O Jogo ao Vivo

Os pontos chave do ataque

Crianças e adolescentes entre os 84 mortos em Nice

Crianças e adolescentes entre os 84 mortos em Nice

Um camião provocou pelo menos 84 mortes, quinta-feira à noite, ao investir sobre a multidão que se juntara para assistir, em Nice, ao fogo-de-artifício do Dia da Bastilha. Hollande diz que há cerca de 50 feridos em "urgência absoluta".

A TVI24 noticiou que existiriam dois lusodescendentes entre as vítimas do ataque. Trata-se de cidadãos franceses, mas com origem numa família caboverdiana, que viveu em Portugal, e que se mudou, entretanto, para Nice. Não está confirmado que a família tenha nacionalidade portuguesa.

Pelo menos um cidadão português ficou ferido na sequência do ataque, confirmam fontes oficiais.

O ataque com um camião em Nice causou 84 mortos e 202 feridos, incluindo 52 feridos muito graves, segundo o último balanço transmitido esta tarde aos jornalistas pelo procurador François Moulins.

"Entre estas 52 pessoas, 25 estão ainda nos cuidados intensivos", afirmou lembrando que o balanço de vítimas poderá aumentar. Há dez crianças ou adolescentes entre as vítimas mortais do ataque.

Segundo o presidente François Hollande, numa declaração ao país esta sexta-feira à tarde tarde, "há cerca de 50 pessoas que ainda permanecem em urgência absoluta, quer dizer entre a vida e a morte".

Acelerou sobre a multidão

O condutor acelerou sobre a multidão que estava na marginal de Nice a ver o fogo-de-artifício comemorativo do dia da Bastilha, o dia de França, às 23.20 horas locais (22.20 em Portugal continental), antes de ser abatido pela polícia. Terá percorrido cerca de dois quilómetros, em ziguezague, enquanto atropelava a multidão.

Antes de morrer, ainda disparou contra três agentes da polícia, revelou o procurador François Molins. "Ele atirou várias vezes", afirmou o presidente da região de Provence-Alpes-Cote d'Azur, Christian Estrosi.

Uma fonte próxima da investigação, citada pela agência AFP, indicou, por seu turno, que uma granada "inoperacional" foi encontrada no interior do camião de 19 toneladas uma pistola de calibre 7.65 usada, bem como duas grandes armas e granadas falsas.

Segundo um vídeo entretanto revelado, a polícia tentou travar o atacante ainda antes deste chegar junto das pessoas. As imagens mostram alguns agentes a disparar para o veículo, que continuou a marcha.

Uma testemunha diz ter visto um motociclista a tentar travar o camião que avançava sobre as pessoas, sem resultados, tendo sido também ele atropelado.

Ao volante, revela o jornal local "Nice Matin", estava Mohamed Lahouaiej Bouhlel, um homem referido como sendo um franco-tunisino, de 31 anos, natural da Tunísia e residente em Nice. Já foi identificado formalmente pela polícia O suspeito era conhecido das autoridades, mas não por estar relacionado com atividades terroristas, pelo que não constava em nenhuma lista dos serviços de informações franceses. Tinha cadastro por roubo e violência.

Dentro do camião foi encontrado uma carta de condução, um cartão bancário e um telemóvel.

Uma das questões chave para os investigadores é saber se houve cúmplices. A esse respeito, a France2 realçou que a análise às imagens de videovigilância do Passeio dos Ingleses mostra que mais ninguém subiu ou desceu do camião depois do ataque.

O estado de emergência em França, cujo período iria acabar no final de julho, vai ser prolongado por mais três meses.

O ataque não foi ainda reivindicado.

As autoridades francesas isolaram, esta manhã, o local e a informação sobre a identificação e nacionalidade das vítimas ainda é escassa.

Momentos de terror

As imagens que chegaram da "Promenade des Anglais", uma das zonas turísticas mais procuradas daquela cidade da Côte D'Azur, são de grande crueza. Corpos espalhados pelo chão esmagados pelo camião, familiares e amigos a seu lado a pedir ajuda e uma incógnita: o que provocou isto?

Autoridades transformaram Centro Universitário do Mediterrâneo, no coração da cidade de Nice, num "centro de informação e acolhimento" para familiares das vítimas e pessoas que andam à procura de familiares que estavam no Passeio dos Ingleses e não dão noticias.

Apesar de em várias contas nas redes sociais ligadas ao Estado Islâmico se louvar o ataque, até ao momento o grupo radical não reivindicou o atentado e as autoridades francesas são prudentes ao referir o caso, que foi entregue à divisão antiterrorista da procuradoria de Paris.

As descrições do momento apontam todas para uma ideia: o ato terá sido premeditado. Quem conseguiu, escapou em pânico pela rua ou para dentro de edifícios, mas outros não tiveram a mesma sorte. Para além dos que morreram esmagados pelas rodas do camião, há também relato de feridos atingidos por armas de fogo.

Entre os que aproveitavam a noite do feriado nacional para passear na marginal de Nice, estava o português Miguel Cunha, que viu o camião a parar a cerca de 30 metros do local onde estava com amigos.

Damien Allemand é outra das testemunhas que relata os momentos de horror em Nice. "Vi corpos a voar como pinos de bowling à passagem do camião. Ouvi barulhos e gritos que jamais irei esquecer", afirmou ao "Nice Matin".

Roy Calley, que vive a cerca de 200 metros do local, disse à estação britânica BBC que "foi um pandemónio" quando a "atmosfera de celebração" se transformou em algo "bastante horrendo". As pessoas estavam a divertir-se. "De repente, ouvi um estrondo gigantesco, como uma explosão ou uma colisão. Muitas pessoas gritavam e penso que a seguir se ouviram tiros".

A australiana Emily Watkins contou que estava a 50 metros do local do ataque, viu o camião na avenida mas não se lembra de o ter visto a mover-se: "Havia muita confusão", afirmou à Australian Broadcasting Corporation.

"Havia muitos gritos à nossa frente, onde o camião estava, e as pessoas corriam na nossa direção. Não sabíamos o que se passava mas corremos também. Enquanto isso ouvimos o que na altura me pareceu ser mais fogo-de-artifício", afirmou. Emily Watkins contou que "as pessoas tropeçavam e tentavam entrar nos hotéis, restaurantes, parques de estacionamento ou qualquer lado para onde pudessem entrar para fugir da rua".

Reações

O Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou ao Chefe de Estado francês um telegrama de condolências e solidariedade.

"Comovido com as notícias que nos chegam desde Nice estou a acompanhá-las com preocupação. Os meus pêsames para as vítimas e todo o povo francês", disse Mariano Rajoy, chefe do Governo espanhol.

Governo português "repudia e condena veementemente" o atentado ocorrido quinta-feira à noite em Nice, França, e o primeiro-ministro, António Costa, já enviou mensagens de condolências ao Presidente francês, François Hollande, e ao seu homólogo, Manuel Valls.

Obama manifestou solidariedade com a França e condenou "o que parece ser um horrível ataque terrorista".

* Com Óscar Queiros

ver mais vídeos