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Bangladesh "salvou" a vida dos rohingyas que fugiram da Birmânia

Bangladesh "salvou" a vida dos rohingyas que fugiram da Birmânia

Um alto funcionário das Nações Unidas disse esta sexta-feira que o Bangladesh "literalmente salvou a vida" dos 607 mil rohingyas que fugiram da Birmânia (Myanmar) e, agora, o resto do mundo deve ajudá-los durante esta crise.

O Alto Comissário-Adjunto para os Refugiados, Volker Türk, disse hoje, numa conferência de imprensa em Genebra, que as operações militares birmanesas destruíram "trezentas aldeias", das quais muitas foram queimadas, provocando a fuga dos rohingyas para o Bangladesh.

A comunidade rohingya da Birmânia, uma minoria muçulmana, está a sofrer desde agosto a maior crise de refugiados desde aquela que foi protagonizada pelos sírios (especialmente nos primeiros anos da guerra civil síria, que começou em 2011).

Volker Türk disse ainda que não se deve esperar que a situação se resolva rapidamente, após ter visitado os campos de refugiados, nos quais os rohingyas vivem amontoados e com poucas condições sanitárias.

Türk declarou ainda que o mundo deve ajudar o Bangladesh e não deve deixar cair esta crise humanitária no esquecimento.

O responsável do ACNUR já esteve na Birmânia e encontrou-se com três ministros e um alto assessor da segurança do Executivo, mas não manteve encontros com membros do exército, que mantém uma grande parte do poder nos assuntos do Governo.

O Alto Comissário-Adjunto disse que, apesar dos seus pedidos, o Governo birmanês não autoriza o seu representante a viajar para o estado de Rakhine, onde está localizada a comunidade rohingya, e onde estão também três funcionários internacionais que não tem permissão para se deslocar.

No entanto, Türk disse ter ficado com uma "forte impressão" de que as autoridades birmanesas estão dispostas a "validar" as recomendações que - coincidindo com o início desta crise - apresentou a uma comissão internacional criada para propor soluções para o problema de os rohingyas.

As suas propostas concentraram-se em reconhecer a nacionalidade birmanesa aos rohingyas, garantir os seus direitos elementares, resolver a situação dos deslocados ou refugiados e compensar os que foram privados das suas terras.

No entanto, o representante da agência da ONU reconheceu que é impossível prever se tudo isso realmente acontecerá.

Quase 900 mil muçulmanos rohingyas da Birmânia vivem em condições insalubres em acampamentos no sul do Bangladesh. O êxodo de mais de 600 mil pessoas desde o fim de agosto foi classificado pela ONU como uma "limpeza étnica".

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