Iémen

Arábia Saudita lança operação no Iémen contra rebeldes xiitas

Arábia Saudita lança operação no Iémen contra rebeldes xiitas

A Arábia Saudita lançou uma operação militar no Iémen, que envolve "mais de dez países", para defender o presidente iemenita contestado por rebeldes xiitas houthis.

"A operação visa defender o governo legítimo do Iémen e impedir o movimento radical houthi (apoiado pelo Irão) de assumir o controlo do país", afirmou Adel al-Jubeir, o embaixador de Riade em Washington, durante uma conferência de imprensa.

As operações limitam-se, de momento, a ataques aéreos a vários alvos, mas outras forças militares estão mobilizadas e a coligação "vai fazer o que for preciso", acrescentou.

O embaixador não identificou os países que participam na operação, mas indicou que tinha "consultado estreitamente muitos dos (seus) aliados, designadamente os EUA", declarando-se "muito satisfeito com o resultado dessas discussões".

Argumentou ainda que a situação existente é a de "uma milícia que controla ou pode controlar mísseis balísticos, armas pesadas e uma força aérea", insistindo que o avanço dos houthis não poderia ser tolerado.

Esta quinta-feira, cinco Estados do Golfo garantiram que vão proteger o Presidente iemenita, Abedrabbo Mansour Hadi, dos rebeldes xiitas, que cercaram a cidade portuária de Aden, onde este se refugiou, depois de fugir da capital, Sanaa.

Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barain e Emirados Árabes Unidos emitiram uma declaração conjunta, na qual informam que "decidiram responder ao apelo do presidente Hadi para proteger o Iémen e o seu povo da agressão da milícia (xiita) huthi".

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A Arábia Saudita, país sunita, está inquieta com o avanço das milícias xiitas houthis no Iémen, que tomaram o controlo da capital Sanaa em março.

Fontes diplomáticas dos EUA deram conta de um telefonema feito para o presidente iemenita, seu aliado na luta contra a al-Qaeda, indicando que ignoravam onde se encontrava.

Forças aliadas dos rebeldes xiitas no Iémen apoderaram-se do aeroporto internacional de Aden. Um ministro avisou que a queda de uma grande cidade do sul do país marcaria o "início" de uma guerra civil.

O aumento da violência no Iémen poderia comparar-se a uma guerra por procuração entre a potência xiita iraniana, que apoia os houthis, e a Arábia Saudita sunita, que apoia o presidente Hadi.

Quando Hadi fugiu da sua residência vigiada pelo houthis, em Sanaa, em fevereiro, e apareceu em Aden, a Arábia Saudita foi o primeiro país a transferir a sua embaixada para esta cidade, em claro gesto de apoio ao dirigente iemenita.

Mas os rebeldes houthis, suspeito de laços com o Irão e o ex-presidente Ali Abdallah Saleh, forçado ao exílio em 2012, depois de 33 anos no poder, continuaram com a sua progressão até perto da fronteira saudita. E Teerão já denunciou as iniciativas que pretendem fazer da capital portuária de Aden a nova capital do Iémen.

A Arábia Saudita receia que os houthis consigam o controlo do estreito de Bab-el-Mandeb, que separa o Iémen do Djibouti e oferece uma posição estratégica sobre o canal de Suez.

Esta alteração acresceria à forte presença iraniana no Estreito de Ormuz, pelo qual passa o grosso do petróleo mundial.

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