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Ataque aliado destruiu edifício a 50 metros de tenda de Kadafi, em Tripoli

Ataque aliado destruiu edifício a 50 metros de tenda de Kadafi, em Tripoli

Um edifício administrativo situado no complexo residencial do dirigente líbio, Muammar Kadafi, em Tripoli, foi completamente destruído por um míssil. As anti-aéreas das forças leais ao regime continuam activas a defender-se dos ataques dos aliados que se repetiram já por volta da meia-noite, hora local, 23 horas em Portugal. Os EUA dizem que passam comando das operações a outros "dentro de dias".

O edifício administrativo situado no complexo residencial do dirigente Muammar Kadafi em Tripoli foi destruído porque abrigava um centro de "comando e controlo" das forças líbias, noticiou a AFP citando fonte militar da coligação.

"No quadro da resolução 1973, continuamos a visar alvos que constituem uma ameaça directa para o povo líbio e que afectam a criação de uma zona de exclusão aérea", disse a fonte que pediu para não ser identificada.

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O edifício em questão está situado a cerca de 50 metros da tenda em que o coronel costumava receber os seus convidados oficiais. Um oficial norte-americano disse desconhecer a existência de vítimas civis.

O prédio foi totalmente destruído por um míssil, segundo afirmou o porta-voz do regime, Moussa Ibrahim, aos jornalistas estrangeiros levados de autocarro até ao local.

"Foi um bombardeamento bárbaro que podia ter vitimado centenas de civis que estavam reunidos na residência de Muammar Kadafi", disse Ibrahim.

Dezenas de pessoas afluíram ao local por terem ouvido o rumor de que um avião tinha caído sobre a residência e gritavam "onde está o avião", relataram os jornalistas.

Fortes explosões foram ouvidas no domingo à noite em Tripoli, uma das quais na área da residência de Muammar Kadafi.

Uma coluna de fumo elevava-se por cima da zona de residência de Kadhafi de Bab el-Aziziya, no sul da capital líbia, enquanto se ouviam tiros das baterias antiaéreas líbias.

Um responsável do Pentágono disse no domingo, em conferência de imprensa, que o coronel Kadhafi não era pessoalmente visado pelos bombardeamentos da coligação.

"Posso garantir que ele não figura na lista dos alvos. Não temos como alvo a sua residência", disse o vice-almirante Bill Gortney.

Robert Gates, secretário da Defesa dos EUA, anunciou que os norte-americanos vão passar o comando das operações militares a outros "dentro de dias", enquanto a BBC dá conta de novos ataques dos aliados, conduzidos pelos britânicos, contra posições de Kadafi em Tripoli.

Segundo os "media" italianos, seis aviões da Força Aérea de Itália estão também envolvidos nos movimentos dos aliados. Dinamarca confirmou que também participou na intevenção militar internacional.

Os ataques da noite de domingo foram mais fortes que os de sábado. "A chuva de mísseis é mais visível que a de ontem", relata o "El Pais", na edição online daquele periódico espanhol.

Em conferência de imprensa, um porta-voz do exército líbio referiu que o anúncio do cessar-fogo surge como resposta ao apelo lançado pela União Africana de uma "cessação imediata das hostilidades". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon disse esperar que o cessar-fogo seja cumprido.

Horas antes, em declarações à televisão da líbia, Kadafi chamou "terroristas" aos países da coligação.

"Mostraram ao Mundo que não são civilizados, que são terroristas - animais a atacar uma nação soberana que não fez nada contra vocês", disse o líder líbio, que considerou os países aliados - EUA, Inglaterra, França, Canadá e Itália - como "os novos nazis".

Qatar também entra na coligação

Entretanto, o Qatar decidiu juntar-se à coligação internacional contra as forças de Kadafi e enviou quatro aviões para os céus da Líbia.

O porta-voz do Ministério da Defesa francês, Laurent Teisseire, referiu-se a um "ponto decisivo" na operação que disse ser "a decisão do Qatar de enviar quatro aviões para a zona".

Este domingo, o principal responsável militar dos Estados Unidos, o almirante Michael Mullen, afirmou que a primeira fase de ataques aéreos contra alvos na Líbia foi "um êxito" e permitiu criar uma zona de exclusão aérea.

O chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos disse, também, que as forças leais a Muammar Kadafi "suspenderam o avanço" para Benghazi, cidade bastião dos rebeldes a quase mil quilómetros para leste da capital, Tripoli.

Na madrugada deste domingo, segundo um porta-voz do comando militar africano dos EUA em Estugarda, na Alemanha, Kenneth Fidler, 19 aviões norte-americanos, entre os quais três bombardeiros furtivos B2 e caças F-15 e F-16, atacaram objectivos na Líbia.

No terreno, fontes dos rebeldes líbios em Benghazi, citadas pela agência France Presse, indicaram que dezenas de veículos militares das forças do regime foram destruídos, em ataques lançados a partir do ar, a cerca de 35 quilómetros a oeste da cidade.

Ainda segundo os rebeldes, a operação aérea foi realizada por caças franceses e teve início pelas 5.30 horas locais (3.30 horas em Portugal Continental), prolongando-se por cerca de duas horas.

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