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Austrália exige pedido de desculpa à China após foto comprometedora no Twitter

Austrália exige pedido de desculpa à China após foto comprometedora no Twitter

A Austrália está a exigir à China que se desculpe pela publicação de uma imagem falsa de um soldado australiano a matar uma criança afegã, numa conta de Twitter de um porta-voz do governo chinês, esta segunda-feira.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, considerou que Beijing "deveria sentir-se totalmente envergonhado com esta mensagem. Diminui-os aos olhos do mundo". O episódio vem agudizar a escalada de tensões políticas entre os dois países.

Morrison sublinhou que a publicação "é totalmente escandalosa e não pode ser justificada" e disse ter pedido ao Twitter para "imediatamente" remover a mensagem que contém "uma imagem falsa", enquadrando-a como "desinformação".

A controversa publicação do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, é acompanhada por uma fotografia em que um soldado com uniforme militar e capacete com a bandeira australiana segura uma faca ensanguentada no pescoço de uma criança descalça, agarrada a um cordeiro

O chão onde ambos aparecem é coberto pela bandeira australiana, que também cobre vários corpos inertes, e a bandeira afegã, que é composta por peças de um puzzle.

O oficial chinês escreveu que ficou "chocado com o assassínio de civis afegãos e prisioneiros por soldados australianos" e acrescentou: "Condenamos veementemente estes atos e pedimos que prestem contas".

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A publicação de Zhao Lijian segue-se à admissão da Austrália, a 19 de Novembro, de que o seu exército matou 39 civis e prisioneiros afegãos entre 2009 e 2013, durante o seu destacamento para o Afeganistão. Um relatório das Forças de Defesa Australianas (ADF) veio denunciar os alegados crimes de guerra cometidos por soldados australianos contra os afegãos.

A condenação dos atos na praça pública foi generalizada e a matéria deu origem a uma investigação policial. O chefe do Exército australiano, Rick Burr, disse na sexta-feira que 13 soldados foram notificados da sua expulsão, sem detalhar se estão entre os acusados.

Hu Xijin, o editor do jornal estatal chinês Global Times, defendeu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, também através do Twitter. "É uma caricatura conhecida que condena a morte brutal de 39 civis afegãos pelas Forças Especiais australianas", disse Hu.

"Porque é que Morrison está zangado com a utilização que o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros faz da caricatura? É ridículo e embaraçoso que ele exija um pedido de desculpas da China", reagiu.

A imagem parece fazer referência a anteriores imputações contra soldados de elite australianos, acusados de matar dois meninos afegãos de 14 anos com recurso a facas. Contudo, tais suspeitas não constam do relatório da ADF, segundo a estação pública de televisão australiana "ABC".

O documento encontrou, porém, "evidências credíveis" de homicídios ilegais e de uma "cultura guerreira" nas unidades de elite. Entre as alegações da ADF, consta que os soldados mais novos eram incentivados a atirar em prisioneiros para matar pela primeira vez.

O primeiro-ministro australiano descreveu o post de Zhao Lijian como "verdadeiramente repugnante, profundamente ofensivo e completamente ultrajante. "Trata-se de uma imagem falsa e de uma calúnia terrível contra as nossas forças de defesa", sublinhou.

Tal como é esperado de um país "democrático, liberal", a Austrália desenvolveu um processo transparente para investigar os alegados crimes de guerra, segundo Scott Morrison, que admitiu o clima de tensão entre os dois países, mas considera que "não é assim que se lida com isso". Ainda assim, não vira as costas à diplomacia e exorta a China a retomar o diálogo.

As relações entre as duas nações entraram em rota de colisão este ano, depois da Austrália ter apelado a uma investigação sobre a origem da pandemia e à forma como Pequim lidou com o surto de covid-19, que começou na cidade chinesa da Wuhan, no final de 2019.

Em retaliação, a China suspendeu importações e impôs uma série de tarifas a produtos importados daquele país, como à cevada, à carne de vaca e ao vinho.

A Austrália vetou as empresas chinesas Huawei e ZTE de concederem concessões para a sua rede de quinta geração (5G) em 2018, por razões de segurança, e exerceu pressão legislativa para evitar interferências políticas estrangeiras, sem se referir diretamente à China.

Os dois países também mantêm profundas diferenças ideológicas e discordam em questões como os direitos humanos ou a militarização e a livre navegação no disputado Mar do Sul da China.

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