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As principais reações à saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão

As principais reações à saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta terça-feira que os Estados Unidos abandonam o acordo nuclear assinado entre o Irão e o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha.

Irão mantém-se no acordo, mas com condição

O presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou que o Irão "vai manter-se" no acordo nuclear de 2015 após a retirada dos EUA, caso os seus interesses sejam garantidos, e tomará decisões posteriores em caso contrário. "Devemos ser pacientes para ver como os outros países reagem", disse Rohani num discurso, numa alusão às restantes potências que assinaram o acordo nuclear, e sugerindo que pretende discutir com europeus, russos e chineses.

França, Alemanha e Reino Unido contra EUA

"A França, a Alemanha e o Reino Unido lamentam a decisão norte-americana de abandonar o acordo nuclear iraniano. O sistema internacional de luta contra a proliferação de armas nucleares está em jogo", disse o presidente francês, Emmanuel Macron.

Guterres diz que restantes países devem respeitar acordo

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos restantes seis países signatários do acordo nuclear com o Irão que "respeitem totalmente os seus compromissos", apesar da retirada dos EUA. "Estou profundamente preocupado com o anúncio da retirada dos Estados Unidos do acordo e o retomar de sanções dos Estados Unidos", referiu António Guterres, através do seu porta-voz.

Netanyahu congratula-se com "decisão valente" de Trump

"O Presidente Trump tomou uma decisão valente", disse Netanyahu, que agradeceu em nome de todos os israelitas as medidas do presidente dos EUA "para travar a atitude agressiva do Irão".

Arábia Saudita "apoia e saúda" decisão de Trump

"O reino apoia e saúda os passos anunciados pelo presidente norte-americano para se retirar do acordo nuclear (...) e o restabelecimento das sanções económicas contra o Irão", indica o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita.

Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, aliados da Arábia Saudita no Golfo, seguiram Riade saudando a decisão de Trump. O Bahrein acolhe a 5.ª frota norte-americana.

União Europeia diz que acordo é essencial e deve ser respeitado

A chefe para a política externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini, afirmou que o acordo nuclear com o Irão é um pilar da segurança internacional, apelando aos restantes signatários que o continuem a respeitar. "O acordo nuclear com o Irão é essencial para a segurança da região, da Europa e do mundo inteiro", afirmou Federica Mogherini, que ajudou a supervisionar a implementação do acordo.

Barack Obama critica "erro grave" de Trump

"Penso que a decisão de colocar [o acordo] em risco sem qualquer violação do acordo pelos iranianos é um erro grave", indicou o ex-presidente dos EUA numa declaração num tom particularmente firme. "A realidade é clara", insistiu, o acordo, que é "um modelo do que a diplomacia pode conseguir", funciona e "é no interesse da América", disse, lamentando uma decisão que significa virar as costas aos "mais próximos aliados da América".

Rússia "profundamente desapontada" com Trump

"Estamos profundamente desapontados pela decisão do presidente norte-americano de sair unilateralmente" do acordo e de "restabelecer as sanções norte-americanas contra o Irão", refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado. "Estamos extremamente preocupados por os Estados Unidos estarem a agir contra a opinião da maioria dos Estados (...), violando grosseiramente as normas do direito internacional", adianta.

Portugal "lamenta bastante" saída dos EUA

"Lamentamos bastante a decisão dos Estados Unidos. Nós, Portugal, e a União Europeia tudo fizemos para convencer os nossos amigos americanos a não darem este passo", afirmou Augusto Santos Silva, em declarações à agência Lusa. O Governo português vê o acordo como "um instrumento positivo", com o objetivo de "impedir que o Irão chegue à produção de armas nucleares próprias", referiu o governante.

O chefe da diplomacia portuguesa advertiu para consequências negativas, nomeadamente o "isolamento iraniano e o enquistamento ainda mais intenso do regime iraniano", bem como uma "escalada da conflitualidade que hoje já é evidente no Médio Oriente". Consequências que, para o Governo português, podem ser mitigadas se os restantes signatários do acordo nuclear "mantiverem a sua posição".

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, subscreveu a tomada de posição do Governo: "o presidente da República subscreve plenamente a posição do Governo, tornada pública esta tarde, sobre a decisão do presidente dos Estados Unidos da América de retirada unilateral do acordo nuclear com o Irão", refere uma breve nota divulgada no sítio oficial da Presidência da República.