EUA

Aprovado primeiro passo para a destituição de Trump 

Aprovado primeiro passo para a destituição de Trump 

Democratas conseguem aprovar "impeachment" na Câmara dos Representantes. Dez republicanos apoiaram a retirada do presidente cessante da Casa Branca.

O tempo começa a esgotar-se, mas "nunca é tarde demais". A Câmara dos Representantes, num momento histórico da política dos Estados Unidos, aprovou o segundo processo de destituição de Donald Trump, presidente cessante, que poderá servir para impedir uma nova candidatura em 2024.

A iniciativa foi aprovada com 232 votos a favor - dos quais dez republicanos - e 197 contra. Mesmo assim, o processo iniciado pelos democratas, e apoiado por várias figuras do partido oposto, será atrasado pelo líder da maioria dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, que já garantiu que não aceitará o julgamento político de Trump antes de Joe Biden tomar posse, na próxima quarta-feira.

Acusado de incitar à violência e de colocar em risco a segurança do país, o republicano torna-se o primeiro presidente a enfrentar dois "impeachments". O procedimento passará agora para o Senado, onde os democratas não têm ainda a maioria.

Se o Senado aprovar a condenação de Trump, a Constituição permite uma votação posterior para impedir o exercício como funcionário do Estado. Apesar de McConnell ter dito que o julgamento não será feito antes de 20 deste mês, o senador admitiu votar a favor da destituição no julgamento na câmara alta do Congresso, bem como apoiar a expulsão de Trump do seu partido.

PUB

"Pretendo ouvir os argumentos jurídicos quando forem apresentados ao Senado", escreveu McConnell aos colegas republicanos, numa nota tornada pública.

Empurrado da própria casa

Num Capitólio agora aparentemente impenetrável, vários foram os que insistiram no "impeachment" de Trump. Para Nancy Pelosi, a democrata presidente da Câmara dos Representantes e uma das figuras mais ativas na tentativa de retirar o presidente da Casa Branca, Trump tem de ser "destituído e condenado pelo Senado" por ser "um perigo claro e presente para a nação".

"Não podemos escapar da História. Nós seremos lembrados, apesar de nós mesmos", insistiu Pelosi, citando o antigo presidente Abraham Lincoln.

Também o democrata Steny H. Hoyer, que disse ter servido com Ronald Reagan, George H. W. Bush e George W. Bush, "presidentes que sempre mostraram respeito", reforçou que o presidente cessante não mostrou respeito pelo país nem pela Constituição. "Por isso, deve ser removido do cargo. Resta pouco tempo? Sim, mas nunca é tarde demais para fazer a coisa certa."

A vontade de remover Trump do cargo, mesmo faltando seis dias para o término do mandato, chegou a vários e importantes membros do seu próprio partido.

"Convocou esta manifestação, reuniu e acendeu a chama do ataque [ao Capitólio]. Nada disto teria acontecido sem o presidente. Votarei para destituí-lo", afirmou Liz Cheney, número três dos republicanos na Câmara dos Representantes e filha do antigo vice-presidente Dick Cheney.

A ela, juntaram-se outros nove membros do Partido Republicano, representantes de oito estados.

Outras Notícias