As verdades, os mitos e os mistérios cem anos depois da descoberta de Tutankhamon

Túmulo do faraó foi encontrado em novembro de 1922 e o sarcófago aberto em 1923
Arquivo Global Imagens
Faz esta semana 100 anos que foi descoberto o túmulo de Tutankhamon por Howard Carter na cidade egípcia de Luxor. Recorde o que se sabe e o que ainda não se sabe sobre o "faraó-criança".
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Tutankhamon foi um faraó da XVIII dinastia egípcia e reinou apenas nove anos. Filho do faraó Akhenaton IV e da tia, uma irmã do pai, conforme resultados das análises genéticas realizadas nas múmias encontradas próximas da tumba do faraó, subiu ao trono muito jovem, mas morreu inesperadamente em 1323 a. C., com apenas 19 anos, e foi sepultado num luxuoso túmulo que escapou dos saqueadores que invadiam o Vale dos Reis em busca de tesouros.
Em novembro de 1922, o arqueólogo Howard Carter encontrou a entrada do misterioso túmulo e, alguns meses depois, em 16 de fevereiro de 1923, o sarcófago foi aberto pela primeira vez.
As verdades
Casou-se com a meia-irmã
O incesto era uma prática frequente na família de Tutankhamon, que era filho de irmãos e também se casou com a meia-irmã Anjesenamón, filha de Nefertiti e Akhenaton. Além disso, Tutankhamon foi enterrado com dois fetos que deverão ser seus filhos que, devido à consanguinidade, tinham anomalias genéticas que os impediram de atingir o termo da gravidez. Tutankhamon morreu sem descendência, encerrando a dinastia.
Restaurou o politeísmo no Egito
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Em vida, Tutankhamon não foi dos faraós mais conhecidos. O seu pai, pelo contrário, terá sido um dos mais polémicos de todo o Antigo Egito. Akhenaton foi o primeiro faraó a reformar o sistema religioso, alterando-o para uma religião monoteísta na qual apenas adorava Aton. Durante este período, acorreram profundas mudanças sociológicas e até artísticas. Com a sua morte e com a chegada do novo faraó, voltou-se ao politeísmo clássico.
Túmulo provavelmente não estava destinado a Tutankhamon
A descoberta do túmulo, praticamente intacto, sugere que foi construído rapidamente devido à morte repentina do faraó ou que era destinado a outra pessoa. Paradoxalmente, por não estar muito exposto porque o jovem foi rapidamente esquecido, foi mantido fora da vista dos ladrões e sobreviveu praticamente intacto até aos nossos dias.
Foi enterrado com flores
Tutankhamon foi enterrado com um colar de flores que estavam em boas condições porque foram seladas dentro do sarcófago. Este é o único enterro real onde todas as flores foram encontradas no local onde antigos egípcios as deixaram. Estudos das flores e frutas usadas no colar mostram que Tutankhamon foi enterrado entre meados de março e o final de abril. Preparar o corpo para o enterro demoraria 70 dias, o que significa que o faraó provavelmente morreu no inverno.
Os mitos
Morreu envenenado
A morte precoce de Tutankhamon foi alvo de muita especulação. Acreditava-se que, talvez devido a intrigas palacianas, pudesse ter sido envenenado, mas estudos posteriores concluíram que, devido ao incesto familiar, tinha uma saúde muito debilitada e um pé torto. Em 2005, um estudo revelou que partiu a perna e desenvolveu uma infeção na ferida pouco antes de morrer. De acordo com uma teoria, o faraó sofreu o ferimento ao cair da carruagem durante uma caçada. Testes de ADN em 2010 sugeriram que Tutankhamon tinha malária, o que pode ter exacerbado a infeção na perna ou causado a queda.
Túmulo estava amaldiçoado
A Maldição do Faraó - crença de que qualquer pessoa que viole a múmia de um faraó do Antigo Egito será amaldiçoada - levou à criação de vários livros e filmes. A abertura do túmulo de Tutankhamon e a sequência de infortúnios que aconteceram pouco depois só serviu para estabelecer ainda mais essa lenda. Em março de 1923, Lord Carnavon, que financiou a expedição liderada por Howard Carter e que tinha uma saúde frágil, foi picado por um mosquito e cortou a picada enquanto se barbeava, causando sépsis. Morreu de pneumonia a 5 de abril. Diz a lenda que quando morreu houve um apagão no Cairo que deixou momentaneamente a cidade na escuridão. Aubrey Herbert, meio-irmão de Lord Carnavon, que também esteve presente na abertura da câmara real e que também tinha uma saúde frágil desde a juventude, morreu inexplicavelmente no seu regresso a Londres. Arthur Mace, o homem que deu o último golpe na parede para entrar no túmulo, morreu no Cairo pouco depois e sem explicação médica. Sir Douglas Reid, que radiografou a múmia de Tutankhamon, adoeceu e voltou para a Suíça, onde morreu dois meses depois.
Apesar destas consequências, um estudo mostrou que, das 58 pessoas que estavam presentes quando o túmulo foi aberto, apenas oito morreram nos 12 anos seguintes. Howard Carter, provavelmente a figura mais importante na escavação, morreu em 1939 aos 64 anos. Ele próprio negava a maldição: "Todo o espírito de entendimento inteligente está ausente dessas ideias estúpidas". Até hoje, a teoria mais difundida é que muitas das mortes podem estar relacionadas a uma infeção fúngica.
Os mistérios
A máscara de Tutankhamon
A múmia de Tutankhamon usava uma elaborada máscara mortuária. Pesava cerca de 10 quilos de ouro maciço, tinha uma longa barba e, na testa, havia dois animais de tamanho considerável - uma cobra e um abutre, que simbolizavam o domínio sobre todo o Egito. Em 2015, um estudioso encontrou novas provas que sugeriam que a famosa máscara funerária nunca foi destinada ao faraó Tutankhamon. Os investigadores notaram que havia outro nome na máscara funerária, que foi removido. Uma análise dos vestígios dos hieróglifos deixados para trás sugere que o nome Nefertiti estava escrito originalmente na máscara. Nefertiti era uma das mulheres do pai de Tutankhamon e mãe da sua mulher, fazendo dela sogra de Tutankhamon.
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O que está escondido no túmulo de Tutankhamon?
Em 2015, o egiptólogo britânico Nicholas Reeves sugeriu que Tutankhamon tinha sido enterrado à pressa em câmaras que pertenciam a um antigo complexo de túmulos reais. Esse enterro anterior teria sido selado e agora estaria escondido além da própria câmara funerária de Tutankhamon. O ocupante proposto? Nefertiti, a bela mulher envolta em diversos dos seus próprios mistérios e cujo túmulo nunca foi encontrado.

