Árabes israelitas

"Os palestinianos do interior" que denunciam a marginalização

"Os palestinianos do interior" que denunciam a marginalização

Autodenominam-se "os palestinianos do interior" e são designados pelos israelitas de "árabes": os árabes israelitas, palestinianos que permaneceram nas suas terras quando Israel foi criado em 1948, deixaram, mais uma vez, o seu desconforto explodir nos últimos dias.

Israel conta oficialmente com 1,8 milhões de árabes, muçulmanos e cristãos, ou seja, cerca de 20% da sua população, descendentes dos 160 mil palestinianos que não abandonaram o local onde viviam em 1948.

Há muito que os árabes israelitas se queixam de discriminação no seu país.

Têm direito de voto e 12 deles são deputados no Knesset (parlamento israelita, 120 lugares), mas, sublinham, nunca qualquer partido árabe participou numa coligação governamental.

Pagam impostos, desfrutam dos benefícios sociais e, teoricamente, podem aceder a qualquer cargo. Mas em julho de 2000, o Supremo Tribunal de Israel reconheceu que a minoria árabe era vítima de discriminação, especialmente ao nível do emprego.

Defendendo frequentemente a causa dos palestinianos no Knesset ou manifestando-se regularmente contra as guerras em Gaza ou outra violência na Cisjordânia ocupada, os árabes israelitas não são obrigados a cumprir o serviço militar, como os seus concidadãos.

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Apenas os cerca de 130 mil drusos, corrente minoritária do islão, são obrigados por lei a servir três anos nas forças armadas.

Nos últimos dias, várias cidades mistas de Israel, onde vivem judeus e árabes, têm sido palco de confrontos entre árabes israelitas, a polícia e extremistas judeus.

A violência surgiu após semanas de tensões israelo-palestinianas em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do islão junto ao local mais sagrado do judaísmo, nesta zona da cidade ilegalmente ocupada e anexada pelo Estado hebreu, de acordo com a lei internacional.

Além de distúrbios em cidades israelitas como Lod, Nazaré e Haifa, os confrontos em Jerusalém Oriental desencadearam o pior conflito nos últimos sete anos entre grupos armados palestinianos na Faixa de Gaza e o exército israelita.

Em Lod, cidade industrial com cerca de 40% de árabes, um árabe israelita de 32 anos foi morto a tiro esta semana nos tumultos. As imagens que circulam nas redes sociais sugerem que judeus nacionalistas armados que estavam no edifício próximo terão sido os responsáveis.

Uma das questões mais delicadas para os árabes israelitas relaciona-se com o confisco de terras. As autoridades israelitas apoderaram-se de quase todas as terras dos municípios árabes para instalarem judeus, segundo a agência francesa de notícias AFP.

Por outro lado, as localidades árabes recebem muito menos fundos públicos para o seu desenvolvimento que os municípios judaicos e as licenças de construção são emitidas a "conta-gotas", adianta.

Na quarta-feira, o Presidente israelita, Reuven Rivlin, denunciou um "pogrom" (destruição violenta dirigida a um grupo étnico ou religioso) em Lod, onde foi decretado o estado de emergência após distúrbios noturnos.

"As cenas de pogrom em Lod e a agitação em todo o país por parte de uma multidão árabe sedenta de sangue, ferindo pessoas, danificando propriedades e até mesmo atacando lugares sagrados judeus, são imperdoáveis", disse Rivlin num comunicado.

Manifestantes atiraram pedras à polícia, que respondeu com granadas atordoantes, media israelitas noticiaram que "uma sinagoga, um cemitério muçulmano e dezenas de veículos foram incendiados". Alguns falam das provocações dos extremistas judeus.

Na quinta-feira, o ministro da Defesa, Benny Gantz, ordenou o reforço "em massa" das forças de segurança nas cidades mistas israelitas devido aos motins.

Majd Kayyal, militante da causa árabe israelita sediado na cidade costeira de Haifa (norte), assegurou na rede social Twitter que está a surgir uma nova tendência.

"Há décadas que protestamos com os gritos de 'Palestina', 'Gaza', 'Al-Aqsa' e agora pela primeira vez gritamos 'Haifa'", escreveu.

"Haifa levanta-se para se proteger e apoiar Lod, Jaffa, Gaza e Jerusalém: é a 'intifada' da unidade", adiantou, numa referência às revoltas palestinianas dos anos 1980-1990 e 2000-2005.

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