de abril para 11%, por constatar uma "desaceleração significativa" no aumento da inflação e um reforço do rublo.

O rublo subiu para máximos nos últimos dias, depois de ter caído a pique nos primeiros dias da denominada campanha militar do Kremlin na Ucrânia.

"Os últimos dados semanais apontam para uma desaceleração significativa na atual taxa de crescimento dos preços. A pressão inflacionista é aliviada pela dinâmica da taxa de câmbio do rublo, bem como pelo declínio significativo das expectativas de inflação das famílias e das empresas", disse o BCR num comunicado.

Europa não pode permitir que Putin ganhe a guerra

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse hoje que a Europa não pode permitir que o Presidente russo, Vladimir Putin, ganhe a guerra contra a Ucrânia, garantindo estar convencido que isso não acontecerá.

"Não podemos permitir que Putin ganhe a guerra e acho que isso não acontecerá. Até agora, não alcançou nenhum dos seus objetivos estratégicos e um deles, o de ocupar toda a Ucrânia, está mais longe do que nunca", afirmou Scholz, numa intervenção no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, que hoje encerra a sua reunião anual.

Para o chanceler alemão, o que está em jogo desde o início da invasão russa da Ucrânia é todo o sistema de cooperação internacional que foi desenhado após a Segunda Guerra Mundial.

A situação na Ucrânia explica-se tanto pela resistência "impressionante" das forças ucranianas como pela reação dos aliados ocidentais, que impuseram sanções sem precedentes contra Moscovo e apoiaram Kiev, inclusive militarmente, considerou o dirigente alemão.

Rússia nega bloqueio às exportações de cereais da Ucrânia

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou, esta quinta-feira, as acusações de que a Rússia está a impedir a saída de cereais da Ucrânia. Peskov acusou ainda o Ocidente de ser o criador do bloqueio ao impor sanções à Rússia.

"Nós não aceitamos estas acusações. Pelo contrário, culpamos os países ocidentais por terem tomado medidas que nos conduziram a esta situação", disse.

Os portos ucranianos no Mar Negro estão bloqueados desde o início da invasão, deixando mais de 20 milhões de toneladas de cereais presos no país.

Rússia foi o país que disparou mais mísseis desde a 2.ª Guerra Mundial

A Rússia disparou mais mísseis na campanha da Ucrânia do que qualquer outro país em outros conflitos desde a Segunda Guerra Mundial, referem especialistas militares à revista norte-americana Newsweek, que sublinha falhas da campanha russa.

De acordo com a publicação, o elevado número de disparos desde o passado dia 24 de fevereiro não foi suficiente para o invasor vencer o conflito, que se prolonga há mais de três meses, sublinhando que a "campanha de bombardeamentos" conseguiu na prática "poucos" resultados.

"[Um total de] 2.154 mísseis russos atingiram as nossas cidades e comunidades em pouco mais de dois meses", disse na semana passada o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

"O bombardeamento russo da Ucrânia não cessa nem de dia nem de noite", frisou o chefe de Estado da Ucrânia.

Dois soldados russos declaram-se "culpados" em novo julgamento por crimes de guerra

Dois soldados russos capturados pelas forças ucranianas declararam-se culpados de bombardear uma cidade no leste da Ucrânia, no segundo julgamento por crimes de guerra a decorrer no país, segundo o jornal espanhol "El Mundo".

No julgamento no tribunal distrital de Kotelevska, no centro da Ucrânia, os procuradores pediram que Alexander Bobikin e Alexander Ivanov fossem presos durante 12 anos por violarem as leis da guerra.

O advogado de defesa apelou à clemência e disse que os dois soldados estavam apenas a cumprir ordens e que se tinham arrependido.

Bobikin e Ivanov, que estavam numa caixa de vidro reforçado, admitiram fazer parte de uma unidade de artilharia que disparou sobre alvos na região de Kharkiv a partir da região de Belgorod, na Rússia. Os bombardeamentos destruíram um estabelecimento de ensino na cidade de Derhachi, disseram os promotores de justiça.

Oito mil prisioneiros ucranianos no Donbass

Cerca de oito mil soldados ucranianos foram feitos prisioneiros na região do Donbass, leste da Ucrânia, pelos separatistas pró-russos, disse Rodion Miroshnik, o "embaixador" na Rússia da autoproclamada República Popular de Lugansk.

