Genebra

Autoridades vão procurar bombas e munições nas profundezas do maior lago da Suíça

Autoridades vão procurar bombas e munições nas profundezas do maior lago da Suíça

As águas do lago Genebra, na Suíça, podem parecer serenas mas, nas suas profundezas, há pilhas de bombas, cartuchos e possivelmente até armas químicas descartadas há várias décadas.

"Acreditamos que existam bombas e projéteis, e provavelmente munição de fuzil", disse Jacques Martelain, geólogo-chefe do cantão de Genebra, em declarações à AFP. Há quem também tema que possam haver bombas de fosgénio - armas químicas mortais - no fundo do lago.

As autoridades suíças vão começar a mapear as pilhas de munições que vivem no fundo do maior lago dos Alpes para determinar que tipo de resíduos explosivos existem, em que quantidade e se devem ser removidos.

A Suíça é um país notoriamente neutro que não se envolveu em nenhuma das duas guerras mundiais, mas a sua posição de longa data é de uma neutralidade bem armada. Entre a I Guerra Mundial e meados da década de 1960, milhares de toneladas de munições, artilharia, granadas e detonadores foram afundados em lagos em todo o país.

Após duas explosões em depósitos de armazenamento - um deles dentro de uma montanha -, o exército começou a livrar-se dos stocks excedentes pós-II Guerra Mundial, usando aterros subaquáticos.

Estima-se que o exército tenha afundado mais de oito mil toneladas de munições nos lagos Thun, Lucerna e Brienz.

As autoridades estudaram esses resíduos e decidiram, há cerca de uma década, que era mais seguro deixá-los onde estavam, cobertos com espessas camadas de sedimentos. Segundo elas, removê-los aumentaria o risco de deslocar os sedimentos, libertando gases poluentes e causando danos significativos no ecossistema aquático.

PUB

Situação no lago Genebra preocupa

Os especialistas alertaram que a situação é diferente no lago Genebra, onde uma empresa privada de armamentos, a Hispano-Suiza, despejou o excesso de munições até à década de 1960. A empresa tinha várias fábricas de armas em Genebra, mas as autoridades não sabem porque é que usava o lago como depósito de lixo.

No início dos anos 2000, o ministério da defesa suíço estimou que entre 150 e mil toneladas de munições tinham sido despejadas no lago, mas não identificou a sua localização exata nem detalhou o armamento específico.

Assim, nas próximas semanas, as autoridades vão começar a testar técnicas de monitorização no lago, que fornece a Genebra cerca de 80% da sua água potável.

Uma das principais preocupações passa pelo facto de os stocks de munição poderem estar em profundidades bem mais rasas do que nos outros lagos. As autoridades de Genebra pensaram durante muito tempo que os sedimentos que cobriam as armas forneciam proteção, como noutros lagos. Porém, em 2019, a organização ambiental francesa Odysseus 3.1 descobriu várias caixas de munições a uma profundidade de apenas 50 metros, que não estavam cobertas por sedimentos.

Dessa forma, as buscas vão concentrar-se na extremidade mais rasa do lago, perto da própria cidade de Genebra, uma área popular entre os nadadores onde o lago atinge profundidades de 50 a 100 metros.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG