Nicarágua

Arma contra Daniel Ortega é o apelo à abstenção

Arma contra Daniel Ortega é o apelo à abstenção

Sondagens dão vitória esmagadora a sandinistas nas eleições deste domingo.

O presidente Daniel Ortega deverá ser reeleito este domingo para o terceiro mandato consecutivo e a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) poderá renovar a maioria absoluta na Assembleia Nacional da Nicarágua, com a Oposição a não somar sequer 10% dos votos.

Face à previsível vitória do velho guerrilheiro e da sua FSLN, que em 1979 derrotou a ditadura da família Somoza que oprimia o país desde 1934, a Oposição, apoiada por setores da Igreja Católica e da Imprensa, tem feito um curioso apelo à abstenção.

Sucessivas sondagens da M&R Consultores preveem que Ortega, com 70 anos, recolha 69,8% das preferências dos quatro milhões de eleitores e que a FSLN, que ocupa 62 dos 90 assentos no Parlamento, obtenha 65,2%. Ortega, que coordenou a Junta de Reconstrução Nacional após a revolução e foi eleito presidente em 1984, regressando em 2006 e 2011, deve o respaldo popular às políticas económicas e sociais que fizeram descer a pobreza de 42,5% em 2009 para 29,6% em 2014 e a pobreza extrema de 14,6% para 8,3%.

Apesar da crise mundial, a Nicarágua tem um desempenho considerado extraordinário pelo Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica. O produto interno bruto está a subir, com um pico de 6,2% em 2011 e 5,2% na média dos últimos cinco anos, graças a políticas de exportação (sobretudo carne e ouro) e de investimento. A dívida externa desceu de 66,7% do PIB em 2006 para 40,1% em 2015.

A partilhar os louros está a mulher de Ortega, candidata a vice-presidente. A Oposição critica ferozmente o que diz ser a nova "dinastia", apesar de Rosario Murillo já ser um rosto importante no Governo. As sondagens dão-lhe 79% de "agrado" para o cargo.

Oposição a 60 pontos de distância

Bem longe de Ortega e da FSLN, com 8,1%, fica Maximino Rodrigues, do Partido Liberal Constitucionalista, que obtém 6%. O Partido Liberal Independente (PLI, segundo partido com 24 deputados), cai para 1,7% nas sondagens.

É a consequência de longas lutas intestinas no PLI, com recursos para a Sala Constitucional do Supremo Tribunal, que retirou, em junho, a liderança a Eduardo Montealegre. Depois disso, o Conselho Eleitoral destituiu 16 deputados efetivos e 12 suplentes por desacato ao novo presidente, Pedro Reyes. Nos últimos dias sucederam-se renúncias de candidatos e fiscais nas eleições.

"Estas eleições são um desastre", dizia em 15 de agosto, citado pelo jornal "La Prensa", o bispo de Matagalpa, Rolando Álvarez. "De acordo com as sondagens, mais de 80% da população não conhece os candidatos dos partidos que se chamam de Oposição", ao contrário dos do partido no poder.

Desde fevereiro, as sondagens da M&R dão a Ortega e à FSLN crescente apoio e, apesar da campanha de apelo ao boicote às eleições deste domingo e às acusações de fraude e de falta de transparência, os seus estudos de opinião indicam que 80,9% dos eleitores irão às urnas e 70,1% confiam na transparência do processo.

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