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Beirute: duas equipas portuguesas de auxílio continuam de prevenção

Beirute: duas equipas portuguesas de auxílio continuam de prevenção

Cruz Vermelha tem médicos e enfermeiros preparados para partir para a zona de desastre libanesa, mas aguarda pedido formal. MAI coordena Força Operacional de emergência com 42 peritos que estão de sobreaviso.

São 42 operacionais da Proteção Civil, do INEM, dos Sapadores de Lisboa e da GNR e "estão preparados para partir a qualquer momento" para a zona portuária de Beirute, no Líbano, que na terça-feira foi assolada pela explosão massiva de 2750 toneladas de nitrato de amónio, confirmou ao JN a assessoria do Ministério da Administração Interna. O MAI coordena esta Força Operacional Conjunta Nacional, em ligação com o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que está a responder aos pedidos de assistência internacional das autoridades libanesas.

"A equipa vai continuar de prevenção", apesar de a Comissão Europeia ter revelado esta quinta-feira que o governo do Líbano "agradece a ajuda portuguesa", mas considera que, "para já não é necessária". Ainda segundo a assessoria do ministério liderado por Augusto Santos Silva, "a operação está em contínua avaliação e pode mudar a qualquer momento", mantendo-se "a disponibilidade portuguesa em ajudar".

A Força Nacional integra operacionais com altas competências nas áreas de busca e salvamento em ambiente urbano, emergência pré-hospitalar e resposta a eventos nucleares, radiológicos, biológicos ou de caráter químico.

Cruz Vermelha "aguarda serenamente"

Do lado da Cruz Vermelha Portuguesa há também "uma equipa especial de prevenção" constituída por "pessoal de emergência, com médicos, enfermeiros e gestores de operações que estão de sobreaviso e podem partir rapidamente para Beirute", confirmou ao JN Gonçalo Órfão, coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha Portuguesa. O médico de Coimbra sublinha, ainda assim, que "primeiro tem que haver um pedido formal das autoridades libanesas", e que isso "ainda não se concretizou", mas "não está fora de hipótese acontecer".

"Estamos preparados e aguardamos serenamente", disse ainda Gonçalo Órfão, vincando que a sua equipa está "em estreita articulação com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, que por sua vez está articulada com a Cruz Vermelha do Líbano, que dá respostas a nível local quanto às necessidades sentidas no terreno".

137 mortos, 5 mil feridos e a contar

A explosão de terça-feira - um armazém que continha 2750 toneladas de nitrato de amónio incendiou-se por razões ainda indeterminadas e explodiu numa massa de força comparável a 1/5 da potência da bomba nuclear lançada pelos EUA sobre Hiroshima, no Japão, há 75 anos - provocou 137 mortos. Mas o número da tragédia vai aumentar, uma vez que há ainda mais de 100 pessoas desaparecidas sob os escombros da capital libanesa. O número de feridos é superior a cinco mil.

A força colossal da detonação, que se levantou, primeiro, num grosso cogumelo gigante de fumo branco, e, depois, numa espiral de fumo vermelho sangue, destruiu milhares de edifícios num raio de cinco quilómetros à volta da zona portuária de Beirute, estourando janelas e paredes, fazendo-se ouvir por toda a capital libanesa e até à distância do vizinho Chipre, que fica a 200 quilómetros.

O governado libanês estima que 300 mil famílias tenham ficado desalojadas devido à destruição das suas habitações e que o prejuízo global em danos ascenda a 15 mil milhões de dólares.

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