Migrantes

Após morte de duas crianças, EUA anunciam testes médicos a 14 mil menores detidos

Após morte de duas crianças, EUA anunciam testes médicos a 14 mil menores detidos

Jakelin, 7 anos, morreu a 8 de dezembro. Felipe Gómez Alonzo, 8 anos, morreu dia 25. Ambos da Guatemala. Morreram sob custódia dos EUA depois de passarem a fronteira.

Felipe atravessou a fronteira dos Estados Unidos com o pai, Agustin, após andar os 3190 quilómetros que separam a terra natal, Nentón, na Guatemala, e Alamogordo, no Novo México. Desconhecem-se as causas da morte. Primeiro foi diagnosticado com febre e gripe e mandando embora pelo hospital onde foi assistido. Regressou horas depois com náuseas e vómitos e morreu horas depois, na madrugada de 25 de dezembro.

O caso ocorreu 17 dias depois de Jakelin, também da Guatemala, morrer à sede, dois dias após ser detida juntamente com a família pela guarda fronteiriça, e só ter sido assistida 90 minutos após os primeiros sinais.

As mortes de Jakelin e Felipe relançaram o debate sobre a política de "tolerância zero" da administração Trump com a imigração ilegal e levantaram as vozes dos defensores dos imigrantes contra o que dizem ser uma catástrofe humanitária.

As críticas levaram a agência de vigilância das fronteiras, a Customs and Border Protection (CBP), a anunciar que vai fazer exames médicos a todas as crianças com menos de 10 anos que tem sob custódia.

Serão cerca de 14 mil os menores que estão detidos pelas autoridades norte-americanas após a entrada ilegal no país. O número não é conhecido oficialmente. O "The Washington Post" aponta para "vários milhares". Poderão exceder os 20 mil se considerados os menores de 16 anos detidos antes da recente vaga de migrantes provenientes das Honduras.

O anúncio feito pelo próprio diretor da agência, Kevin K. McAleenan, não revela pormenores da nova estratégia mas as crianças que forem detetadas a entrar ilegalmente só serão avaliadas por profissionais de saúde se revelarem algum sintoma de doença.

Os centros de detenção não têm capacidade para acolher e dar assistência médica às operações de detenção na fronteira, tanto por serem em elevado número, como por serem indiscriminadas. Anteriormente as autoridades da fronteira centravam-se na identificação e detenção de suspeitos de grupos mafiosos ou criminosos com antecedentes. No último ano, a política que impera é a de deter todos os que passam ilegalmente a fronteira. Incluindo crianças, para as quais não há respostas adequadas.