França

Autarca propõe depósito de 15 mil euros a quem quiser subir o Monte Branco

Autarca propõe depósito de 15 mil euros a quem quiser subir o Monte Branco

Um autarca francês quer cobrar um depósito de 15 mil euros, para cobrir despesas de salvamento e funeral, aos montanhistas que desejem escalar o Monte Branco, ponto mais alto da Europa, entre a França e a Itália, com picos que passam os quatro mil metros.

Jean-Marc Peillex, "mayor" de Saint-Gervais, uma aldeia no sopé do Monte Branco, diz que as condições são cada vez mais perigosas. Quem tenta chegar ao cume da montanha mais alta da Europa, que se ergue até aos 4807 metros, está a jogar "à roleta russa" com a própria vida.

Segundo o presidente da autarquia de Saint-Gervais, em média, uma operação de salvamento custa 10 mil euros e um funeral ronda os cinco mil. "É inaceitável que sejam os contribuintes franceses a pagar", argumentou Jean-Marc Peillex.

"Quis fazer as pessoas pensar, perceber que hoje em dia é muito perigoso, quase suicida", disse o "mayor" de Sanint-Gervais, ouvido pelo canal britânico BBC. A onda de calor que afetou grande parte da Europa no mês de julho acelerou o degelo. As condições são mais perigosas e as quedas de pedras frequentes.

O autarca diz que a exigência de depósito aos alpinistas ainda não está em vigor, mas argumenta que tem poder para o impor. O montante previsto, 15 mil euros, tem de ser elevado, para "servir de alerta" face aos perigos crescentes.

"Os pseudo-alpinistas" que insistem em tentar subir o Monte Branco "levam a morte nas mochilas", escreveu o autarca na página oficial da autarquia. No documento, Peillex diz que os guias de montanha estão a recusar a levar alpinistas pela popular Rota de Goûter, também conhecida como o Caminho Real de Saint-Gervais para a estância alpina de Chamonix.

Uma medida em vigor, na melhor das hipóteses, até meados de agosto e que implicou, ainda, o encerramento dos refúgios de Goûter, situado a 3835 metros de altitude, a caminho da Cúpula do Goûter, pico 4304 metros acima do nível do mar, e de Tête Rousse, a 3167 metros, na localidade de Les Houches.

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Peillex decretou o encerramento dos refúgios de montanha de Goûter e Tête Rousse por causa da queda de pedras. A falta de neve no inverno e um verão extremamente quente desestabilizaram as paredes rochosas e dificultam a escalada. O calor, associado ao aquecimento global, também aumentou o risco de avalanches nos Alpes, devido ao degelo dos glaciares.

Um guia local, especializado na subida até Chamonix, disse à agência de notícias AFP que, em média, cerca de 20 pessoas, montanhistas experientes e treinados, chegam atualmente ao cume do Monte Branco, em média, por contraste com os 110 a 120 que era habitual.

Anualmente, há dezenas de salvamentos e algumas mortes entre os montanhistas que tentam subir a montanha mais alta da Europa. Com 11 picos acima dos quatro mil metros, o Monte Branco é uma atração para aventureiros e atrai centenas de turistas anualmente.

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