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Bancos da Florida seguem Deutsche Bank e cortam ligações a Trump

Bancos da Florida seguem Deutsche Bank e cortam ligações a Trump

Dois bancos do Estado da Florida vão seguir o exemplo do Deutsche Bank e cortar relações comerciais com o empresário e ex-presidente norte-americano Donald Trump, que se encontra sob investigação por suspeitas de fraude fiscal.

Na Florida, para onde Trump se retirou esta semana depois de abandonar a Casa Branca, o BankUnited Inc. anunciou que encerrou duas contas onde o empresário tinha depositados 5,1 milhões de dólares, e frisou que não tem quaisquer créditos em aberto.

O Professional Bank, baseado no mesmo Estado, já havia anunciado nos últimos dias que deixou de ter relações comerciais com Trump, que tinha obtido deste banco em 2018 um crédito de 11,2 milhões de dólares para comprar um terreno contíguo à estância turística de Mar-a-Lago, em Palm Beach.

Trump, que é atualmente alvo de um segundo processo de destituição no Congresso por alegado incitamento do ataque de 6 de janeiro contra o Capitólio por apoiantes seus, também tinha no mesmo banco até recentemente uma conta corrente de montante superior a 5 milhões de dólares.

O afastamento dos bancos da Florida segue-se à decisão do Deutsche Bank, noticiada pelo "New York Times", de cortar laços com o empresário, na sequência do afastamento da gestora do banco responsável pelas relações de crédito com Trump, Rosemary Vrablic, cuja equipa é alvo de uma auditoria interna.

As relações de Trump com o Deutsche Bank estiveram em foco no mais recente testemunho de Michael Cohen, ex-advogado pessoal do empresário, na semana passada numa investigação da procuradoria de Nova Iorque à Trump Organization.

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Cohen, que colabora com a investigação como delator, examinou a pedido dos procuradores documentos da Trump Organization, "holding" empresarial do presidente cessante, e foi questionado sobre detalhes da estrutura da instituição, segundo fontes judiciais citadas pela AP.

A audiência, de várias horas, foi pelo menos a segunda de Cohen no gabinete do procurador distrital de Manhattan, Cyrus R. Vance Jr., que está envolvido numa batalha judicial para aceder às declarações fiscais de Donald Trump, cuja atividade empresarial está centrada em negócios imobiliários.

Trump tem pelo menos três hipotecas - de mais de 300 milhões de dólares - com o Deutsche Bank, seu principal financiador ao longo dos últimos anos.

Segundo a revista "Forbes", nos próximos três anos Trump tem dívidas a vencer de cerca de 1.000 milhões de dólares, relacionadas com empréstimos contraídos para construção da torre da Avenida das Américas em Nova Iorque (285 milhões de dólares), hotel Trump International Washington (170 milhões), um arranha-céus em São Francisco (162 milhões) e o hotel e campo de golfe Trump National Coral Miami (125 milhões), entre outros.

O valor dos ativos de Trump é calculado pela "Forbes" em 3.660 milhões de dólares.

Além de afetados pela crise do Turismo e imobiliário, devido à pandemia, os negócios com Trump tornaram-se também, na sequência do ataque ao Capitólio, indesejáveis para organizações desportivas como a Associação Profissional de Golf, que cancelou a prova prevista para 2022 no Trump National Golf Club Bedminster, em Nova Jérsia.

Em Nova Iorque, a Câmara Municipal rescindiu um contrato de 17 milhões de dólares com a Trump Organization para gestão de algumas infraestruturas, incluindo um campo de golfe.

Paralelamente, algumas das maiores marcas norte-americanas, como AT&T, Mastercard, American Express, Marriott, Dow, Morgan Stanley ou Blue Cross Blue Shield suspenderam também a entrega de donativos a congressistas que apoiaram Trump durante a invasão ao Capitólio. O presidente cessante é ainda alvo de uma investigação civil lançada pela procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, focada em suspeitas de que a Trump Organization terá prestado informação falsa sobre o valor dos seus ativos, para obter empréstimos ou benefícios fiscais.

Também a investigação da procuradora-geral estadual conta com a colaboração do ex-advogado pessoal de Donald Trump.

Perante o Congresso, Michael Cohen afirmou que Trump frequentemente inflacionava o valor dos seus ativos em operações com financiadores ou potenciais parceiros de negócios, e que os deflacionava para efeitos fiscais.

Trump tem colocado em causa a imparcialidade das investigações de Vance e James, ambos do partido democrata, classificando-as de "caça às bruxas".

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