Diplomacia

Imagem falsa de soldado a matar criança cria tensão entre a China e Austrália

Imagem falsa de soldado a matar criança cria tensão entre a China e Austrália

A Austrália exige à China que se desculpe pela publicação de uma imagem falsa de um soldado australiano a matar uma criança afegã, numa conta de Twitter de um porta-voz do governo chinês, esta segunda-feira.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, considerou que Pequim devia ter vergonha de partilhar a imagem "repugnante". O episódio vem agudizar a escalada de tensão política entre os dois países.

Foi durante este mês de novembro que um relatório das Forças de Defesa Australianas (ADF) veio denunciar alegados crimes de guerra cometidos por soldados australianos contra afegãos. As conclusões do inquérito da ADF acusam 25 soldados australianos de envolvimento na morte de 39 civis e prisioneiros afegãos, entre 2009 e 2013. A condenação dos atos na praça pública foi generalizada e a matéria deu origem a uma investigação policial.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lijian Zhao, publicou agora uma imagem alterada em que se vê um soldado australiano com uma faca ensanguentada junto ao pescoço de uma criança. O tweet diz: "Chocado com o assassinato de civis e prisioneiros afegãos por soldados australianos. Condenamos veementemente esses atos e pedimos que sejam responsabilizados."

A imagem parece fazer referência a anteriores imputações contra soldados de elite australianos, acusados de matar dois meninos afegãos de 14 anos com recurso a facas. Contudo, tais suspeitas não constam do relatório da ADF, segundo a estação pública de televisão australiana "ABC".

O documento encontrou, porém, "evidências credíveis" de homicídios ilegais e de uma "cultura guerreira" nas unidades de elite. Entre as alegações da ADF, consta que os soldados mais novos eram incentivados a atirar em prisioneiros para matar pela primeira vez.

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A Austrália já pediu ao Twitter que remova o post, por constituir "desinformação". O primeiro-ministro descreveu-o como "verdadeiramente repugnante, profundamente ofensivo e completamente ultrajante". "Trata-se de uma imagem falsa e de uma calúnia terrível contra as nossas forças de defesa", acrescentou. Para Scott Morrison, a publicação "diminui" a China aos olhos do mundo.

Tal como é esperado de um país "democrático, liberal", a Austrália desenvolveu um processo transparente para investigar os alegados crimes de guerra, segundo Scott Morrison, que admitiu o clima de tensão entre os dois países, mas considera que "não é assim que se lida com isso". Ainda assim, não vira as costas à diplomacia e exorta a China a retomar o diálogo.

As relações entre os dois países entraram em rota de colisão este ano, depois de Camberra ter apelado a uma investigação sobre a origem da pandemia e à forma como Pequim lidou com o surto de covid-19, que começou na cidade chinesa de Wuhan, no final de 2019. Em retaliação, a China suspendeu importações e impôs uma série de tarifas a produtos importados daquele país, como à cevada, à carne de vaca e ao vinho, o que deu origem a uma guerra comercial entre as duas nações.

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