Dia 71

As contradições na fábrica Azovstal e o pedido de desculpas de Putin

As contradições na fábrica Azovstal e o pedido de desculpas de Putin

No primeiro dia de cessar-fogo dos três anunciados pela Rússia, informações contraditórias chegam da fábrica Azovstal, na cidade sitiada de Mariupol. As forças russas continuam a negar ter invadido o complexo industrial, enquanto as tropas ucranianas denunciam "lutas sangrentas" no interior. Ao 71.º dia de guerra, os apoios à Ucrânia continuam a chegar vindos da União Europeia. Portugal também anunciou 2,1 milhões em ajuda humanitária. Os pontos-chave desta quinta-feira:

- A Rússia anunciou um cessar-fogo de três dias para a retirada de civis da fábrica de aço Azovstal, na cidade estratégica de Mariupol. O Ministério da Defesa revelou que a "pausa" nos combates ocorrerá das 8 às 18 horas (de Moscovo), nos dias 5, 6 e 7 de maio. Porém, o exército ucraniano afirmou que as forças russas "estão a tentar destruir" os últimos defensores da fábrica e que há "lutas sangrentas" dentro do complexo. Por sua vez, o Kremlin voltou a negar que as tropas russas estejam a invadir a siderurgia, mas o presidente russo Vladimir Putin disse que a Ucrânia tem de ordenar que os seus combatentes larguem as suas armas e se rendam.

- Foram retiradas, na quarta-feira, mais 344 pessoas numa segunda operação de evacuação da cidade de Mariupol. Um oficial ucraniano do regimento Azov, que lidera a defesa na fábrica Azovstal, exortou a comunidade internacional a pressionar a Rússia para permitir a retirada de civis e soldados feridos. Transportes da ONU estão a caminho para retirar, na sexta-feira, mais civis da siderúrgica Azovstal.

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- O presidente russo, Vladimir Putin, pediu desculpa ao primeiro-ministro de Israel Naftali Bennett pelos comentários feitos pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, no início desta semana. Os laços entre Israel e a Rússia azedaram após as alegações de Lavrov de que Hitler tinha herança judaica, numa tentativa de explicar as tentativas de Moscovo de "desnazificar" a Ucrânia, cujo presidente, Volodymyr Zelensky, é judeu. Leia mais aqui

- Na noite de quarta-feira, as aldeias russas de Belgorod, Zhuravlevka e Nekhoteevka, foram bombardeadas pela Ucrânia, sem causar vítimas. Para o lado ucraniano, a noite foi sangrenta: foram atingidas várias posições militares ucranianas, numa série de ataques que mataram 600 combatentes.

- As forças ucranianas revelaram ter recuperado o controlo de várias localidades nos arredores de Mykolayiv e Kherson, no sul do país.

- O jornal norte-americano "New York Times" noticiou que as informações fornecidas pelos serviços secretos dos EUA aos militares ucranianos levaram à morte de vários generais russos perto da linha da frente. Em resposta, o Kremlin afirmou estar bem ciente de que os EUA, o Reino Unido e outros países da NATO estão a fornecer informações à Ucrânia, através dos seus serviços de inteligência, mas que isso "não impedirá a Rússia de atingir os seus objetivos". Leia mais aqui.

- O conselheiro do presidente ucraniano afirmou que é improvável que o país lance uma contra-ofensiva antes de meados de junho, altura em que são esperadas mais armas dos aliados.

- O Kremlin reconheceu que não tem condições para reivindicar um sucesso militar na Ucrânia até às celebrações do Dia da Vitória, a 9 de maio, pelo que começou a desvalorizar a data.

- A Comissão Europeia anunciou um novo pacote de ajuda de 200 milhões de euros da União Europeia (UE) destinado às pessoas deslocadas. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, prometeu ainda à Ucrânia um Fundo de Solidariedade da União Europeia (UE) para reconstruir o país que será o "motor para a renovação", classificando-o como um "Plano Marshall europeu".

- O primeiro-ministro da Polónia, Mateusz Morawiecki, anunciou que foram angariados 6,5 mil milhões de dólares (cerca de 6,15 mil milhões de euros) na conferência internacional de doadores para a Ucrânia que decorreu na capital polaca. Já o primeiro-ministro português, António Costa, anunciou que Portugal vai contribuir com 2,1 milhões de euros em ajuda humanitária à Ucrânia.

- O presidente ucraniano anunciou o lançamento de uma plataforma de financiamento participativo online projetada para ajudar Kiev a vencer a guerra contra a Rússia e reconstruir a infraestrutura do país. Leia mais aqui.

- A agência de segurança da aviação da União Europeia alertou para o aumento do risco de aviões civis "inocentes" serem acidentalmente alvejados por mísseis devido à guerra na Ucrânia. O conflito também levou a um aumento do risco de ataques cibernéticos.

- O Japão vai congelar os ativos de mais 140 cidadãos russos e expandir a sua proibição de exportação para incluir empresas militares russas. Nas ilhas Fiji, foi apreendido um iate de luxo de um oligarca russo a pedido das autoridades norte-americanas.

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