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Arménia conta 49 soldados mortos em confrontos com o Azerbaijão

Arménia conta 49 soldados mortos em confrontos com o Azerbaijão

Vizinhos do Cáucaso outra vez em conflito aberto. Erevan e Baku acusam-se mutuamente de diferentes ataques. Estados Unidos e Rússia apelam a cessar-fogo imediato.

A Arménia acusa o Azerbaijão de uma vasta ofensiva durante a madrugada desta terça-feira. Erevan dá conta pelo menos 49 soldados mortos, naqueles que são os confrontos mais graves desde 2020, anunciou o primeiro-ministro arménio. "Infelizmente, não é o número definitivo", acrescentou Nikol Pachinian, em alocução ao parlamento.

Pachinian passou toda a madrugada em conversações separadas com o presidente russo, Vladimir Putin, com o homólogo francês, Emmanuel Macron, e com o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken. Pediu "uma reação enérgica da comunidade internacional à agressão do Azerbaijão".

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Os confrontos, verificados com maior intensidade nas cidades de Goris, Sotk e Jermuk, são os mais graves registados desde o conflito que, durante um mês e meio, no outono de 2020, causou 6500 mortos, na batalha pela região montanhosa de Nagorno-Karabakh, enclave de maioria arménia no território do Azerbaijão, que tem estado na origem dos conflitos armados verificados desde 1991.

"Atos subversivos"

O Azerbaijão também anuncia "baixas" nos confrontos desta madrugada, mas não lhes precisa o número. Desde Baku, o Ministério da Defesa acusa a Arménia de "atos subversivos em grande escala" perto das regiões fronteiriças de Dashkesan, Kelbajar e Lachin e observa que as posições tomadas pelo exército azeri também foram atacadas "por tiros e morteiros".

"Há baixas entre os nossos militares", lê-se em comunicado da Defesa azeri.

Frente diplomática

Os EUA manifestam-se "extremamente inquietos" e apelaram ao cessar-fogo imediato. A Rússia e a Arménia, entretanto, comprometeram-se a tomar medidas para "estabilizar a situação" na fronteira.

Souren Papikian, ministro da Defesa da Arménia, telefonou ao homólogo russo, Serguei Choigou, e apresentou-lhe "a situação resultante da agressão de grande envergadura".

Desde Ancara, o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Cavusoglu, apelou à Arménia que "cesse as provocações e que se concentre nas negociações de paz e cooperação" com Baku.

Os vizinhos já estiveram em guerra aberta duas vezes, nos anos 1990 e em 2020, na região do Alto-Karabakh, o enclave em território azeri ocupado maioritariamente por arménios. Em outubro de 2020, os combates fizeram mais de 6500 mortos. Foram interrompidos pelo acordo de cessar-fogo intermediado pela Rússia.

Mais de trinta mil mortos

No quadro deste acordo, a Arménia cedeu territórios que controlava havia décadas e Moscovo enviou dois mil militares para vigilância das tréguas, que sempre se revelaram muito frágeis.

Durante negociações sob mediação europeia, decorridas em Bruxelas, em abril e maio, o presidente azeri, Ilham Aliev, e o primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian, acordaram "fazer avançar as conversações" para um futuro tratado de paz. Sinal de boa vontade: ainda na semana passada, Baku libertou cinco arménios prisioneiros de guerra.

O Nagorno-Karabach separou-se do Azerbaijão durante o desmembramento da União Soviética, em 1991. Os conflitos que se seguiram já fizeram mais de trinta mil mortos.

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