"Há muitos prisioneiros. É evidente que há mais no território da República Popular de Donetsk, mas nós [Lugansk] também temos bastantes, sendo que o número ronda atualmente os oito mil", disse Rodion Miroshnik citado pela agência russa TASS.

"São muitos e literalmente há centenas todos os dias", acrescentou.

As milícias pró-russas de Donetsk e Lugansk - duas regiões separatistas na Ucrânia que a Rússia reconheceu como independentes antes de lançar a campanha militar em território ucraniano - e as tropas de Moscovo têm bombardeado intensamente a região de Donbass.

"Não há férias": Rússia estende ano letivo em Mariupol para introduzir "currículo russo"

As novas autoridades russas estabelecidas na cidade ucraniana de Mariupol decidiram estender o atual ano letivo nos próximos meses para submeter os alunos ucranianos a um novo "currículo russo".

Petro Andriushchenko, conselheiro do autarca ucraniano desta cidade costeira do sul da Ucrânia, fez o alerta na rede social Telegram, garantindo que os "inimigos russos" estão a tentar "desucranizar" as crianças do país.

"Os ocupantes anunciaram a extensão do ano letivo até 1 de setembro. Não há férias. O seu principal objetivo é 'desucranizar' as crianças em idade escolar e prepará-las para o currículo russo que terão que assumir no próximo ano letivo", disse o conselheiro municipal.

Mariupol está sob domínio militar da Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.

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Portugal autorizou venda do Chelsea


Foto: AFP

O Governo português deu autorização à venda do Chelsea Football Club por Romam Abramovich, cidadão russo com passaporte português, e as receitas serão usadas para fins humanitários.

Em comunicado, o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros explica que as duas autoridades nacionais competentes - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Ministério das Finanças - deram luz verde ao pedido recebido da parte de Roman Abramovich "para uma derrogação humanitária, permitindo que o clube inglês seja transacionado".

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Pelo menos quatro civis mortos na região de Donetsk

Ataques russos mataram pelo menos quatro civis em Donetsk, na quarta-feira, revelou esta quinta-feira o chefe do governo da região do leste da Ucrânia, Pavlo Kirilenko.

As mortes ocorreram em Liman, Sidorov e Beoresto, elevando o número de vítimas na região para 431 mortos e 1168 feridos, disse, na plataforma Telegram.

O governante sublinhou, no entanto, que "é impossível determinar o número exato de vítimas em Mariupol e Volnovaja".

Zelensky rejeita ideia de ceder áreas ocupadas "por uma ilusão de paz"

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou inequivocamente, na quarta-feira, a sugestão de alguns ocidentais de que a Ucrânia devia ceder o controlo de áreas ocupadas pelas forças russas para alcançar um acordo de paz.

"Os grandes geopolíticos que sugerem isto estão a desconsiderar os interesses dos ucranianos comuns, dos milhões que realmente vivem no território que estão a propor trocar por uma ilusão de paz", sublinhou Volodymyr Zelensky, durante o seu discurso noturno diário dirigido à nação.

Para Zelensky, primeiro estão as pessoas e "os valores não são apenas palavras".

O chefe de Estado ucraniano comparou ainda aqueles que defendem dar à Rússia um pedaço da Ucrânia com os que cederam territórios a Hitler, na esperança de evitar a Segunda Guerra Mundial.

Os interesses da Ucrânia não devem ser superados pelos "interesses daqueles que estão com pressa para encontrar um ditador novamente", apontou, referindo-se ao presidente russo, Vladimir Putin.

Presidente do Senado russo alerta para "caça às bruxas"

A presidente do Conselho da Federação (Senado) da Rússia, Valentina Matviyenko, alertou para uma "caça às bruxas" daqueles que rejeitam a "operação militar especial" na Ucrânia.

"Precisamos que não haja uma 'caça às bruxas'. Se começar, seria a pior coisa que poderia acontecer, disse Matviyenko em plenário antes de o senador Pavel Tarakanov propor um mecanismo para interditar figuras ligadas ao setor da cultura que se manifestaram contra as ações militares russas em território ucraniano.

De acordo com Pavel Tarakanov, essas pessoas deveriam ser proibidas de ocupar cargos estatais e participar em projetos com presença estatal.

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Bom dia. Iniciamos o acompanhamento ao minuto do 92.º dia de guerra recordando os momentos chave do dia anterior, marcado pela destruição na zona leste da Ucrânia e pelas afirmações de Volodymyr Zelensky sobre a falta de união do Ocidente.

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