Protestos

As "sardinhas" estão a desafiar o poder da extrema-direita em Itália

As "sardinhas" estão a desafiar o poder da extrema-direita em Itália

Um movimento popular que saiu às ruas de Itália desde a passada quinta-feira tem conquistado a atenção de muitos nas redes sociais e fora do país. As "sardinhas", figura que adotaram neste protesto silencioso, querem desafiar a ascensão política de Matteo Salvini, membro da Liga Norte, partido de extrema-direita em Itália.

O grupo que não terá ligação a qualquer partido político, segundo os organizadores, começou na cidade de Bolonha, Itália, na semana passada. Estima-se que entre 12 a 15 mil pessoas tenham respondido à convocatória deste movimento para um protesto na praça principal de Bolonha contra as ideias proclamadas por Matteo Salvini, membro da Liga Norte, partido de extrema-direita italiano, e que até já foi vice-primeiro-ministro.

Para impedir que Salvini cresça ainda mais na sua carreira política e também em número de eleitores, as "sardinhas" fazem protestos silenciosos, não se fazem ouvir ruidosamente, como os apoiantes de extrema-direita, e atuam em cardume. "Para aqueles que gritam mais alto, estamos a ser silenciosos como os peixes. Somos mais do que eles", disse Mattia Santori, um dos organizadores do movimento, citado pela Reuters.

Apesar de o nome de "sardinhas" ser agora muito claro, a verdade é que ele se solidificou graças às imagens de sardinhas que vários manifestantes levaram para as ruas. Embora não se associem a nenhum partido ou movimento político, os protestos mantém-se muito próximos da esquerda.

Após o primeiro encontro de quinta-feira deste movimento popular, seguiram-se mais protestos nas ruas. No sábado, na província de Régio da Emília, debaixo de chuva e com sardinhas na mão, entoou-se "Bella Ciao", canção de resistência contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial e associado politicamente à esquerda.

O protesto, que começou como um sinal de alerta para as ideias de extrema-direita em Itália tem um propósito concreto: impedir que a Liga Norte vença na região Emília-Romanha nas próximas eleições gerais de 26 de janeiro. As primeiras sondagens avançam que a Liga Norte poderá ficar com 30% dos votos contra 20% do Partido Democrata, de centro-esquerda.

O partido de Matteo Salvini cresceu muito nos últimos anos. Alguns italianos, como os que fazem parte do "Arquipélago das Sardinhas", nome dado ao grupo no Facebook, temem que a ascensão aconteça também no norte de Itália, tradicionalmente conotado com a esquerda italiana.

O político de 46 anos, que já foi vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, afastou-se da coligação que governava com o Movimento Cinco Estrelas, com Giuseppe Conte como primeiro-ministro.

Matteo Salvini tem porém outras ambições. Uma delas será libertar a região Emília-Romanha do bastião de esquerda. Já acusou o movimento das sardinhas, no Twitter, de pertencer ao Partido Democrata, de centro-esquerda.

As "sardinhas" já têm marcados mais 20 protestos em Itália e também em Nova Iorque. Salvini já terá desmarcado, segundo a Reuters, um comício na região de Emília-Romanha, por temer uma contramanifestação.

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