China

As medidas tomadas em Nanjing, cidade sem casos de Covid-19

As medidas tomadas em Nanjing, cidade sem casos de Covid-19

Nanjing, a 600 quilómetros de Wuhan, tem 8,5 milhões de habitantes e zero casos de Covid-19 há mais de 20 dias consecutivos. A cidade esteve em quarentena rigorosa e regressa agora às rotinas diárias mas ainda sob fortes restrições e controlos.

Sem sinal de novas infeções de Covid-19 desde 3 de março, Nanjing é uma cidade que está a regressar à normalidade possível depois do forte impacto da quarentena imposta pela China para travar o novo coronavírus. A população já pode sair à rua mas são constantes os alertas e controlos por parte das autoridades.

Por exemplo, quem percorre as ruas da cidade ouve com frequência uma mensagem de sensibilização, emitida por um drone, para que as pessoas não se juntem na via pública em grupo. E há inúmeras faixas vermelhas afixadas com apelos repetidos: "Não forme grupos".

Nos transportes públicos, é medida a temperatura antes dos passageiros entrarem e iniciarem a viagem. O mesmo acontece com os clientes quando vão ao supermercado. E com os condutores e todos os ocupantes dos carros que entram nesta cidade, de 8,5 milhões de habitantes.

Quem entra num elevador tem uma caixa de lenços de papel disponível para retirar um lenço e marcar o andar pretendido sem tocar no painel com o dedo - e há um caixote para deitar fora o lenço após a utilização.

No que diz respeito à restauração, as medidas de controlo são exigentes. Num restaurante de fast food há um painel informativo no balcão com indicação, hora a hora, das operações de limpeza e desinfeção do espaço e temperatura dos funcionários, assinado pelo gerente. O pagamento é feito sem qualquer contacto manual, via app no telemóvel. A embalagem da refeição é entregue com uma etiqueta que informa sobre as pessoas envolvidas na preparação e embalamento e a respetiva temperatura corporal dos envolvidos.

Comer num restaurante sentado à mesa já é possível em Nanjing. Os funcionários vestem fatos protetores, tal como se vê nos profissionais de saúde nos hospitais, e à entrada é necessário ativar um código QR com dados pessoais e registo de presença em Hubei nos últimos 14 dias. Não sendo cidadão chinês, tem de se escrever o nome, contacto e temperatura corporal num registo em papel. Durante a refeição, há só uma pessoa por mesa e uma mesa de intervalo entre clientes, vazia e com um separador que até evita o contacto visual entre os ocupantes do espaço.

Os taxistas têm um plástico a separar totalmente a parte dianteira do veículo onde segue o condutor e a parte traseira onde viajam os passageiros. Os veículos são desinfetados três vezes por dia.

No metro, há avisos sonoros a alertar os passageiros para a responsabilidade de ativarem o código QR que está afixado no interior da composição de forma a registar o contacto telefónico, viagem e hora do percurso. As pessoas andam todas de máscara. Não ter máscara pode impedir a entrada em alguns locais.

Também nas empresas, os funcionários trabalham de máscara, mesmo tratando-se de atividades em escritórios. A temperatura corporal é controlada e registada - as autoridades locais verificam depois estes registos. Para evitar sair para almoçar e contactar com pessoas, é comum os funcionários levarem o comer de casa e comerem no local de trabalho.

Quando se chega a casa, antes de passar a porta da entrada, borrifa-se a roupa e mochilas, malas, etc. com uma solução de álcool para desinfetar.

As escolas ainda estão fechadas e os alunos acompanham as aulas em casa através da internet.

Quem chega de fora da cidade, mesmo que seja de outra zona da China, tem de ficar sob quarentena e vigilância das autoridades de saúde durante duas semanas.

O exemplo de como a cidade de Nanjing está a sair do isolamento e continua há mais de 20 dias sem registo de qualquer caso de Covid-19 foi documentado em vídeo por um residente japonês, Takeuchi Ryo, e foi divulgado pelo jornal italiano "Corriere Della Sera".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro de 2019, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 226 mil infetados, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6.820 mortos em 69.176 casos registados até terça-feira.

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