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Autor da Constituição espanhola preferia Portugal a ter ficado com a Catalunha

Autor da Constituição espanhola preferia Portugal a ter ficado com a Catalunha

A polémica estalou em Espanha, depois de um ex-presidente do Congresso ter afirmado que o país teria ficado melhor com Portugal do que com a Catalunha, com o governo de Zapatero a lamentar as declarações e o autor a retratar-se.

Na quinta-feira, o advogado Gregorio Peces-Barba, ex-presidente do Congresso espanhol e um dos autores da Constituição, disse, irónico, no Congresso Nacional de Advocacia, que a Espanha talvez estivesse melhor se, no século XVII, tivesse "ficado com os portugueses" e deixado os "catalães ir embora" e brincou com os bombardeamentos de Catalunha durante o franquismo.

As declarações de Peces-Barba, que já pediu desculpas e se afirmou amigo dos catalães e da Catalunha, motivaram hoje diversos protestos políticos, incluindo do governo de José Luis Zapatero, que, através do seu porta-voz, o ministro do Fomento, José Blanco, as classificou como "infelizes".

A ministra da Defesa e candidata pelo Partido dos Socialistas da Catalunha, Carmo Chacon, às eleições legislativas de novembro considerou-as, por sua vez, uma "barbaridade" e um "disparate intolerável".

Segundo a agência Efe, as palavras de Peces-Barba também foram mal recebidas pelo porta-voz do partido Solidariedade Catalã pela Independência, Alfons López Tena, que, irónico, respondeu, na rede social Facebook, que os catalães teriam preferido apoiar Napoleão porque, agora, a Espanha "seria uma região de França".

A 'bricandeira' com os bombardeamentos de Barcelona durante o franquismo - desvalorizados hoje por Peces-Barba face aos bombardeamentos de Guernica ou aos assassínios da ETA - foi mal recebida pelo candidato 'número dois' do partido independentista Esquerda Revolucionária da Catalunha às legislativas, Joan Tardà, que insultou, em nome das vítimas, o advogado na rede social Twitter.

As críticas estenderam-se igualmente a outros partidos, da esquerda à direita, do poder à oposição.

Os espanhóis confundem a independência de Portugal, em 1143, que marca o início da dinastia afonsina, com a restauração da independência, em 1640, segundo o historiador espanhol Hipólito de La Torre Gómez.