Mundo

BE inspira-se em Madrid

BE inspira-se em Madrid

Subiu ao palco em representação da Esquerda Unitária Europeia e colheu fortes aplausos quando recordou a Revolução dos Cravos. Classificando de "inspirador" o crescimento fulgurante do Podemos em Espanha, a eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, garante estar empenhada em colaborar com a nova força política numa perspectiva "internacionalista".

Também Catarina Martins, coordenadora do Bloco, acredita na "aliança entre os povos do sul da Europa para recusar a chantagem das dívidas soberanas e do diretório europeu", afirma em declarações ao JN. Para a deputada bloquista, só essa união poderá permitir aos países do sul terem emprego, crescimento económico, Estado Social e desenvolvimento".

Sobre o Podemos, cuja constituição as dirigentes portuguesas apoiaram este sábado em Madrid, "faz parte do grupo de partidos de esquerda que está a lutar por mudanças profundas e representa, neste momento, uma enorme reconquista da esperança". Para a coordenadora do Bloco, o nascimento desta nova força política demonstra que "se as pessoas juntarem, percebem que não é inevitável obedecer aos mercados financeiros".

Lamentando que em Portugal não se verifique o declínio do bipartidarismo tradicional, visível em países como Espanha ou Grécia, Marisa Matias não ilude responsabilidades: "temos que trabalhar para reconstruir esse espaço". A eurodeputada atribui, no entanto, o fenómeno a um conjunto de circunstâncias que não se verificaram em Portugal, apesar do cenário comum de crise económica. No caso da Grécia, o "pacto dos socialistas com a direita abriu o espaço à indignação", enquanto que em Espanha assistimos à presença de "movimentos sociais muito fortes e organizados, que estão na base da criação do Podemos". Em Portugal, apesar de ter havido "manifestações e greves históricas, a crise acabou por ter um efeito contraproducente e encolher o espaço da indignação", entende a eurodeputada.

Admitindo, por isso, que o "percurso em Portugal será difícil", Catarina Martins mostra, no entanto, o compromisso do BE contra o predomínio dos dois partidos maioritários: "Romper com a austeridade passa necessariamente por romper com o bipartidarismo", conclui a coordenadora do Bloco.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG