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Bailarino condenado pelo ataque ao diretor do Bolshoi

Bailarino condenado pelo ataque ao diretor do Bolshoi

Um tribunal de Moscovo condenou esta terça-feira a seis anos de prisão o antigo solista da companhia de bailado do Teatro Bolshoi Pavel Dmitritchenko pelo planeamento do ataque com ácido contra o diretor artístico daquele teatro.

Os cúmplices de Dmitritchenko, Yuri Zarutski, o executante do ataque, e Andrei Lipatov, o motorista que levou Zarutski até ao local do crime, foram condenados a 10 e a quatro anos de prisão, respetivamente.

Na sexta-feira, o Ministério Público russo tinha pedido nove anos de prisão para Pavel Dmitritchenko.

Segundo o Tribunal Meshanski de Moscovo, os três condenados irão cumprir as respetivas penas em prisões de alta segurança, bem como terão de pagar 3,5 milhões de rublos (cerca de 80 mil euros) ao diretor artístico Serguei Filin por danos morais e materiais.

A juíza Elena Maxima referiu que a instância judicial considerou que ficou demonstrado que Dmitrichenko, Zarutski e Lipatov conspiraram para atacar Filin em janeiro passado.

O diretor artístico do Bolshoi, Serguei Filin, de 43 anos, foi atacado em meados de janeiro deste ano junto da sua residência no centro de Moscovo por um desconhecido que lhe lançou ácido sulfúrico contra o rosto, causando-lhe queimaduras graves, incluindo nos olhos.

O caso, que chocou a opinião pública russa, revelou ao grande público as rivalidades e os conflitos internos vividos dentro do emblemático teatro.

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De acordo com a acusação, Pavel Dmitrichenko ordenou o ataque por considerar que o diretor artístico relegava para segundo plano a sua mulher, a também bailarina do Teatro Bolshoi Angelina Vorontsova.

Alegadamente, o bailarino também estava descontente com Filin por causa de questões relacionadas com remunerações e a distribuição de papéis nas produções do teatro.

Durante o julgamento, Filin foi alvo de duras críticas por parte de bailarinos testemunhas no processo, que asseguraram que o diretor infernizava a vida de Pavel Dmitrichenko.

No julgamento, Dmitrichenko assumiu a responsabilidade moral do ataque, mas negou ter pago a alguém para castigar Filin.

Depois do ataque, Filin, que ficou quase cego e sofreu queimaduras de terceiro grau no rosto, foi submetido a várias operações na cara e nos olhos. O diretor artístico deslocou-se várias vezes à Alemanha para ser operado aos olhos.

Em setembro passado, Serguei Filin voltou ao Bolshoi, uma das companhias de ballet mais prestigiadas do mundo, sempre acompanhado por um guarda-costas.

O diretor artístico regressou recentemente à Alemanha para ser submetido novamente a cirurgias oculares.

Filin, um antigo bailarino, foi nomeado em 2011 para o cargo de diretor artístico do Bolshoi.

O bailarino Pavel Dmitritchenko trabalhava no Bolshoi desde 2002.

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