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Bélgica considera que gestor que inspirou "Hotel Ruanda" não teve julgamento justo

Bélgica considera que gestor que inspirou "Hotel Ruanda" não teve julgamento justo

A ministra dos Negócios Estrangeiros belga considera que o líder da oposição ruandesa, Paul Rusesabagina, que também tem nacionalidade belga e foi condenado esta segunda-feira a 25 anos de prisão por terrorismo, "não beneficiou de um julgamento justo e equitativo".

"Apesar dos repetidos apelos da Bélgica sobre este assunto, deve notar-se que o senhor Rusesabagina não recebeu um julgamento justo e equitativo, particularmente no que diz respeito aos direitos da defesa", disse Sophie Wilmès, através de uma declaração.

A ministra belga adianta que "a presunção de inocência não foi respeitada" e que "estes elementos de facto põem em causa o julgamento e a sentença".

A Câmara do Supremo Tribunal para Crimes Internacionais e Transfronteiriços em Kigali declarou Rusesabagina, de 67 anos, culpado de formar e financiar um grupo terrorista por liderar a Frente de Libertação Nacional (FLN), a ala armada do seu partido, o Movimento Ruandês para a Mudança Democrática (MRCD).

O antigo gerente que inspirou o filme "Hotel Ruanda", que deixou de comparecer no tribunal em março por achar que não iria receber um julgamento justo, foi preso em 31 de agosto no aeroporto internacional de Kigali, numa detenção que a sua família e advogados descreveram como um "rapto".

O antigo gestor tornou-se um adversário altamente crítico do Presidente ruandês, Paul Kagame, e vivia no exílio entre a Bélgica e os Estados Unidos da América, onde criou uma fundação para promover a reconciliação a fim de evitar mais genocídios.

Estes eventos inspiraram mais tarde o filme "Hotel Ruanda", o que lhe trouxe um amplo reconhecimento mundial. Em casa, porém, foi criticado por muitos sobreviventes que o acusaram de explorar o genocídio em proveito pessoal.

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O genocídio começou em 7 de abril de 1994, após o assassinato, no dia anterior, dos Presidentes do Ruanda, Juvénal Habyarimana (hutu), e do Burundi, Cyprien Ntaryamira (hutu), quando o avião em que viajavam foi abatido sobre Kigali.

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