
Alexanda Kotey e Shafee Elsheikh
Syrian Democratic Forces/Handout via REUTERS
Dois jiadistas do Estado Islâmico acusados de pertencerem ao grupo apelidado de "Beatles" e de terem participado na decapitação de 27 pessoas acusam o Reino Unido de violação das leis internacionais, por lhes ter sido retirada a nacionalidade britânica.
Corpo do artigo
Numa entrevista a partir de uma cadeia na Síria, onde foram presos em janeiro, Alexanda Amon Kotey e El Shafee Elsheikh lamentaram a decisão, não confirmada oficialmente, de que o Reino Unido lhes tinha retirado a nacionalidade britânica e declarado ambos como "terroristas globais". Dizem que a decisão viola o direito internacional.
Os dois londrinos são acusados de pertencerem ao grupo de Jihadi John e de terem participado nas decapitações de 27 reféns do Estado Islâmico, incluindo o fotojornalista norte-americano James Foley e os trabalhadores humanitários Peter Kassig, David Haines e Alan Henning. Segundo eles, essas informações não passam de propaganda dos meios de comunicação, apesar de reconhecerem a filiação no grupo terrorista.
O par diz não concordar com as execuções, garantindo que o Estado Islâmico teria mais a ganhar mantendo prisioneiros políticos. "Não vejo os benefícios de os executar", afirmou Kotey à Sky News. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, Elsheik tornou-se famoso por torturar prisioneiros através de simulações de afogamento e Kotey era segurança da célula terrorista e estava envolvido na decapitação e tortura de prisioneiros.
"Não há um julgamento justo, quando sou retratado como um 'Beatle' ", lamentou Elsheikh, dizendo que a perda da cidadania leva a que seja facilmente transferido de país para país e torturado. "Levado para um país estrangeiro e tratado de qualquer forma, sem que ninguém te defenda. Quando tens dois tipos que nem sequer têm cidadania... se desaparecermos um dia, onde é que a minha mãe vai perguntar sobre o filho?", questionou.
Apesar de os EUA defenderem que cada país deve julgar os seu cidadãos por terrorismo, o Reino Unido já avisou que o par não deverá ser autorizado a regressar ao país.
