Malta

Assassino da jornalista Daphne Galizia revela plano do crime em tribunal

Assassino da jornalista Daphne Galizia revela plano do crime em tribunal

Vincent Muscat, condenado por matar a jornalista Daphne Caruana Galizia, contou em tribunal como vigiou, durante dias, os movimentos da jornalista e como foi tomada a decisão de armadilhar o carro dela. A jornalista que investigava casos de corrupção em Malta foi assassinada em outubro de 2017.

No tribunal de La Valeta, em Malta, e na presença de jornalistas e familiares da vítima, Vincent Muscat deu o relato mais completo até agora sobre a conspiração para assassinar Daphne Galizia.

Vincent Muscat, juntamente com os irmãos Alfred e George Degiorgio, foram acusados de serem os responsáveis pela morte de Daphne Galizia, em 2017. Os três declararam inocência, até Vincent Muscat confessar o crime e se tornar uma testemunha importante no caso.

Muscat afirmou ter conhecido os dois irmãos antes das eleições gerais de Junho de 2017 em Malta. "Alfred Degiorgio veio ter comigo e disse-me que tinha um bom trabalho para mim". O trabalho era matar Caruana Galizia e iria render a Vincent 150 mil euros.

"O plano era seguir os passos dela e matá-la quando chegasse a altura certa", revelou o criminoso. Após as eleições, os três homens receberam um adiantamento de 10 mil euros para darem início ao plano. "Eu e o Alfred seguimo-la até Bidnija", confessou Muscat, a aldeia onde Caruana Galizia vivia.

Ele contou ainda que os três usaram binóculos e um telescópio para observar de perto os movimentos da jornalista e que passaram dias inteiros a observá-la. "Estávamos sentados em dois tijolos", disse ele. "Era desconfortável e ficávamos doridos. Às vezes ia buscar comida e comprava três maços de Rothmans Red [cigarros] por dia. Deitávamos as beatas numa garrafa de água para não deixar qualquer vestígio. Víamos a Daphne no seu sofá com um portátil até às 2 da manhã", descreveu.

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O plano original era matar Caruana Galizia em casa, mas dada às dificuldades de executar a tarefa, o plano foi alterado.

"George Degiorgio sempre quis uma bomba. Uma bomba que se coloca à noite e depois se vai embora. É mais silenciosa e causa menos pânico", confessou Vincent. "Era uma bomba limpa, veio com um telemóvel e tinha um interruptor", revelou. Assim que o telemóvel recebesse uma mensagem, iria explodir segundos depois. E assim aconteceu.

Antes da audiência, Muscat pediu desculpa à família da jornalista. "Admiti todas as acusações contra mim e fui condenado", declarou.

A morte de Daphne Galizia foi recebida com indignação em toda a Europa e envolveu o partido no poder em Malta num escândalo político, que levou à demissão do primeiro-ministro em 2019.

Sete homens admitiram ou foram acusados de cumplicidade no assassinato. A jornalista e bloguer Daphe Caruana Galizia morreu aos 53 anos e era uma das mais respeitadas e temíveis jornalistas da Ilha de Malta.

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