Aviação

As vidas destruídas pela queda do avião da Sriwijaya Air na Indonésia

As vidas destruídas pela queda do avião da Sriwijaya Air na Indonésia

Os familiares dos passageiros e da tripulação que seguia a bordo do avião da Sriwijaya Air, que se despenhou este sábado no mar, ao largo de Jacarta, com 62 pessoas a bordo, estão numa agonizante espera pela identificação dos corpos. As autoridades continuam à procura dos destroços, enquanto vão surgindo informações não oficiais dos ocupantes através de parentes e amigos.

Parece não haver esperança de se encontrarem sobreviventes entre os 62 ocupantes do Boeing 737-500, que faria a ligação entre Jacarta e Pontianak, mas caiu poucos minutos após ter descolado.

As autoridades indonésias anunciaram este domingo que localizaram as caixas negras do avião e que já tinham sido encontrados destroços, objetos dos passageiros e partes de corpos na zona onde o avião desapareceu dos radares de Controlo de Tráfego Aéreo, ao largo da costa de Jacarta.

Foi montado um centro especial no aeroporto de Pontianak para recolher amostras de ADN aos parentes próximos das pessoas a bordo para ajudar na identificação dos corpos. O processo deverá demorar pelo menos mais dois dias, visto que alguns familiares terão de deslocar de longe.

Enquanto o ADN dos corpos não é comparado nem identificado, vários meios de comunicação social vão avançando com os nomes de alguns dos passageiros e membros da tripulação que familiares e amigos confirmaram no voo malfadado.

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Segundo o canal "Al Jazeera", a fusão dos voos também significava que o avião da Sriwijaya Air transportava seis tripulantes extras do voo cancelado da NAM Air (subsidiaria da Sriwijaya Air), incluindo o capitão Didik Gunardi, o primeiro oficial Fadly Satrianto e quatro tripulantes de cabine. Entre os passageiros, 46 são adultos, sete crianças e três bebés, avança aquele meio, citando o registo do voo.

O "gentil e sábio" capitão Afwan

O capitão Afwan, de 54 anos, era o piloto voo Sriwijaya SJ182, conhecido por ser um piloto "gentil e sábio".

No último sábado, saiu de casa apressado, mas antes pediu desculpas aos três filhos por ter de deixá-los novamente para ir trabalhar, contou o sobrinho Ferza Mahardhika, à "BBC Indonésia".

"Estamos a sofrer, mas ainda a rezar pelo melhor", disse Ferza Mahardhika.

O capitão Afwan começou sua carreira de aviador na força aérea, tornando-se piloto comercial em 1987. Muçulmano devoto, gostava de ajudar as pessoas do seu bairro, na cidade de Bogor, em Java Ocidental, e do trabalho.

Ratih Windania e família em voo alterado

Entre as 62 pessoas a bordo do avião que caiu ao mar estavam cinco membros da mesma família, dois deles crianças, relata a "Al Jazeera". Ratih Windania, a filha de quatro de anos Yumna Fani Syatuzahr, o sobrinho de oito anos Athar Rizki Riawan e os pais de Ratih, Toni Ismail e Rahmawati, voavam de volta a Pontianak, depois de gozarem em família um feriado em Bandung, Java.

Segundo uma sobrinha do casal, Yudi Qurdani, a família não era para estar naquele avião. Eles tinham comprado o voo de regresso a Pontianak na NAM Air, mas "na noite anterior, a companhia aérea disse que o voo tinha sido alterado para 13:30 horas e que seria num avião da Sriwijaya Air", disse àquele canal.

Os familiares em terra mantêm alguma esperança de que a família tenha sobrevivido, mas estão já a mentalizar-se para o pior cenário.

Dinda Amelia, uma jovem de 15 anos de férias

A bordo do avião que se despenhou estava Dinda Amelia, uma adolescente que tinha partido para Jacarta de férias a 27 de dezembro, dia em que festejava 15 anos. "Ela estava muito feliz", contou a sua mãe, Lena, à "BBC Indonesia".

Dinda Amelia viajava com o patrão da mãe e seus filhos. Lena explicou que trabalhava para aquela família há muito tempo e, por isso, não recusou o pedido de Dinda para os acompanhar nas férias.

"Volta pequenina", dizia a mãe em lágrimas, enquanto mostrava uma foto da jovem no seu telefone aos repórteres.

Angga Fernanda Afrion, um marinheiro acabado de ser pai

Angga Fernanda Afrion, um marinheiro de 29 anos, viu o primeiro filho nascer há uma semana. Motivação que o fez querer trabalhar mais arduamente para poder dar o melhor ao filho, explicou a sua mãe, Afrida, à "BBC Indonésia".

Afrida, que mora na Sumatra Ocidental, mantêm a esperança de que o seu filho, passageirono voo da Sriwijaya, ainda esteja vivo. Tem família a viver em Jacarta à procura de informações relativas a Angga, já que se vê impossibilitada de viajar devido à pandemia.

Angga trabalhava em grandes barcos de carga. De acordo com a mãe, uma viagem de última hora devido a danos num navio levaria o seu filho até Pontianak. Era habitual viajar pelo arquipélago indonésio em trabalho, mas geralmente preferia ir de barco.

"Se ele partir, eu só quero é poder trazê-lo para casa e enterrá-lo adequadamente", comentou tranquilamente.

Os recém-casados Ihsan Adhlan Hakim e Putri Wahyuni

A bordo estava também o casal Ihsan Adhlan Hakim e Putri Wahyuni, casados de fresco.

De acordo com o irmão de Ihsan, Arwin Amru Hakim, ao site de notícias "Kompas", aquele ligou à família do aeroporto de Soekarno Hatta a avisar que o seu voo estava atrasado devido ao mau tempo.

Os dois viajavam para Kalimantan para darem uma festa de casamento no próximo sábado para a extensa família de Ihsan, que mora em Pontianak. Agora a família reza pelo regresso do casal.

O ecologista Rizki Wahyudi, a mulher e a filha bebé

De acordo com a estação sediada no Qatar "Al Jazeera", no avião seguia outra família - Rizki Wahyudi, a sua mulher Indah Halimah Putri, a sogra Rosi Wahyuni e filha de apenas três meses, Nabila Anjani.

Wahyudi tinha sido colocado a trabalhar há pouco tempo no Parque Nacional Gunung Palung, em Kalimantan Oeste, e costumava participar em iniciativas de preservação ambiental e animal, nutrindo especial interesse pela proteção do orangotango.

Segundo uma prima, Ebta, aos meios locais, Wahyudi tinha viajado a Jacarta para ir buscar a mulher e a filha para Pontianak, depois da esposa ter estado em auto-isolamento durante a gravidez para se proteger da pandemia.

Antes do avião descolar, Indah tinha enviado uma fotografia da janela do aparelho numa mensagem à família, na qual dizia que estava a chover fortemente e pedia que rezassem por eles, relatam os meios de comunicação locais.

A mãe de Indah desmaiou ao saber que a sua família viajava no voo Sriwijaya Air SJ182.

O jovem empresário Yohanes Suherdi

Yohanes Suherdi, de 30 anos, estava em Jacarta em negócios e regressava este sábado para junto da sua família em Ngarak, segundo a "CNN".

Pouco antes da embarcar, Yohanes Suherdi conversou com a esposa, com quem tem um filho de cinco anos. "A sua última mensagem foi para eu levar o nosso filho, que estava com febre, ao médico", contou àquele canal. A criança não pára de perguntar pelo pai.

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