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Bebé brutalmente agredida na Índia pode sobreviver

Bebé brutalmente agredida na Índia pode sobreviver

As condições de saúde de Falak - a criança de dois anos agredida brutalmente, na Índia, há cerca de um mês - melhoraram e os médicos têm esperança que a menina sobreviva. A criança foi mordida, agredida e queimada com um ferro em brasas.

O caso da bebé Falak continua a consternar a Índia. O país ficou chocado após ter corrido a notícia de que a criança tinha sido encontrada na rua com sinais graves de espancamento e tortura.

Quase um mês depois, os médicos do hospital AIIMS, em Nova Deli, onde Falak está internada, dizem-se satisfeitos com a evolução do estado de saúde da criança. Acreditam, mesmo, que em breve ela possa deixar de estar dependente de um ventialdor.

"Agora estamos a tentar retirá-la, devagar, fora do ventilador", disse Deepak Aggarwal, o neurocirurgião que está a tratá-la. "Se nas próximas 72 horas conseguirmos retirá-la do ventilador, as hipóteses de sobrvivência aumentam consideravelmente", referiu.

O médico disse que o facto de a criança ter sobrevivido a duas paragens cardíacas logo na primeira semana já foi "um milagre". "Num estado pós-traumático, nunca vi ninguém, muito menos uma criança, sobreviver a duas paragens cardíacas", referiu.

Falak foi encontrada numa rua de Nova Deli, a 18 de Janeiro. Gravemente ferida, foi levada para o hospital, onde se confirmou um cenário de horror: a bebé, de dois anos, apresentava graves ferimentos na cabeça, os braços partidos, marcas de mordeduras humanas e tinha as bochechas queimadas com um ferro em brasa.

Abandono e exploração infantil

"Este é um dos maiores escândalos sexuais que envolve menores, prostituição infantil e venda de mulheres para casamento", disse o director do Comité para o Bem-Estar Infantil da Índia, Raaj Mangal Prasad. "Estamos diante de um caso clássico em que a magnitude dos maus tratos a pessoas foi posta às claras", acrescentou, em declarações reproduzidas pelo jornal espanhol "El Mundo".

"Finalmente, a infecção no cérebro deu sinais de começar a ceder. Se nos próximos dias os resultados melhorarem, podemos fazer outra cirurgia essencial", disse, há um mês, Chhaya Sharma, neurocirurgião do hospital AIIMS, em Nova Deli, onde Falak está internada desde 18 de Janeiro.

"Não pode respirar sem assistência, está ligada ao ventilador e o estado de saúde é crítico", acrescentou Chhaya Sharma, na altura, em declarações à IBN, um canal de TV por cabo indiano subsidiário da CNN. "A infecção pode ter afectado partes do cérebro e não é certo que a menina venha a ter uma vida normal, no futuro", acrescentou.

O caso de Falak reavivou o debate local sobre os graves problemas de abandono de bebés e da compra e venda de mulheres. A Índia é considerado o quarto país mais perigoso do Mundo para as mulheres, atrás da República Democrática do Congo, do Afeganistão e do vizinho Paquistão, segundo um documento da Trustlaw.

Falak é um doloroso rosto, queimado com ferro em brasa, desta realidade para as mulheres e as crianças, na Índia. Uma criança, de 14 anos, assumiu-se como a mãe da bebé e disse que mordeu e esbofeteou a filha porque "ela não se calava". As restantes feridas, diz a alegada mãe-criança, resultaram de uma queda da bebé.

"Na minha opinião, este não é um simples caso de lesões resultantes de uma queda", disse Deepak Agarwal, o neurocirurgião. As dúvidas sobre a versão da suposta mãe da bebé, contada ao Comité para o Bem-Estar Infantil da Índia, antes de ingressar num centro para tratamento psicológico, começam a dissipar-se.

As autoridades estão convencidas de ter encontrado a mãe biológica de Falak, uma jovem de 22 anos com um drama em forma de vida quotidiana. Munni foi abandonada pelo primeiro marido e vendida quando tinha 16 anos a um jovem da localidade de Rajastán, contou o vice-comissário da polícia do sul de Nova Deli, Chhaya Sharma, que formou cinco equipas policiais para percorrer o país à procura da verdadeira mãe de Falak.

Os vários caminhos da investigação conduziram a uma tortuosa avenida, onde tantas mulheres e crianças se perdem anualmente: uma suposta rede de tráfico humana estará na origem do triste destino de mãe e filha. Um drama familiar que está a alertar os indianos, e o Mundo, para as questões do abandono infantil, a exploração de crianças e os maus-tratos a mulheres.