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Após declarações de Trump, Nova Iorque regista casos de "exposição a desinfetantes"

Após declarações de Trump, Nova Iorque regista casos de "exposição a desinfetantes"

Depois das declarações de Donald Trump, na última quinta-feira, a sugerir a injeção de desinfetantes nos pulmões de pacientes infetados, já há relatos de danos causados por exposição a produtos de desinfeção, em Nova Iorque.

O Centro de Controlo de Envenenamentos de Nova Iorque recebeu cerca de trinta telefonemas esta sexta-feira relacionadas com exposição a produtos de limpeza e desinfetantes. Os casos surgiram logo após as observações do presidente dos EUA, Donald Trump, nas quais sugeria a injeção desses produtos com o objetivo de matar o novo coronavírus.

Segundo informações fornecidas à agência Efe, o departamento deu conta de nove casos de exposição a lixívia, dez relacionados com desinfetantes e onze com outros produtos de limpeza doméstica. Os casos reportados àquele Centro aconteceram entre esta sexta-feira e sábado.

O Centro de Controlo de Envenenamentos não especifica que tipo de exposição houve, se por contacto com a pele ou por ingestão, mas indica que nenhum desses casos necessitou de tratamento hospitalar ou levou a qualquer morte.

Após as declarações de Donald Trump, fabricantes de desinfetantes emitiram vários comunicados a anunciar os malefícios para a saúde da ingestão de lixívia ou de outro tipo de desinfetante, recordando que esses produtos não devem ser consumidos.

A "Reckitt Benckiser", empresa britânica que fabrica o desinfetante doméstico "Lysol", em comunicado divulgado esta sexta-feira, viu-se obrigada a esclarecer que "produtos de higiene e de limpeza ou produtos desinfetantes, sob nenhuma circunstância, devem ser administrados dentro do corpo humano (seja por injeção, ingestão ou qualquer outra via".

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Stephen Hahn, comissário da Administração de Alimentos e Medicamentos do governo e membro do grupo de trabalho da Casa Branca sobre a Covid-19, disse, por seu turno, que "certamente não recomendaria a ingestão de um desinfetante".

Craig Spencer, médico de saúde global do "Columbia University Medical Center", em Nova Iork, confessou estar preocupado com o facto de "as pessoas morrerem por isso". "Haverá quem possa achar que é uma boa ideia", acrescentou o médico, em entrevista ao "The Washington Post". A sugestão de Trump "não é trivial, disse algo de passagem, uma ideia de que talvez isso funcione. É perigoso ", lamentou.

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