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Azerbaijão e Arménia acusam-se mutuamente de violação ao novo cessar-fogo

Azerbaijão e Arménia acusam-se mutuamente de violação ao novo cessar-fogo

O Azerbaijão e a Arménia acusaram-se hoje mutuamente de violação do novo acordo de cessar-fogo, na fronteira comum, alcançado durante a madrugada com mediação da Rússia.

"Apesar do cessar-fogo anunciado às 06:00 TMG [07:00 em Portugal], este foi violado pela Arménia ao longo da fronteira, com o uso de artilharia e outras armas pesadas", indicou o Ministério da Defesa azeri, em comunicado.

O documento acrescenta que as Forças Armadas da Arménia estacionadas próximas da cidade de Vaghatin, na região de Syunik, sudeste arménio, atacaram posições do Exército do Azerbaijão na direção de Ahmadli, na região de Lachin no sudoeste do Afeganistão.

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Segundo Baku, as forças azeris "responderam ao fogo inimigo".

Por seu lado, o Ministério da Defesa da Arménia, também em comunicado, reiterou que a intensidade dos confrontos na fronteira com o Azerbaijão "diminuiu drasticamente", embora a situação continue "extremamente tensa", com as forças azeris a avançarem para território arménio, sobretudo para as localidades fronteiriças de Nerkin Hand, Verin Shorzha, Artanish e Sotk.

"Da meia-noite até agora, as unidades do Azerbaijão continuam a atacar cidades fronteiriças e infraestruturas civis. Neste contexto, as declarações do lado do Azerbaijão de que não atacam civis são absurdas. Há provas suficientes que confirmam ações criminosas contra civis", acrescentou.

A situação na fronteira entre os dois países do Cáucaso agravou-se hoje de madrugada após um ataque as forças azeris que causou a morte a 49 militares arménios e ferimentos em pelo menos três civis.

Os Estados Unidos e a França já apelaram às partes em conflito para cessarem as atividades militares.

Os confrontos da madrugada de hoje são os mais graves entre a Arménia e o Azerbaijão desde a guerra em 2020, denunciaram as autoridades de Erevan, que responsabilizam Baku pela "agressão".

A Rússia, que reivindica o papel de árbitro entre as Repúblicas do Cáucaso, anunciou ter negociado o acordo de cessar-fogo.

Os dois países disputam várias zonas de fronteira, incluindo o território de Nagorno-Karabakh, um enclave no Azerbaijão ocupado pela Arménia, que provocou um violento conflito armado entre 1993 e 1994, com milhares de vítimas, antes de um cessar-fogo que tem sido diversas vezes violado.

Enclave separatista arménio em território do Azerbaijão, país vizinho do Irão, o território do Nagorno-Karabakh foi novamente palco de violentos combates entre forças arménias e azeris em setembro e outubro de 2020, que provocou cerca de 6500 mortos.

O Nagorno-Karabakh, habitado na época soviética por uma maioria arménia cristã e uma minoria azeri muçulmana xiita, efetuou a secessão do Azerbaijão após a queda da URSS, motivando uma guerra com 30.000 mortos e centenas de milhares de deslocados.

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