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Autor de sequestro mais longo de sempre em São Paulo condenado a 98 anos de prisão

Autor de sequestro mais longo de sempre em São Paulo condenado a 98 anos de prisão

Lindemberg Alves Fernandes foi condenado, esta quinta-feira, a 98 anos e dez meses de prisão, por um júri popular, pela autoria do sequestro mais longo de sempre em São Paulo e pelo assassinato de sua ex-namorada, em Outubro de 2008.

Após quatro dias de julgamento, Lindemberg Alves Fernandes, de 25 anos, foi considerado culpado por 12 crimes, entre os quais o de sequestro, homicídio qualificado, tentativa de homicídio e disparo de arma de fogo.

Terá de pagar uma multa ao fundo penitenciário e será ainda processado por porte ilegal de arma.

Ao ler a sentença, a juíza destacou que o acusado premeditou o crime e agiu com frieza. Pela lei brasileira, não pode ficar preso por mais de 30 anos.

Em 2008, Lindemberg Alves Fernandes, que trabalhava como 'estafeta' entrou no apartamento em que a ex-namorada Eloá Pimentel de 15 anos morava, em Santo André (região metropolitana de São Paulo), e manteve-a sequestrada ao lado de três colegas que estudavam com ela.

Uma amiga de Eloá, Nayara Rodrigues da Silva também foi baleada no rosto, mas sobreviveu, tendo agora participado no julgamento como testemunha.

No seu depoimento, Nayara Rodrigues afirmou que Lindemberg Alves Fernandes agrediu a ex-namorada, e que parecia "determinado a matá-la".

O crime foi emblemático em São Paulo tanto pelo tempo do cativeiro, de cerca de cem horas, como pelas críticas à ação da polícia e da imprensa.

O agressor chegou a ser entrevistado por um canal de televisão durante o crime e, segundo afirmaram testemunhas no julgamento, sentiu-se "famoso".

A polícia permitiu que Nayara Rodrigues voltasse ao cativeiro após ser libertada para ajudar nas investigações, tendo invadido o apartamento depois de explodir a porta num momento em que os reféns estavam sob a mira do sequestrador.

Na sentença lida hoje, a juíza eximiu a imprensa e a polícia militar de culpa.

O agora condenado, afirmou no julgamento que os dois tiros com que atingiu Eloá partiram da sua arma, mas que o fez "sem pensar", após a invasão da polícia.

Lindemberg Alves Fernandes disse ainda que invadiu o apartamento da namorada para conversar com ela, alegando que Eloá o estaria a "trair" com um amigo. Disse ainda que não premeditou o crime.

Lindemberg foi preso logo após o crime e aguardou julgamento no presídio de Tremembé, em São Paulo.