EUA

"Ato de terrorismo". Identificado sequestrador de sinagoga no Texas

"Ato de terrorismo". Identificado sequestrador de sinagoga no Texas

As autoridades norte-americanas identificaram o homem que no sábado sequestrou quatro pessoas numa sinagoga do Texas, nos EUA, como sendo um cidadão britânico de 44 anos.

O sequestro na sinagoga da congregação Beth Israel situada na pequena localidade de Colleyville, a 40 quilómetros de Dallas, durou dez horas até que uma equipa de intervenção do FBI entrou no edifício, libertando os reféns. Ouvidos disparos e uma explosão, o sequestrador morreu na operação, desconhecendo-se se morto pela polícia federal ou se por suicídio.

As autoridades americanas lançaram uma investigação de "âmbito internacional" sobre o suspeito, que hoje identificaram como sendo o britânico Malik Faisal Akram, mas ainda não são totalmente claros os motivos do sequestro.

"Nesta altura, não há indicação do envolvimento de mais ninguém", disse a polícia federal americana, em comunicado, acrescentando que as investigações continuam.

A Scotland Yard confirmou que oficiais da polícia antiterrorista britânica estiveram "em contacto com autoridades americanas e colegas do FBI".

O agente especial responsável pela operação de resgate, Matt DeSarno, já tinha dito antes que, com base nas longas e tensas negociações com a polícia, não pareceu que o sequestrador tivesse como alvo a comunidade judaica.

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Como o serviço religioso de sábado estava a ser transmitido em direto através do Facebook, o sequestrador pôde ser ouvido por várias pessoas.

"Há algo de errado com a América", disse o homem, de acordo com a agência AFP, que seguiu a transmissão até esta ser interrompida pelo Facebook.

"Eu vou morrer", disse também, pedindo repetidamente a um interlocutor não identificado para falar ao telefone com a sua "irmã", referindo-se a Aafia Siddiqui, condenada em 2010 por alegadamente tentar matar militares norte-americanos e agentes do FBI, enquanto se encontrava sob custódia no Afeganistão.

"Ato de terrorismo"

O presidente dos EUA, Joe Biden, classificou, este domingo, como um "ato de terrorismo" a tomada de reféns e pareceu confirmar que o agressor, que morreu depois, exigia a libertação da terrorista condenada Aafia Siddiqui.

"Este foi um ato de terrorismo" relacionado com "alguém que foi detido há 15 anos e está preso há 10 anos", declarou Biden à imprensa, durante uma visita a uma organização de ajuda contra a fome na cidade da Filadélfia.

Aafia Siddiqui, de 49 anos, foi a primeira mulher suspeita pelos EUA de ligações com a rede islâmica responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o que lhe valeu a alcunha de "Lady Al-Qaeda". Aafia Siddiqui foi para os EUA aos 18 anos, para morar com o irmão e estudar na prestigiada universidade MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), em Boston, obtendo depois um doutoramento em neurociência pela Brandeis University. A sua libertação tem sido exigida por muitos, desde logo pelo Paquistão.

Siddiqui "absolutamente não está envolvida" na tomada de reféns, assegurou à CNN o seu advogado, em comunicado. Também John Floyd, presidente do maior conselho islâmico dos EUA, garantiu que o irmão de Aafia, Muhammad Siddiqui, não está envolvido no sequestro. "Este agressor não tem nada a ver com Aafia, a sua família ou a campanha global para obter justiça para ela. Queremos que o agressor saiba que as suas ações são perversas e prejudicam diretamente os que, como nós, buscam justiça para Aafia", disse à agência Associated Press.

Reino Unido condena sequestro

O Reino Unido considerou que o sequestro ocorrido no sábado numa sinagoga no Texas, EUA, é "um ato de terrorismo e antissemitismo". "O meu pensamento está com a comunidade judaica e com todos os que sofreram este ato horrível no Texas. Condenamos este ato de terrorismo e antissemitismo", escreveu a ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, na rede social Twitter.

A embaixadora britânica nos EUA, Karen Pierce, também recorreu ao Twitter para sublinhar o "apoio total às forças da ordem texanas e americanas".

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