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Leves, recarregáveis e potentes. Baterias de lítio valem Nobel da Química

Leves, recarregáveis e potentes. Baterias de lítio valem Nobel da Química

O Prémio Nobel da Química foi atribuído, esta quarta-feira, a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino, pelo desenvolvimento de baterias de iões de lítio.

O anúncio do prémio, atribuído em simultâneo a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino, foi feito esta quarta-feira de manhã em Estocolmo, na Suécia, pelo secretário-geral da Academia, Goran Hansson.

As baterias de iões de lítio têm como mais-valia o facto de serem leves, recarregáveis e potentes e estão atualmente presentes na maioria de equipamentos móveis eletrónicos, como telemóveis, computadores portáteis e até carros elétricos.

Segundo o Comité Nobel, estas baterias "criaram um mundo recarregável". E acrescenta: "As baterias de iões de lítio são usadas globalmente para dar energia a equipamentos eletrónicos portáteis que usamos para comunicar, trabalhar, estudar, ouvir música e procurar conhecimento". Além de terem possibilitado "o desenvolvimento de automóveis elétricos de longo alcance e o armazenamento de energia proveniente de fontes renováveis, como a solar e eólica".

O norte-americano John B. Goodenough é, aos 97 anos, o investigador mais velho alguma vez galardoado. Nascido na Alemanha em 1922, "previu que o cátodo poderia ter ainda mais potencial se usado com um óxido de metal em vez de um sulfureto de metal", duplicando a voltagem das baterias de dois para quatro volts.

John B. Goodenough participa, quinta-feira, através de um testemunho gravado em vídeo, na Conferência Internacional Mission 10.000 Batteries, organizada pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga.

"Neste testemunho, o professor aponta caminhos para a transição das baterias de lítio para outras matérias-primas menos propensas a criar problemas diplomáticos e fala sobre a importância das baterias para o futuro da humanidade", refere a organização em comunicado. O vídeo será exibido às 9.50 horas.

M. Stanley Whittingham, da universidade norte-americana de Binghamton, nasceu no Reino Unido em 1941, e na década de 1970, em plena crise do petróleo, "começou a investigar supercondutores e descobriu um material extremamente rico em energia, que usou para criar um cátodo inovador numa bateria de lítio".

O japonês Akira Yoshino, professor nas universidades de Osaka e Meijo, criou "a primeira bateria de iões de lítio comercialmente viável em 1985", uma bateria "leve e resistente que podia ser carregada centenas de vezes antes de se deteriorar".

Ao telefone durante a conferência de imprensa de anúncio do prémio, Yoshino afirmou que a curiosidade foi o que o moveu na sua procura de uma nova forma de armazenamento de energia.

Retirou das baterias o lítio puro, deixando iões de lítio, que são mais seguros, abrindo caminho para a sua comercialização, que aconteceria em 1991.

O trio de laureados com o Nobel da Química vai repartir o prémio monetário de 820 mil euros.

O Prémio Nobel da Física 2019 foi atribuído, na terça-feira, a James Peebles, a Michel Mayor e Didier Queloz por novas teorias em cosmologia e pela descoberta de um planeta extra-sistema solar na órbita de uma estrela como o Sol.

O prémio Nobel da Medicina foi atribuído, na segunda-feira, aos cientistas norte-americanos William Kaelin e Gregg Semenza e ao britânico Peter Ratcliffe pelas suas descobertas relativas à forma como as células se adaptam às diferenças de oxigénio.

Na quinta-feira, dia 10, serão atribuídos os Nobel da Literatura de 2018 e 2019 e na sexta-feira será conhecido o nome do novo Nobel da Paz.

O último anúncio será feito no dia 14 de outubro e determinará o vencedor do Nobel da Economia.

Este ano, serão atribuídos dois Nobel da Literatura (relativos a 2018 e 2019), depois de, no ano passado, ter sido suspenso devido a um escândalo de abusos sexuais e crimes financeiros que afetou a Academia de Estocolmo.

Os prémios Nobel nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem por "um mundo melhor".

O prestígio internacional dos prémios Nobel deve-se, em grande parte, às quantias atribuídas, que atualmente chegam aos nove milhões de coroas suecas (mais de 830 mil euros).